quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Passatempo: Nigella


PASSATEMPO

Cozinha com Nigella


O blog Ler y Criticar tem o prazer de vos trazer um novo passatempo em que iremos oferecer um livro da famosa Nigella, com as suas mais famosas receitas.

Para se habilitarem a ganhar basta serem fãs ou seguidores do blog e partilharem o passatempo.

O passatempo termina dia 30 de Janeiro

Apenas é permitida uma participação por pessoa.

O vencedor será contactado por e-mail.

Boa sorte a todos!

O CAVALHEIRO INGLÊS


Autor: Carla M. Soares



Sinopse: 1892. Na sequência do Ultimato inglês e da crise económica na Europa e em Portugal, os governos sucedem-se, os grupos republicanos e anarquistas crescem em número e importância e em Portugal já se vislumbra a decadência da nobreza e o fim da monarquia.
Os ingleses que permanecem em Portugal não são amados.
O visconde Silva Andrade está falido, em resultado de maus investimentos em África e no Brasil, e necessita com urgência de casar a sua filha, para garantir o investimento na sua fábrica.
Uma história empolgante que nos transporta para Portugal na transição do século XIX para o século XX numa descrição recheada de momentos históricos e encadeada com as emoções e a vida de uma família orgulhosamente portuguesa.



Na blogoesfera literária o nome Carla M. Soares tem sido muito falada nos últimos tempos. Tendo sido aconselhado a experimentar ler um livro desta escritora, decidi começar pelo seu mais recente romance.

O primeiro facto que conseguimos captar ao ler este livro é que a autora sabe escrever dentro deste género, principalmente porque consegue equilibrar os momentos de paragens com os momentos de avanço no enredo. Um dos grandes problemas ao se escrever um romance histórico está no facto de não ser fácil contextualizar o leitor na época do enredo sem matar o próprio enredo com um ritmo demasiado lento. Soares consegue manter um ritmo agradável ao não nos dar toda a contextualização de uma vez, mas sim aos poucos, misturada com o enredo, permitindo que comecemos a conhecer as personagens enquanto conhecemos este mundo. 

Claro que ao oferecer uma contextualização durante a leitura, o leitor pode perder alguns significados no início do enredo, mas eu não senti esse problema neste livro, revelando um bom trabalho da autora em dois pontos: no trabalho de investigação e na organização da informação a ser dada ao leitor. O resultado é este ritmo que nos prende ao aliar-se com uma escrita enigmática por parte da autora. Carla Soares vai-nos recordando, de forma suave e indireta, que existem dois ou três pontos fulcrais desta história que ainda não sabemos, e assim avançamos, tentando descobrir um segredo ou uma identidade. 

A autora conquistou-me com os pormenores desta época que me foi dando. É impossível esquecer o momento histórico em que o enredo acontece, e isso é muito importante para sentirmos o ambiente. A história, bem construída, inteligente e com diálogos que nos ajudam a conhecer melhor as personagens, poderá, em alguns momentos, parecer algo perdida ou forçada, mas esta sensação foi apenas passageira, sendo apagada a partir do último terço do livro em que se percebe qual o caminho que a autora irá seguir. O final, que será surpreendente para alguns e mais previsível para outros, é um dos pontos altos, e mesmo tendo percebido com antecedência o que se estava a passar e como iria acabar, a sensação final é de satisfação porque os pontos soltos durante a leitura conseguem convergir, ficando a noção que o enredo oferece todas as respostas essenciais. 

O destaque a narrativa vai para Sofia, que para além de ser o catalisador do enredo, é também a personagem que carrega os temas mais adultos, como o crescer do poder feminino na nossa sociedade perante um conjetura política em auto destruição. É com Sofia, personagem pela qual facilmente se cria simpatia, que iremos ver e compreender esta sociedade, tanto na mentalidade como nas tendências futuras. A questão final poderá ser: o que teremos de sacrificar para mudar uma sociedade, ou até que ponto essa sociedade está pronta para mudar.

Globalmente fiquei impressionado com esta obra de Carla M. Soares. Houve momentos em que não me agarrou totalmente, outros em que não consegui parar de ler. No geral, é impossível não admirar o trabalho da autora na investigação e na mistura que criou entre factos históricos e ficção. O resultado é um livro que se torna cada vez mais realista mas também mais enigmático. Fiquei convencido a ler outros livros da autora assim que surgir a oportunidade. Se gostarem de romances históricos, acredito que Carla M. Soares venha a ser das vossas autoras favoritas. Recomendado.

Luís Pinto

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

A PROFECIA DA ÁGUIA


Autor: Simon Scarrow

Título original: The Eagle's Prophecy




Sinopse: Estamos na primavera de 45 D.C. e os centuriões Macro e Cato, dispensados da segunda legião, encontram-se retidos em Roma a aguardar julgamento pelo envolvimento na morte de um oficial. Mas não é apenas o seu futuro que parece incerto... Piratas sanguinários capturaram três pergaminhos délficos que são absolutamente vitais para a segurança de Estado. Estes documentos têm de ser recuperados e os piratas destruídos. Sabendo que Macro e Cato têm a coragem e o engenho para levarem a cabo uma missão dessas, o chefe dos serviços secretos imperiais faz-lhes uma proposta que não podem recusar. Infelizmente vão trabalhar às ordens de Vitélio, um velho inimigo que desprezam e de cuja fidelidade a Roma duvidam. Os três oficiais partem de Ravena na frota imperial, mas os piratas são avisados e infligem uma pesada derrota aos romanos. Em menor número, minados por rumores de traição e fragilizados pela inépcia de um Vitélio desesperado por se redimir, Macro e Cato vão ter de operar um verdadeiro milagre para salvar as suas vidas... e evitar a destruição do Império.



Finalmente regresso à saga da Águia para o seu sexto livro. Simon Scarrow é um autor que me agrada pelo equilíbrio que consegue criar entre os momentos mais lentos e os mais rápidos. Existe nesta saga um pouco de tudo, desde bons diálogos, um enredo e trama viciantes, e batalhas bem criadas, com pormenores que nos transportam para aqueles cenários sentindo a vida dos soldados nestas páginas, quer estejam na batalha, ou no acampamento à espera do próximo momento de ação.

Sendo uma saga que foi melhorando até ao 4º livro e depois a conseguir manter esse rácio entre qualidade e capacidade de viciar o leitor com um ritmo agradável, este 6º livro começa mais lento, com menos ação e com um olhar mais atento a algumas personagens e possíveis tramas futuras. A isto junta-se um conjunto de acontecimentos que parecem algo forçados e que me fizeram ponderar se este livro seria mais fraco, sendo talvez o livro que faça a ponte para uma nova fase da saga.

Todavia, a partir de meio do livro o autor volta ao seu estilo, agarra o leitor com as suas personagens e vemos que afinal este livro não é só uma passagem, mas sim um livro que liga várias pontas soltas dos livros anteriores, o que me agradou bastante. Para tal muito contribui a relação entre Macro e Cato, que sempre foram a base desta saga e que novamente fazem a diferença. 

No entanto, o livro apresenta agora um enredo diferente dos anteriores. O autor foge da sua zona de conforto para explorar outras áreas da vida militar romana. Esta mudança agradou-me por o autor mudar os ambientes. Tal como aconteceu nos livros anteriores, Scarrow vai alternando a base enredos. Foi interessante ver como nos livros anteriores tudo começa com a ideia de que Roma é a luz no mundo e que tudo o resto é bárbaro e negro. Tal ideia foi-se alterando, observando-se o ponto de vista dos povos invadidos, sendo um dos grandes trunfos desta saga até agora. A mudança que temos agora neste livro é diferente, não sendo tão focada em ideais, mas sim no ambiente e consequente estratégia militar. 

O problema desta saga poderá ser a sua forma, onde identificar o inimigo/conspiração e vencê-lo poderá tornar-se demasiado repetitivo. A questão importante é que até agora a saga, apesar de usar uma narrativa sempre semelhante e evoluir da mesma forma a cada livro, nunca foi uma leitura que me custasse a ler. Simon Scarrow consegue proporcionar uma leitura suave e rápida num género que costuma ser denso. É adulto mas também cómico, e é, principalmente, sobre a amizade entre dois personagens e a noção de dever de cada um, principalmente na confiança entre os dois. 

Este 6º livro, continua dentro do que a saga me ofereceu até agora. Nunca é uma obra prima mas é sempre viciante de ler, levando-me a querer continuar para os próximos. É difícil uma saga que já vai com 6 livros continuar a viciar e ser consistente. Simon Scarrow consegue-o, e por isso que tem uma respeitosa legião de fãs a cada livro... Scarrow é um dos nomes a ter em conta neste género, sem dúvida. Venha o próximo! 

Luís Pinto

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

BEST PORTUGUESE BLOG 2014



No fim deste ano de 2014 recebi uma excelente notícia: a iniciativa Top Imprensa decidiu, para além de fazer uma votação para todos os leitores (na qual ganhei o prémio de Melhor blog de Literatura - uma vez mais, obrigado a todos pelos votos!), escolherem os melhores blogs do nosso país, em todos os géneros.

Tal como eles próprios indicaram, a escolha nunca poderá ser fácil porque existe muita qualidade em muitos blogs e porque os géneros são diferentes. 

Foi com grande orgulho, e também muita surpresa, que recebi a notícia de que o meu blog tinha sido considerado o melhor do país este ano, ficando, por exemplo, à frente do fantástico e muito mais famoso, Cinco Quartos de Laranja (e aproveito para enviar um beijinho à sua autora, Isabel).

Estes prémios oferecem uma sensação fantástica ao ponto de não saber o que escrever. Sente-se que alguém reconhece um trabalho que no início não era mais do que uma página para "catalogar" o que ia lendo, escrevendo o que tinha achado do livro para mais tarde recordar, e aos poucos tornou-se num espaço que me dá um enorme prazer. Com este blog conheci muitas pessoas, troquei opiniões, recebi fantásticas recomendações e sinto-me feliz quando vejo que alguém aprecia e dá valor ao que vou escrevendo.

A todos os que por aqui passam para ler, comentar ou participar em passatempos, o meu muito obrigado por ajudarem este espaço a crescer. 2014 foi um ano fantástico, recebi vários prémios, entre críticas de livros e de videojogos, e acredito que muito se deva ao facto de estar a fazer algo que gosto. Enquanto assim for, estarei por aqui a comentar mais livros.

ADRIAN MOLE - Os anos do Cappucino


Autor: Sue Townsend

Título original: Adrian Mole




Sinopse: Adrian Mole está agora na casa dos trinta, divorciado e com um filho, William. É cozinheiro num restaurante londrino e os seus pratos têm sido alvo tanto de crítica quanto de elogios. O amor da sua vida, Pandora Braithwaite, foi recém-eleita deputada do partido trabalhista. Adrian continua a amá-la loucamente mas, para seu grande desgosto, Pandora continua casada. Frustrado afetivamente, Adrian sente-se desiludido com a vida, mas uma carta vinda do passado irá mudar tudo…



Após ouvir vários amigos falarem sobre os livros de Adrian Mole que tinham lido na juventude, decidi ler este devido à oportunidade que a Editorial Presença me deu para oferecer um exemplar antes do Natal. Com um maior interesse por causa do passatempo, comecei a ler esta obra mais juvenil tendo consciência que não é o início da saga e que o próprio personagem principal já amadureceu e deixou de ser o adolescente que os meus amigos mencionam. Agora, tal como a sinopse indica, Adrien está na casa dos trinta e fiquei curioso para saber se a autora continuava a manter o ambiente juvenil nesta saga.

Não conhecendo as personagens, confesso que no início me foi difícil perceber tudo o que estava a acontecer, pois de certeza que existiram diálogos ou acontecimentos com os quais eu deveria ter feito ligações com o conhecimento que os fãs adquiriram nos anteriores livros. Eu não o consegui fazer mas a autora encarrega-se, e bem, de suavemente vincar as personalidades de cada personagem. 

O que me agradou mais foi o equilíbrio que a autora conseguiu criar entre o enredo juvenil e temas adultos (sendo o personagem principal um adulto divorciado com um filho, terão de existir temas mais adultos, mesmo que explorados de forma mais suave), levando-me a acreditar que a autora amadureceu a sua escrita pois os seus leitores também foram crescendo. O resultado final é um livro que agradará a qualquer leitor que goste deste género, qualquer que seja a idade. Da minha parte, fiquei com vontade de ler outros livros do Adrian Mole quando precisar de umas leituras mais leves. A autora apresenta sempre um bom ritmo, os temas são interessantes, existem vários momentos cómicos e gostei das personagens apesar de sentir que mal as conheço.

Os primeiros livros que li, deveria ter uns 6 anos, foram Os Cinco, e apreciei bastante como a autora foi amadurecendo a escrita e enredo durante essa saga. Aqui, com Adrian Mole, voltei a sentir aquela nostalgia de ler livros juvenis, regressar à minha infância e, acredito, que todas as crianças deveriam passar por esta fase que é ganhar o vício de ler, de folhar as páginas e querer saber o que está a seguir.

Mesmo só tendo lido este, e não conseguindo ter uma ideia global da série, acredito que o seu sucesso tem fundamento, e por isso esta é uma saga tão aclamada pelas crianças. Voltarei a este personagem daqui a uns tempos. 

Luís Pinto