terça-feira, 12 de agosto de 2014

O GUARDIÃO DAS CAUSAS PERDIDAS


Autor: Jussi Adler-Olsen

Título original: Kvinden i buret



Sinopse:
Carl Mørck não é o detetive mais popular da Divisão dos Homicídios de Copenhaga. Por isso, quando é criado o Departamento Q, com a missão de rever casos arquivados, Carl Mørck é designado para o dirigir. O seu primeiro caso é o de Merete Lynggaard, uma deputada que desaparecera cinco anos antes sem que a polícia conseguisse mais do que conjeturar uma aparente tentativa de suicídio. Toda a gente acha que ela está morta. Toda a gente diz que investigar o sucedido é uma perda de tempo. Mas, à medida que Carl Mørck começa a seguir as pistas que o seu colega havia descartado aquando da investigação inicial, descobre um caso com contornos inesperados e profundamente sinistros…


Os policiais nórdicos estão na moda depois do enorme êxito da trilogia de Stieg Larsson. Com 5 livros já publicados e mais de 10 milhões vendidos, Adler-Olsen é uma escolha óbvia para quem gosta do género. Mas será assim tão bom ou apenas o resultado da moda? 

Em primeiro lugar devemos não fazer comparações durante a leitura. Seria muito fácil acabar o livro e argumentar que este livro não tem uma personagem tão marcante quanto Salander (personagem marcante da trilogia de Larsson), mas não é isso que me compete na análise do livro. Posto isto, este é um livro com vários pontos positivos e o primeiro é a sua montagem da narrativa. Com duas narrativas (uma no presente, outra no passado) que vão caminhando lado a lado, somos brindados com informação que os investigadores não têm acesso, e aqui cria-se um dos maiores ricos de um policial, mas que quando bem executado faz a diferença. 

A questão é simples, nós sabemos o que aconteceu e por isso, em teoria, dificilmente seremos enganados e o efeito surpresa no fim será muito menor... mas este não é esse caso, e é aqui que está o bom do livro. O autor consegue enganar-nos e surpreender-nos, não por falta de informação, mas simplesmente porque a ligação que o autor consegue fazer dos factos que nos faculta será, muito provavelmente, bem diferente da que os leitores irão criar, culminando num encaixe muito bom de factos que nos levarão a perceber que fomos cegos em alguns momentos, pois as evidências estavam à nossa frente.

E é com este final que percebemos que este é um bom livro e que agradará aos fãs do género. Mas voltemos um pouco atrás... uma das mais valias deste livro é o personagem principal, não por ser particularmente carismático ou excepcionalmente inteligente em tudo o que faz, mas porque tem falhas, e muitas. Carl é um personagem que parece real do início ao fim, porque é humano o suficiente para errar e também para nos levar a pensar sobre o estado psicológico de um homem que tem várias lutas interiores. 

Em relação ao enredo, não há muito que se deva revelar. Como já referi, o livro ganha bastante por nos mostrar muito mais do que Carl sabe sobre a investigação, e assim podemos visualizar um lado muito mais cruel e que choca em certos momentos, levando-nos a desejar que aquele sofrimento acabe depressa... No entanto, após a surpresa final vemos que este livro não marca apenas pelo seu desfecho, mas por toda a jornada. Aliás, o desfecho deixa algumas pontas soltas, não na investigação mas em outros assuntos, criando a sensação que esta saga tem muito para dar (repito que já foram lançados 5 livros, e espero que o mesmo aconteça no nosso país).

Não querendo alongar-me mais, não vá revelar algo que não deva, devo afirmar que gostei bastante de Carl e da narrativa do autor, que por vezes apresenta um humor interessante e que surpreende num livro bastante sombrio (garças à investigação mas também ao próprio Carl). Dificilmente um leitor que aprecie o género não irá gostar deste livro, pois tem tudo o que se pede no género. Se gostam de policias, esta saga parece ser interessante a julgar pelo seu início, e vou ficar à espera dos próximos livros.

Luís Pinto

2 comentários:

  1. Mais uma análise muito objetiva! Parabéns.

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  2. Olá Luis. Já li este livro e gostei bastante e agora quero ver o filme. Também senti o mesmo que falas aqui em relação às personagens e às montagens do enredo. Recomendo!

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