quinta-feira, 6 de julho de 2017

O PORTO DAS ALMAS


Autor: Lars Kepler







Sinopse: Jasmin é uma mulher soldado do exército sueco colocada no Kosovo que vive para o filho, Dante, cujo pai é um camarada de armas, um homem instável que tenta afogar os horrores da guerra em álcool e drogas. No Kosovo, Jasmin fica gravemente ferida e, durante a hospitalização, enquanto se encontra entre a vida e a morte, a sua alma parte para uma misteriosa e sobrelotada cidade portuária, um porto de almas, de onde os que morrem jamais regressarão. Mas Jasmin é forte e consegue escapar.
Dois anos após a sua primeira experiência na cidade dos mortos, um acidente rodoviário obriga Jasmin, desta feita acompanhada pelo filho, a regressar: todavia, só ela é que consegue escapar ao porto das almas. O caso de Dante, que está à espera de uma operação, é muito mais grave, e Jasmin não pode abandoná-lo à mercê da cidade misteriosa: a sua única opção é voltar, uma vez mais, e lutar por quem ama, num jogo terrível de vida e morte no qual é provável que saia derrotada.


Lars Kepler, o famoso autor de thrillers policiais (na realidade Lars Kepler não é apenas um escritor, mas sim um casal) está de volta, mas desta vez fora do seu habitual registo. Deixando para trás as personagens já famosas dos fãs do "autor", Kepler leva-nos a viajar num enredo sobrenatural, onde filosofia, espiritualidade e metafísica estão de mãos dadas.

Sendo um livro sobrenatural sobre um porto de almas, o leitor terá de estar preparado para esta realidade e começar o livro de mente aberta. Quem procure aqui um livro ao estilo que está habituado, terá aqui um livro que poderá não gostar, principalmente se os conceitos base não forem do seu agrado.

Tirando este facto, a verdade é que Lars Kepler tem aqui um livro interessante e que, mesmo podendo não estar ao nível do suspense que nos habituou, consegue ser brutalmente viciante e crítico sobre muito da nossa sociedade, mesmo tendo em conta que esta crítica é bastante indireta. Com uma crítica bastante presente sobre a forma como vemos o mundo e também sobre o mundo que envolve a guerra sempre presente na nossa História, o autor explora o que um conflito armado faz aos soldados, as marcas que deixa. Pelo meio explora a crença ou a descrença dos mesmos, tentando tornar este livro o mais coerente possível. Todavia, este livro, baseado em mortes e guerras, acaba por ser um livro sobre amor e quais os sacrifícios que podermos enfrentar para salvar quem amamos.

No global, este é um livro muito mais emocional do que esperava, porque a relação mãe e filho está bem explorada mesmo que de forma indireta em alguns momentos. O resultado é um livro que apesar de diferente, foi bastante viciante. Certamente não terá o impacto que outros livros do autor tiveram, mas se gostarem do tema sobrenatural, dificilmente conseguirão parar de ler. Venham mais livros deste autor!

Luís Pinto

UMA MULHER DE ARMAS


Autor: Peter Heller

Título original: Celine



Título original: Celine Watkins é uma mulher excêntrica. É aristocrática mas não vive num bairro elegante e sim na base da Ponte de Brooklyn. Tem gostos requintados e considera-se uma artista mas as suas esculturas são, no mínimo, sinistras. Já não é nova e tem um enfisema pulmonar mas recusa hábitos saudáveis. Adora joias com o mesmo ardor com que admira uma bela arma.
Na verdade, a surpreendente Celine é detetive privada e possui dotes que ultrapassam até os do FBI. Motivada por segredos do seu próprio passado, é perita em localizar pessoas desaparecidas e em reunir famílias separadas.
A jovem Gabriela Lamont já não vê o pai há muitos anos. Fotógrafo de profissão, desapareceu algures na paisagem inóspita do parque nacional de Yellowstone. Foi oficialmente dado como morto, mas a história de que terá sido atacado por um urso não convence a filha. Tão-pouco convence Celine, que está fascinada pelo caso.
A cada passo que dá, torna-se cada vez mais claro que alguém quer impedi-la de remexer no passado. Mas Celine não está habituada a renunciar a um mistério, principalmente este, que envolve uma família muito mais peculiar do que parecia… 



Num registo ligeiramente diferente do normalmente usado em policiais, o autor dá-nos a conhecer uma personagem principal original e que tenta fugir a alguns clichés deste género literário. Claro que não é fácil e por vezes o autor aproxima-se bastante do esperado nestes enredos, mas consegue sempre voltar a afastar-se e criar um enredo original.

Com uma escrita bem trabalhada mas sem tornar o ritmo demasiado lento, a narrativa vai criando um choque de mentalidades entre várias personagens, que de alguma forma estão separadas, quer seja pela forma como vêem o mundo ou outras construções culturais. Com esta base, Celine torna-se numa personagem com a qual ganhamos alguma simpatia apesar de ter várias ações que podemos não concordar. 

O seu trunfo está no facto de ser uma personagem coerente, o que ajuda a que não existam muitos momentos forçados. Aos poucos o autor vai aprofundando esta personagem e a sua personalidade é o catalisador da história, porque é com as suas vivências e traumas que vamos percebendo os objetivos e o porquê de continuar a avançar.

O enredo está bem pensado, apesar de não revolucionar o género, conseguindo nunca ser demasiado óbvio. É verdade que antevi algumas das revelações, mas também é verdade que gostei da confirmação da maioria, porque são demonstrações de um autor que quer arriscar.

No entanto, globalmente este é um livro sobre a personagem principal, sendo o mistério policial a base condutora mas que também tem como maior propósito apresentar esta detective. Não sendo uma obra prima do género, a verdade é que foi um livro bastante viciante e que um fã do género irá gostar, principalmente pelas suas personagens, sendo que duas delas são claramente inesquecíveis durante muito tempo.

Se procuram um bom policial para este verão, esta é mais uma boa opção, e fiquei bastante curioso para ver onde o autor irá levar esta personagem.

Luís Pinto

terça-feira, 4 de julho de 2017

SOBREVIVE


Autor: Alexandra Oliva

Título original: The last one





Sinopse: No começo, eram doze
Quando Zoo aceitou participar num programa de televisão, ela julgava que se tratava de um reality show. Sabia que ia ser testada até aos seus limites para bater os outros onze concorrentes em provas de sobrevivência, mas achou que valeria a pena. Depois das câmaras e dos desafios voltaria para casa, para formar uma família.
Mas o jogo parece não ter fim
Conforme os concorrentes vão quebrando, física ou psicologicamente, Zoo começa a questionar-se sobre a crescente dificuldade das provas. Pouco depois, dá por si sozinha. Todos os outros concorrentes desaparecem. As cidades vazias, os cenários grotescos. Porque é que o programa não acaba?
Descobrir a verdade é o princípio
O que estará a acontecer longe do olhar das câmaras? Zoo precisa de descobrir, e, acima de tudo, precisa de encontrar o caminho para casa de forma a retomar uma vida interrompida.



Neste livro Alexandra Oliva mistura vários conceitos de algumas distopias e cria um thriller intenso e que consegue prender o leitor com facilidade. No entanto, a mistura de tantos conceitos, mesmo tendo em conta que alguns são superficiais, não é fácil, levando a que o livro demore algumas páginas a torna-se coerente.

Tal como a maioria das distopias viradas para o público adolescente, também aqui a autora tenta agarrar o leitor com várias dúvidas sobre o mundo onde a história decorre. Deixando várias pistas mas sempre com o objetivo de criar novas perguntas, a autora vai aumentando as pontas soltas, levando o leitor a tentar perceber tudo o que está a acontecer. A isto junta-se a história em si, muito focada no que um ser humano poderá fazer para sobreviver e também nos conceitos de reality shows.

A base do enredo é mesmo isso, a capacidade que temos de sobreviver, quebrando os nossos limites físicos, mentais e morais. E com isto, aos poucos, o enredo foca-se na essência do ser humano, nos extremos que consegue atingir, quer bons, quer maus. O resultado é uma narrativa forte e emocional que apresenta alguns momentos forçados mas que consegue explorar bastante bem o nosso instinto de sobrevivência que a sociedade deste livro consegue despertar.

Com um ritmo em crescendo, o livro torna-se bastante viciante e o fim está bem pensado. No entanto o enredo falha em dar respostas importantes se começarmos a questionar este mundo. Ao focar-se em algumas personagens a autora perde a capacidade de explicar de forma coerente este mundo para sustentar algumas decisões. Não é uma falha grave porque o foco do livro é a sobrevivência de algumas personagens, mas gostava de ter visto uma maior coerência do que sustenta esta narrativa.

Este é um livro bastante viciante e que explora de forma crua e direta a realidade dos reality show que se espalham pelo mundo. Os conceitos atuais de fama e o que fazemos para sermos adorados, famosos ou idolatrados estão aqui explorados com inteligência e arrepiam. É pena o livro não conseguir ser totalmente coerente ou original, mas mesmo assim é um livro bastante viciante para se ler neste verão e que tão cedo não se esquece. Claramente um livro inteligente em muito do que faz.

Luís Pinto

segunda-feira, 3 de julho de 2017

INVERNO NO PRÓXIMO ORIENTE


Autor: Annemarie Schwarzenbach





Sinopse: A 12 de outubro de 1933, na estação de comboios de Genebra, uma elegante mulher de 25 anos subiu para o do Expresso Oriente, que partia para Istambul.
Do outono de 1933 até à primavera do ano seguinte, Annemarie Schwarzenbach, jornalista e fotógrafa, formada em História na Universidade de Zurique, vai acompanhar um grupo de arqueólogos numa expedição de seis meses através da Turquia, Síria, Palestina, Iraque e Pérsia. A viagem será também para Annemarie uma forma de se afastar da Europa, onde era já visível a ascensão do nazismo.
Nesta expedição, que terminará nas margens do mar Cáspio, Annemarie vai contactar com civilizações antigas e com as realidades contemporâneas dos países por onde viajava, e esse contacto com o Oriente causar-lhe-á, nas suas palavras, «uma impressão de intemporalidade, de incerteza e de impotência».



Já se imaginaram a pegar nas vossas coisas e irem viver para uma realidade completamente diferente? Certamente muitos de vocês já o fizeram, e este livro é, na sua essência, isso mesmo: a forma como avançamos para o desconhecido, deixando para trás o que damos como garantido. O choque de culturas, o nascer ou morrer da esperança. O desconhecimentos do que para nós é bom e para outras culturas é mau.

Annemarie tem aqui um livro diferente num olhar cheio de curiosidade e esperança ao deixar para trás uma Europa que começa, lentamente, a caminhar para o seu momento mais negro. Jornalista e fotógrafa, a autora explora novas e antigas culturas, novas e antigas civilizações que por mais diferentes que possam ser, também têm muito a ensinar. 

Com uma escrita que salta entre a curiosa e entusiasmada, e a calma e com um toque de lamento, a autor conduz o leitor por uma viagem que me surpreendeu, quer pelo que me mostrou, quer pelas conclusões que acabei por tirar. Não é, obviamente, um livro para qualquer leitor, mas o seu toque de esperança sempre presente, mesmo perante o pior da humanidade, ajuda-nos a continuar.

Falar sobre isto livro, sem revelar pormenores que se revelam importantes, não é fácil. Esta foi uma leitura diferente e que me surpreendeu em alguns momentos. Um leitor atento encontrará aqui uma exploração única, aliada à crítica social e ao aprofundar do que nos torna humanos e de como crenças e sociedade nos moldam. É um livro que mistura fascínio mas também descrença. É um livro de extremos, tal como tudo aquilo que podemos ver, quando olhamos para os momentos mais negros da nossa História.

Luís Pinto

sábado, 1 de julho de 2017

PASSATEMPO: A História do mundo para pessoas com pressa


PASSATEMPO

A História do mundo para pessoas com pressa



Uma vez mais o Ler y Criticar irá oferecer um livro em parceria com a Editorial Presença, a quem desde já volto a agradecer por todos os passatempos que me disponibiliza.


Para se habilitarem a ganhar basta fazerem o habitual, responder a uma pergunta e preencher o formulário com os vossos dados.

Em breve, opinião sobre este livro!


O passatempo termina dia 11 de julho

Apenas é permitida uma participação por pessoa

Boa sorte a todos!




Sinopse: Um guia conciso mas abrangente que cobre tudo o que é necessário saber sobre os acontecimentos mais importantes da História do mundo, desde as civilizações antigas até ao final da Segunda Guerra Mundial.
Fazendo uma abordagem a todos os factos e detalhes históricos essenciais, este livro proporciona-nos uma extraordinária viagem através dos tempos, desde o império de Alexandre, o Grande, à dinastia Tang, na China, ao Iluminismo, à Guerra Civil americana, e mais além. 
A História do Mundo para Gente com Pressa é um guia precioso e indispensável sobre a história da Humanidade e que nos permite descobrir como se construiu o mundo moderno.