domingo, 11 de setembro de 2011

Desafio de Verão: Vencedores!

Agradecemos a todos a participação no desafio "Leituras de Verão" entre os blogues GataPreta Artesanato e Ler y Criticar

Assim, sem mais delongas, anunciamos os vencedores:
1º A frase com mais "GOSTOS" no facebook é a da Sá (Sara) Santos:
«Uma boa leitura transporta-me para um mundo diferente, um mundo onde ninguém se pode intrometer, um mundo que me dá que pensar, um mundo que passa a ser SÓ meu!
Afinal de contas uma boa leitura é isso mesmo, ter por perto um BOM livro, que me CATIVE, que me transporte para dentro dele, que me faça viver individualmente cada personagem e sentir tudo o que se descreve.
Um BOM livro, faz-me rir sozinha, faz-me chorar, faz-me vibrar por dentro e querer saber mais e mais, passando a ser aquela a MINHA história»


2º A resposta correcta à questão "Qual a personagem favorita do autor do blog Ler y Criticar?" é "Gollum".

Dos 5 participantes todos acertaram, pelo que teve de ser feito um sorteio para se determinar quem leva receberá em casa este livro de Robin Hobb...

E o vencedor é...
Andreia Mendes!
Entraremos em contacto para vos enviar os respectivos prémios.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O TERROR - vol.2 de 2

Autor: Dan Simmons

Título original: The Terror

Era apenas uma questão de dias até começar a ler este livro depois de ter lido o 1º Vol., visto que eram muitas as respostas que se pediam nas próximas páginas. Este livro, ao contrário do que estava à espera, não aumenta o ritmo tal como se previa no fim do 1º Vol. porque Dan Simmons não tenta apenas dar-nos a sensação constante de terror e de que tudo está perdido. Simmons, com um trabalho de investigação do melhor que já li neste género, continua a ensinar-nos, a explicar e a enquadrar-nos neste cenário de tentativa de sobrevivência. Este trabalho exaustivo, de grande valor na minha opinião, obriga o livro a ser lento, o que para algumas pessoas se poderá tornar num livro pouco viciante. Mas, tal como nos filmes e na música, há obras que são viciantes, outras que são boas, os dois factores não estão necessariamente ligados, e de uma coisa vos posso garantir: dentro do género de terror, poucos livros têm esta qualidade pois a grande maioria limita-se a promover o próprio terror.
Tendo um ritmo lento pelo que acabei de explicar, O Terror não é um livro de terror puro, é antes um romance histórico em que sentimos esse “nevoeiro” quase imaterial de medo, e tal acontece porque Simmons nunca “descola” da base verídica da história, não a tornando numa história centrada na acção nem nas decisões absurdas que por vezes encontramos noutros livros e que servem apenas para promover a sensação de terror.
Em relação à história, penso que está muito bem conseguida, com uma forte ligação à realidade, com acontecimentos imprevisíveis e sem aqueles momentos em que percebemos de forma óbvia que certa personagem vai morrer.
Sobre as personagens não há muito a dizer. Existem três neste livro que são muito bem construídas e dão outra dinâmica à sensação de que a salvação não existirá para este grupo, ao desespero e à força de sobreviver, de vingança, de loucura. No entanto gostaria de ter mais personagens que fossem mais exploradas, mas isso levaria a um aumento de páginas, num livro já grande, que poderia ser prejudicial à leitura.
De salientar uma vez mais, tal como fiz no livro anterior, que a junção da narrativa da história com os diários escritos por personagens dão um toque de “ar fresco”, com um ritmo e escritas diferentes, sem nunca perder a capacidade de sentirmos o que a personagem sente e teme. Muito bom.
O que torna este livro muito bom, não é a ideia base, nem as personagens, nem a história em si, (apesar de nestes factores a qualidade ser boa) mas a excelência do livro está no facto de ser completo. Simmons não cria um livro virado para a origem do terror, mas sim para várias. Os marinheiros morrem devido a doenças, a medos que os consomem, a um inimigo sobrenatural, à falta de fé, mas no entanto o grande inimigo é o próprio Homem, pela sua ganância, pela sua loucura e desespero que lhes rouba a lógica. Nós somos o maior monstro para nós próprios mesmo numa situação de tão grande desespero e necessidade de união.    
Este livro é muito bom porque demonstra como a falta de entendimento é o maior catalisador para o terror, como o medo em lidar com esse próprio terror nos consome, e como uma civilização que se acha evoluída tem tanto a aprender com os chamados selvagens que vivem e conhecem os locais que nós julgamos conhecer, que sabem de forma quase primitiva viver onde outra civilizações “superiores” não conseguem porque não querem aprender com inferiores ou porque simplesmente acham que nada têm a aprender.
O final é imprevisto, agradará a alguns, outros certamente não gostarão tanto. Mas vendo o livro como um todo, penso que se encaixa e um dos poucos que não tornaria o final ridículo.  
Resumindo, O Terror não é um simples livro de terror. É um romance histórico muito bem detalhado, mostrando que Simmons teve um enorme trabalho de investigação e que este livro não se escreveu “num dia”. Um livro que é quase um retrato da sobrevivência humana e suas fragilidades físicas e mentais. 
É muito mais do que um livro de terror.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

EU, ROBOT

Autor: Isaac Asimov

Título original: I, Robot


As Três Leis:

1. Um robot não pode causar dano a um ser humano nem, por inacção, permitir que qualquer humano sofra danos.
2. Um robot deve cumprir as ordens que lhe forem dadas por seres humanos, excepto nos casos em que essas ordens colidam com a Primeira Lei.
3. Um robot deve proteger a própria existência desde que essa protecção não colida com a Primeira ou com a Segunda Lei.

Publicado em 1950, este é um dos grandes livros de Asimov, um dos grandes livros de um dos melhores autores de Ficção-Científica. Rapidamente tornado num clássico, as Três Leis criadas por Asimov (que por várias vezes admitiu não serem sua criação) revolucionaram a própria forma como outros autores olhavam para a Robótica e consequente Inteligência Artificial.
Este livro, composto por nove pequenas histórias, é completamente diferente do filme com Will Smith que saiu há uns anos. Pessoalmente gostei do filme, mas a realidade é que as similaridades são tão poucas, que se não fosse terem por base as mesmas Três Leis e eu diria que se tratava de um filme de outro qualquer livro.
Asimov cria um livro sem paralelo até então, numa fase em que o mundo tentava esquecer a Segunda Guerra Mundial, Asimov imagina uma brutal evolução tecnológica que levará as Máquinas a uma inteligência superior. No entanto onde Asimov revolucionou foi na mentalidade do próprio robot, visto sempre como o grande inimigo noutros contos até à data, neste livro a personalidade das máquinas é finalmente “observada” pelo leitor, dando-nos uma perspectiva nova, ajudando-nos a criar laços com estas estranhas personagens.
Asimov cria um futuro, uma mentalidade de uma sociedade bem diferente daquela em que agora nós vivemos, e nos seus nove contos viajamos pela evolução dos robots, mostrando-nos as suas utilidades, que começará por trabalhos básicos, chegando depois aos trabalhos que o Homem não pode executar, acabando no grande domínio intelectual das Máquinas, que têm sempre como base as Três Leis.
De realçar o quanto estas Três Leis estão sempre presentes na história, quer para bem quer para o mal, levando-nos a momentos caricatos, como por exemplo o de um robot doméstico que não pode cozinhar um alimento não muito saudável para o seu mestre, visto que o humano apresenta uma percentagem de gordura no seu corpo fora da "zona saudável". Percentagem essa quase irrelevante mas que choca com as inflexíveis Leis, criando uma negação como resposta à ordem do seu mestre.
Este livro, esta obra-prima, deixa-nos a pensar, pois nunca sendo frontal nas questões que levanta, a verdade é que elas estão lá. Não são poucas as vezes em que a personagem principal da maioria dos nove contos, a Dra Susan Calvin, tenta perceber como a própria humanidade responde ao avanço tecnológico. Terá o humano capacidade para perceber o que as máquinas poderão vir a sentir? Teremos nós a mentalidade necessária para escravizar as máquinas enquanto ganhamos afectos? Deveremos nós voltar à escravidão dos tempos passados tendo como objectivo uma sociedade mais evoluída em todos os aspectos? E por fim, como iremos nós reagir à ameaça de perdermos o papel de espécie dominante no planeta?
Não revelando nada da história, digo-vos que o final deste livro tem, na minha opinião, um dos grandes momentos da história literária deste género. Asimov deu um novo “aspecto” às máquinas neste livro, obriga-nos a tentar percebê-las e a criatividade necessária para criar a evolução das máquinas neste livro é de louvar. Uma obra que mesmo após 60 anos desde que foi publicado, não me parece distante das questões fundamentais que a humanidade irá enfrentar nos próximos tempos. A verdade é que nunca senti que o livro estivesse deslocado do que poderá vir a acontecer.
Um livro que nenhum fã do género deve perder. Se gostam de Ficção-Científica não deixem de ler este livro porque já viram o filme. Volto a avisar que muito pouco têm em comum. Aliás, a própria capa do livro com o Will Smith não pode ser mais do que uma questão de marketing. 
Como disse antes, gostei do filme, mas o livro tem a capacidade de levantar questões importantes e de dar uma imagem muito mais abrangente de uma sociedade em transformação. A não perder.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Passatempo "A Dança dos Dragões" - Vencedores!

Queria em primeiro lugar agradecer a todos os que participaram neste passatempo. Este blog teve um total de 76 participações com respostas devidamente correctas. Deixo aqui as respostas e ainda o nome dos dois vencedores. Obrigado a todos e espero que tenham gostado desta oportunidade!

1: Quem consegue submeter à sua vontade qualquer animal e tornar sua a sua carne?
Resposta: Varamyr / Wargs

 2: Não sabendo o destino da sua viagem, Tyrion preferia ir para onde?
 Resposta: Dorne

3: Qual a frase que Tyrion recorda como uma das últimas que o seu pai disse?
Resposta:  "Onde quer que as rameiras vão"

4: Onde foi treinada a rapariga que Illyrio enviou a Tyrion?
 Resposta: Em Lys


5: Illyrio e Tyrion falam de um salvador vindo do outro lado do mar. De quem se trata?
Resposta: Um dragão de três cabeças / Daenerys


Os Vencedores do Passatempo são:
Diogo Manuel Campos 
Miguel Jorge Magina

Parabéns aos vencedores!

OS ESCOLHIDOS - Trilogia "A dança de Pedra do Camaleão"

Autor: Ricardo Pinto

Título original: The chosen – Book One of “The Stone Dance of the Chameleon” Trilogy


Sinopse: A literatura fantástica abre as páginas a um estrondoso título. Considerado pela crítica internacional como um novo Tolkien, a trilogia A Dança de Pedra do Camaleão do autor português Ricardo Pinto foi publicada na Grã-Bretanha, Estados Unidos, Alemanha e Holanda e Portugal. É uma obra excepcional no panorama da produção recente do género fantástico, a primeira de três títulos sobre a Comunidade das Três Terras, governada por imperadores e mestres que ditam cruéis regras. Neste volume, Os Escolhidos, Carnelian e seu pai, o Mestre Suth, há muito tempo exilados do centro do mundo - Osrakum - regressam para a eleição do Imperador-Deus, a casta superior de uma sociedade hierarquicamente estruturada. Uma história de quatro mil anos que explora um complexo e hierarquizado império, polvilhada por um leve sabor oriental.


Este livro de fantasia é diferente da fantasia convencional que estamos habituados, e este aspecto é o que difere o primeiro livro de Ricardo Pinto, para o bem e para o mal.
Para ajudar a decisão de compra de quem esteja interessado, dividirei esta opinião em factores bons e maus porque na minha opinião este livro "auto-divide-se" em factores que serão de agrado de muitos e descontentamento de outros tantos.
Começando pelos bons, é inevitável falar do mundo criado por Ricardo Pinto. Não será exagero da minha parte dizer que este livro contem o terceiro melhor universo que alguma vez li, apenas superado por O Senhor dos Anéis e Duna. Pinto oferece-nos um detalhe avassalador de um mundo magnificamente criado, cheio de descrições de populações, rituais, tradições, flora e fauna, mentalidades, religião, etc...Uma criação de fantasia simplesmente fabulosa. Misturado com uma criatividade incrível, Pinto escreve de forma minuciosa, por vezes exaustiva, os detalhes deste mundo, tornando o livro num esplendor visual muito poucas vezes visto na fantasia actual.
Outro aspecto positivo, pelo menos na minha opinião porque por vezes gosto de ler algo diferente, é o facto de este livro de fantasia, apenas o ser pelo mundo criado. A magia é quase inexistente, não existem criaturas mágicas, nem heróis de espadas com estranhos poderes, cortando uma vez mais com a actual fantasia.
Este é um livro onde a acção se desenvolve num mundo onde a intriga e os jogos de poderes são o motor central, um pouco ao estilo da saga Game of Thrones de George R. R. Martin. Também muito presente é a violência, numa sociedade com grande rigor de hierarquia, com os Semi-Deuses a governarem a seu belo prazer as raças inferiores, acabamos por ler cenas que nos arrepiam ao imaginarmos um mundo onde o valor da vida pode ser tão baixo.
Mas este livro tem aspectos negativos que poderão afastar vários leitores. Como disse antes, Pinto oferece-nos um mundo incrível, memorável, mas descreve-o demasiado exaustivamente para o meu gosto pessoal. O livro é lento, muito lento, e as suas mais de 550 páginas parecem uma enorme introdução às bases do universo onde se desenrolará a acção. Se o ritmo lento até poderá não ser um entrave para alguns, para outros leitores habituados ao ritmo mais normal da fantasia, este poderá ser um factor contra. Outro aspecto que poderá não ser do gosto de alguns leitores é a violência extrema, devido às acções dos Semi-Deuses. Com um bom rigor visual na sua escrita, a violência é forte, cheia de racismo para com as raças inferiores, envolta numa mentalidade que eu pessoalmente gostei, uma vez mais por ser diferente, mas que algumas pessoas poderão não gostar.
Resta-me falar muito resumidamente da história e personagens: a história em si não é palpável neste primeiro livro, apesar de evoluir, não o faz assim tanto se tivermos em conta o número de páginas. Os desenvolvimentos são bons, mas como disse, este livro é lento e serve para nos “colocar” num mundo e percebê-lo para melhor interpretação no futuro da história. As personagens são boas, não se destacando de outras personagens de outras livros de fantasia. A personagem principal, Carnelian, um semi-Deus que devido à sua infância consegue criar laços de amizade com os seres inferiores, vê de forma horrorizada, tal como os leitores, toda a crueldade deste mundo, e tal facto aproxima-nos deste rapaz por percebermos o seu sofrimento e angústia, um ponto a favor mas que poderá não chegar aos leitores que gostem de se sentir próximos das personagens principais.
Resumindo, este é um livro para quem tem prazer de visualizar novos mundos, e este oferece tudo e de forma esplêndida. Um detalhe de louvar, diferente de tudo o que já li, e se é o vosso caso sentir esse prazer por mundos novos, então comprem este livro! Já! Se não sentem que a fantasia tem obrigatoriamente de ter toneladas de magias, dragões e todo o tipo de poderes, então este livro pode ser uma lufada de ar fresco. No entanto este não é um livro para “meninos” devido à violência, nem um livro que se leia em 15 dias. É um livro lento, por vezes cansativo, que sabe melhor quando intervalado com outra obra menos densa, naqueles dias em que a nossa cabeça pede algo mais leve.
No entanto digo-vos também que da trilogia, li também o segundo, que apresenta uma narrativa mais rápida, devido a uma menor necessidade de descrições. Fica à vossa escolha agarrar no livro, dar uma vista de olhos e decidir.
Por fim louvar a editora por arriscar numa fantasia portuguesa que é mais conhecida fora do que dentro do nosso país.