sábado, 10 de maio de 2014

A ESCOLHA DOS TRÊS


Autor: Stephen King

Título original: The Drawing of the Three



Este é o 2º livro da famosa e aclamada série "A Torre Negra", considerada por muitos uma das melhores sagas de sempre dentro do género fantástico.

Após um primeiro livro que não é fácil e que nos deixa com várias perguntas na mente, este 2º livro é mais violento, maior, e mais sólido no seu enredo, respondendo a várias perguntas, e deixando outras tantas para os próximos livros. No primeiro livro (podem ler a minha opinião aqui) temos uma apresentação do mundo, da personagem principal e do seu objetivo, mas tudo é uma enorme corrente de perguntas sem respostas, que agora começam a ser respondidas. Todavia, King leva-nos por um caminho tão estranho e singular que fica a noção que o autor se perdeu do seu objetivo ou está a criar demasiadas peças de um puzzle que não vai conseguir completar... mas estamos a falar de Stephen King, e visto que a crítica internacional aclamou esta saga e existe uma legião mundial de fãs que nos demonstra que King conseguiu juntar todas as peças, vamos avançando com a certeza que o melhor ainda está para vir.

King escreve como poucos. Forte, cru, objetivo, consegue captar a nossa atenção e chocar-nos ao mesmo tempo enquanto nos maravilha com um mundo que parece ser construído sem grande base, mas que aos poucos vemos que está lá, bem presente para explicar muitas das nossas dúvidas. Desde o início, que começa exatamente onde acaba o livro anterior, percebemos que o ritmo está mais forte, pois agora o enredo deixa de se focar tanto em Roland e começamos compreender a sua demanda e, principalmente, a conversa com o homem de negro que surpreende no fim do anterior livro.

E é aos poucos que vamos conhecendo as três novas personagens que Roland terá de conhecer. Neste campo, King consegue, como sempre, criar personagens únicas, com personalidades singulares e uma grande coerência.  São estes três novos personagens que se tornam a base que sustenta este livro e que nos surpreende em vários momentos. King começa, aos poucos, a criar várias cadeias de acontecimentos, em espaços temporais diferentes, mas que percebemos que estão ligados de uma forma que faz todo o sentido, e que nos demonstra que King não se limitou a escrever, mas sim a planear grande parte e apenas a escrever depois.

Esta é uma saga que desde o início adoramos ou odiamos. Para a grande maioria, não deverá existir meio termo. No meu caso, estou a adorar, mas de um ponto de vista crítico, é preciso salientar que King tem muito para explicar nos próximos livros, e acredito plenamente que o fará. Para quem, como eu, apenas tenha lido esta saga até este livro, fica a sensação que é aqui que muito se define, graças às três personagens e também ao facto de agora olharmos para Roland com outros olhos, pois o escritor facilmente altera a sua própria forma de escrita, do anterior livro para este, por forma a existir a sensação que este é um livro totalmente novo, muito mais objetivo mas igualmente enigmático. Quem ler este livro, perceberá o que digo. 

É difícil falar deste livro sem contar partes da história. O mundo criado por King consegue, ao mesmo tempo, fazer sentido, sem ter sentido nenhum. As suas personagens são muito bem construídas, mas nas suas ações ainda há muito por explicar. O final deixa-nos com uma enorme vontade de continuar a ler, principalmente porque aos poucos começam a aparecer as ligações que explicam o que já lemos, e queremos saber como tudo acaba. Até agora, fantástico! Espero que o próximo não demore muito a ser lançado!

Luís Pinto

7 comentários:

  1. Trademarkmaio 11, 2014

    Um reparo: contrariamente ao que diz na sua opinião, o Stephen King nunca planeia enredos antes de escrever. Ele próprio já o referiu inúmeras vezes e até está bem explícito em "On Writing". Por outro lado, contrariamente ao que parece insinuar na sua opinião, isso não é mau... nem bom, é apenas um estilo. Autores que planeiam antes de escrever, como a Agatha Christie, por exemplo, conseguem enredos mais complexos, mas autores que escrevem antes de planear, como King, conseguem livros mais naturais e improvisados.

    Também discordo da aparente necessidade que tem de que se explique tudo e se respondam a todas as questões que vão surgindo. Detesto livros que explicam tudo. Mas é só um gosto pessoal.

    De resto, boa crítica (ainda que talvez devesse rever um pouco o vocabulário, pois palavras como "singular" e seus sinónimos surgem demasiadas vezes ao longo do texto). Eu também estou a apreciar bastante esta saga, e até nem sou normalmente pessoa de gostar de fantasia.

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  2. Excelente opinião. Li o primeiro livro e fiquei bastante interessado apesar de não ter percebido metade do que foi acontecendo. Devo comprar este nos próximos tempos e depois dou uma opinião. Parabéns pelo texto!

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  3. King é um grande escritor. Acabei hoje este livro e também estou ansioso por ler o próximo. Percebo quando dizes que houve aqui algum planeamento, porque a forma como ele usa as três cartas do livro anterior para este, provam-no, mesmo com o King a dizer que foi escrevendo, nota-se que a parte do prisioneiro, morte, etc... estava planeado. Muito bom!

    Agora é esperar pelos próximos!

    Boas leituras.

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    1. Trademarkmaio 11, 2014

      Os personagens do prisioneiro, da senhora das sombras e da morte, assim como as histórias relativas a cada um deles e até a necessidade de existirem na narrativa, não estavam, ao contrário do que parece, planeadas desde o primeiro livro. King limitou-se a pegar em pormenores da primeira publicação e a improvisar... muito bem, diga-se de passagem.

      Um pormenor de relevo é o facto de o primeiro livro ser, na verdade, uma colecção de cinco contos independentes, escritos com alguns anos de diferença, e que o próprio King não julgou serem capazes de coexistir num único volume de forma lógica. Por essa mesma razão, o livro de "O Pistoleiro" publicado no ano original tem inúmeras diferenças da versão (coesa) que conhecemos. O autor alterou-lhe inúmeros detalhes de modo a que os volumes seguintes da saga pudessem fazer mais sentido e se completassem de forma coesa.

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  4. Ana Cardoso Fariamaio 11, 2014

    Olá, Luís.

    Parabéns pela análise. Já li esta saga em inglês e adorei-a a cada instante. No início não é fácil mas é fantástica a forma como o autor nos agarra mesmo tendo um enredo tão confuso e com tanto por explicar. Percebo o que dizes sobre a importância destas novas personagens e sobre o que falta explicar. SK irá lá chegar!

    Grande análise como sempre. Beijinhos

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  5. Bom dia, Luís.

    Gostei da crítica ao livro. Li o primeiro e fiquei com vontade de ler os seguintes ma confesso que ainda não o fiz. A parte final do livro deixa tantas perguntas sem resposta que foi difícil memorizar o essencial para ler este. Terei de voltar a ler o primeiro e agrada-me que o Stephen King comece a responder aos poucos porque aquele diálogo com o homem de negro é surreal de tão fantástico e confuso que é.

    Espero que continues com a saga e vou estar atento.

    Um grande abraço.

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  6. Lembro-me de no início do ano ouvir uma conferência onde o Luís falou sobre as várias formas de escrever e mencionou o Stephen King como um dos grandes escritores a improvisar. Até essa altura não conhecia essa faceta do escritor e fiquei muito agradado com as várias formas que o Luís mencionou sobre improvisar, as várias etapas e o que as distingue e como as revisões são feitas consoante que tipo de improvisação foi feita para essa escrita.

    Também gostei bastante desta crítica. Estamos a falar de um dos autores mais famosos do mundo pelos bons motivos. De certeza que esta saga é muito boa e estou a cada vez mais convencido a lê-la.

    Abraços!

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