sexta-feira, 2 de maio de 2014

TEA-BAG: O SORRISO DA ESPERANÇA


Autor: Henning Mankell

Título original: Tea-Bag



Sinopse: Jesper Humlin é um conceituado poeta sueco que está a passar por uma fase algo caótica da sua vida pessoal e, para cúmulo, o seu editor, intima-o a escrever um policial, género que o poeta despreza. Um dia, Jesper vai dar uma série de palestras na zona de Gotemburgo e entra em contacto com uma comunidade de imigrantes ilegais. Mas são três jovens, em particular, que o irão marcar profundamente e inspirá-lo para uma nova aventura literária - Tea-Bag, uma refugiada nigeriana, Leila, oriunda do Irão, e Tania, uma jovem da Europa de Leste. Cada uma delas traz consigo uma história de vida, a fuga à opressão e o anseio pela liberdade, uma voz que deseja ser ouvida e que faz nascer em Jesper a vontade de a dar a conhecer ao mundo. Um romance inspirador, iluminado pela esperança, a comédia e o humor e ensombrado pela realidade trágica das vidas que sofrem a marca indelével do preconceito e do racismo.


Apesar de ser um autor bastante famoso, principalmente pelos seus policiais, a verdade é que nunca li nenhum livro de Mankell. Fora do seu género, este livro pode não agradar tanto a alguns fãs que procurem um bom policial, pois aqui Mankell leva-nos para um romance mais humano e centrado em temas mais delicados.

No início o livro não me agarrou, principalmente porque a base do livro se demonstrava algo banal, e oferecia a sensação que o autor iria seguir um caminho demasiado óbvio. No entanto, aos poucos, as personagens começaram a ganhar alguma relevância e comecei a reparar que o autor estava a caminhar numa direção que eu não esperava, e tal agradou-me. E essas surpresas permaneceram durante a grande maioria do livro. Este é, provavelmente, o ponto que mais apreciei no livro: o facto de o autor optar por fugir ao caminho mais usado dentro de alguns temas, e assim o livro torna-se mais refrescante.

Sendo um "livro muito humano" ao tocar em pontos delicados, as personagens eram fundamentais, e aqui parece-me que poderá existir alguma discórdia entre os leitores. Com três excelentes personagens, as musas do nosso personagem principal oferecem a este livro uma qualidade inegável e, no meu caso, senti-me próximo das mesmas, pois as suas histórias marcam o leitor. Na outra face da moeda temos o personagem principal, Humlin, que não será um personagem fácil de se gostar. A sua personalidade demora a demonstrar a coerência necessária para percebermos as suas ações, e tal fez com que fosse difícil ligar-me à personagem durante a primeira metade do livro.

Aos poucos fui começando a apreciar cada vez mais o livro, sendo uma surpresa o humor que o autor coloca neste enredo, desanuviando um pouco a atmosfera pesada que estas três jovens dão ao livro. O enredo torna-se mais profundo e a mensagem que passa é forte, culminando num livro que são três poderosas histórias de vida. O objetivo é a liberdade, e para alguns é impossível de alcançar. O local em que nascemos, define-nos para sempre, e muitas das oportunidades que teremos serão condicionadas por esse singular momento em que nascemos, quer seja na Suíça... ou em África, estamos condicionados e, em alguns casos, nunca seremos livres, nem felizes. 

Este é um livro sobre várias realidades que a maioria prefere não saber que existe. É forte e é um grito que muitos pedem que seja ouvido, procurando pela liberdade que a nossa sociedade não oferece em alguns casos. Num olhar global, este livro tem grandes momentos e tem o mérito de fugir ao que seria óbvio, tornando-o numa leitura refrescante num enredo pesado. Da minha parte, a ligação com o personagem principal foi difícil no início, afastando-me do livro, mas no fim percebo que esta personalidade encaixe bem no que o autor quis passar no fim: uma mensagem de alerta, mas que traz uma forte crítica social, bem assente nessa personagem. Se gostarem do género este livro é uma boa escolha, e que vos ficará na memória durante muito tempo. 

Luís Pinto

5 comentários:

  1. Gostei da sinopse e da tua análise. Gosto bastante destes temas e fiquei curiosa mas nunca li nada deste autor. vou procurar o livro. Foi pena não o ter ganho no passatempo. Boas leituras.

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  2. É o que estou a ler neste momento, mesmo quase a acabar e estou a sentir o mesmo que tu. Grande crítica e acredito que o livro me vai ficar na cabeça por muito tempo.

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  3. Depois desta crítica, fiquei ainda mais feliz por ter ganho este livro. Mais uma vez, obrigada! (:

    Helena Bracieira

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  4. Vasco Bravomaio 05, 2014

    Uma crítica que me despertou a atenção. Já tinha ficado de olho nesta obra na altura do passatempo, mas agora fiquei com bastante interesse de o ler.

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  5. Recebi este livro de oferta e foi dos piores livros que já li. Não me cativou do princípio ao fim. Não consegui envolver-me na história. Estive para deixar a leitura a meio, mas "teimei" na esperança que se desse alguma reviravolta. Foi um alívio quando acabou...

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