sexta-feira, 8 de novembro de 2019

CRIME, DISSE O LIVRO


Autor: Anthony Horowitz



Sinopse: Existem vários mistérios por resolver dentro das páginas deste livro. Tudo começa quando Susan Ryeland se senta para ler o manuscrito do autor mais vendido da editora onde trabalha. Porém, a narrativa termina abruptamente no ponto em que o detetive da história está prestes a revelar o assassino, levando por isso Susan a procurar os capítulos perdidos. Mas este é apenas o ponto de partida de um dos mistérios…
Extraordinariamente bem concebido e bem escrito, em Crime, disse o livro encontramos duas histórias que correm em paralelo, personagens interessantes e autênticas, tramas sólidas, inteligentes e bem estruturadas, várias reviravoltas e, por fim, um desenlace absolutamente surpreendente.
E se um mistério dentro de outro mistério significa o dobro da adrenalina, para os fãs do género este livro traz também prazer a dobrar. Prepare-se: vai ser difícil pousar o livro!



Houve alguma coisa, não sei explicar, que me puxou para este livro mal li a sinopse. Talvez o ambiente mais clássico que parecia estar nestas palavras, talvez o título. Para alguém como eu, que sou um grande fã de Agatha Christie, um policial clássico é sempre bem vindo, mas tem de ser bom, não basta ser apenas mais um. Este livro, posso desde já dizer, é mesmo muito bom.

O trunfo deste livro está na sua ideia base, a criação de duas narrativas paralelas que se complementam de forma muito bem conseguida. Mas a ideia por si só não chegaria, era preciso executar com mestria a criação do ambiente, do suspense e da cadência de revelações. E tudo é muito bem conseguido, sustentado numa montagem que nos empurra para os capítulos seguintes sem necessitar de impor um ritmo muito elevado. Este é realmente um policial mais clássico, mais virado para o detalhe, para a narrativa mais lenta, com diálogos inteligentes.

Olhando para as personagens, o claro destaque vai para Susan, a personagem principal, mas que não rouba a totalidade das atenções. Existem várias personagens secundárias, quer na narrativa principal, quer na secundária, que têm um grande peso e qualidade, com pequenas teias que parecem no início oferecer pouco à história principal mas que aos poucos mostram o porquê de existirem, e sempre com inteligência e objetivo. Não revelando o nome destas personagens, para não revelar a sua importância antes da leitura, o que posso dizer é que algumas me surpreenderam com revelações inesperadas, comportamento coerente e decisões importantes para o enredo.

No entanto, tal como disse no início, o trunfo está na história, no mistério que nos prende logo no início. Na fase final o livro ganha velocidade, começa a ligar as narrativas, desvenda a teia de pontas soltas e confesso que apesar de ter adivinhado um ou outro ponto, a verdade é que o livro me surpreendeu e de forma nada forçada. As revelações são coerentes, tornam o livro melhor como um todo, e se tiverem lido o livro em poucos dias, vão conseguir ligar pontos no início da leitura que no fim fazem sentido.

Este é um livro ambicioso, capaz de criar suspense e de tocar em temas importantes da sociedade sem parecer forçado ou incoerente. Com boas personagens, uma trama inteligente e revelações nos momentos certos, este livro foi um prazer do início ao fim. Não é para os leitores que procurem algo muito rápido e frenético, é sim para quem quer uma boa investigação envolta em suspense e nevoeiro, sem nunca deixar de se focar nas personagens. Um policial ao estilo clássico que é uma das melhores leituras do ano no seu estilo.

Luís Pinto

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