Autor: E. L. James
Título original: Fifty shades of Grey
Sinopse: Anastasia Steele é uma estudante de
literatura jovem e inexperiente. Christian Grey é o temido e carismático
presidente de uma poderosa corporação internacional. O destino levará
Anastasia a entrevistá-lo para um jornal universitário. No ambiente
sofisticado e luxuoso de um arranha-céus, ela descobre-se estranhamente
atraída por aquele homem enigmático, sombrio, cuja beleza corta a
respiração. Voltarão a encontrar-se dias mais tarde, por acaso ou talvez
não. O implacável homem de negócios revela-se incapaz de resistir ao
discreto charme da estudante. Ele quer desesperadamente possuí-la. Mas
apenas se ela aceitar os bizarros termos que ele propõe... Anastasia
hesita. Todo aquele poder a assusta – os aviões privados, os carros topo
de gama, os guarda-costas... Mas teme ainda mais as peculiares
inclinações de Grey, as suas exigências, a obsessão pelo controlo… E uma
voracidade sexual que parece não conhecer quaisquer limites. Dividida
entre os negros segredos que ele esconde e o seu próprio e irreprimível
desejo, Anastasia vacila. Estará pronta para ceder? Para entrar
finalmente no Quarto Vermelho da Dor?
É este o grande fenómeno literário dos últimos tempos e, quer se
goste, quer não, conseguiu mudar a tendência do mercado, com editoras em
todo o mundo a apostarem no género erótico, indo atrás desta onda. Os
resultados estão à vista, com muitos autores, até agora desconhecidos do
público em geral, a tornarem-se best-sellers... e tudo começo aqui.
Milhões de livros vendidos, um filme mesmo quase a sair e muitos estudos
feitos, tentando perceber o que mudou e qual o segredo deste livro.
Não
tendo um grande conhecimento do género, não consigo afirmar se foi este
livro a criar esta fórmula agora tão usada. Temos a mulher, elemento
inseguro e frágil, de classe média. Depois, temos o homem, vistoso, bem
sucedido, rico, atraente, misterioso. Tal como noutros livros que li do
género (volto a dizer que não sei se foi este livro a "inventar" este
conceito), o segredo do livro está em todo o mistério à volta do homem a
quem o sucesso profissional tudo permite. Neste livro não é exceção e
temos um homem que rapidamente nos demonstra que tem tudo ao seu
alcance, que tem o controlo, e que tem um segredo.
E
é, obviamente, esse segredo que dá o empurrão à história. É o querer
desvendar o mistério que leva a personagem principal a avançar, mas
também ao leitor a ler. Claro que é impossível, devido ao grande hype do
livro, não saber o que é esse segredo, mas a leitura é rápida, sem
esforço. O maior problema é, provavelmente, a sombra que em alguns
momentos a autora envolve Grey, dando-lhe um "poder" sobre o enredo e,
principalmente, sobre a personagem principal. No entanto, percebemos
esse poder, porque é o mesmo que a personagem principal permite a este
homem de sucesso.
Com uma fórmula ganhadora
(basta ver as vendas), a autora junta uma escrita leve e objetiva. Por
vezes acredito que é demasiado explícita, por vezes demasiado banal, mas compreendo que seja a forma da autora chocar o leitor e levá-lo a entrar neste mundo que por vezes parece surreal. O enredo, interessante, capaz de prender pelo caso amoroso, está dentro do esperado no género, e apenas oscila porque em alguns momentos a autora não desenvolve o suficiente, com momentos que pouco oferecem à narrativa ou diálogos mais forçados. Todavia, estes são momentos que rapidamente deixamos para trás.
Globalmente, este é um livro que em certos momentos se gosta, noutros não. Mas, o que é indiscutível, é que este livro é o apogeu do seu género, porque transmite para o leitor a aura misteriosa que envolve Grey, e por muito outros motivos que deixarei cada leitor descobrir. Apesar de não ser um género que aprecie particularmente, talvez porque raramente me surpreende, a verdade é que consigo perceber o porquê do seu sucesso. As cinquenta sombras de Grey junta vários aspetos que o público feminino costuma aderir em massa e é aí que está a diferença para outros... e é por isso que é tão amado por um público, mas também tão repudiado por um leitor que seja mais exigente e não aprecie o género. Se gostam do género, este é um livro a ler... contem com uma análise mais aprofundada com a continuação da saga.
Luís Pinto