quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

A HORA DAS SOMBRAS


Autor: Johan Theorin

Título original: Skumtimmen




Sinopse: Numa manhã de setembro de 1972, na remota ilha de Öland, na Suécia, o pequeno Jens aventura-se na densa névoa, movido pelo desejo de explorar o mundo para além do jardim dos seus avós maternos; não regressaria mais a casa. Depois de vasculhada toda a ilha, a Polícia convence-se de que o menino terá caído ao mar e morrido afogado. Vinte anos mais tarde, a mãe, Julia, recebe uma chamada inesperada do pai, um reformado mestre de embarcações, a residir ainda em Öland, dizendo-lhe ter recebido nessa mesma manhã uma encomenda anónima com uma das sandálias que Jens calçava naquele dia fatídico.


Houve qualquer coisa nesta capa que me agradou. Apesar de o thriller policial nórdico estar na moda, o que nos indica que há muita coisa boa, mas que também as editoras podem estar a editar tudo o que se faz naquele país, decidi ler este livro porque a sinopse me pareceu interessante. Johan Theorin é um escritor conceituado, premiado e aqui tem o seu livro de estreia.

Indo diretamente ao assunto, o que mais me agradou neste livro foi o equilíbrio entre thriller policial e thriller psicológico. No fim do livro, e "fazendo bem as medidas", este é mais um profundo thriller psicológico do que um policial, e gostei da forma como o autor chega a esse equilíbrio.

É no aprofundar das personagens que este livro se torna muito bom. O autor cria personagens de grande qualidade, principalmente Julia, que lentamente puxa o enredo para os seus próprios problemas psicológicos e que mais tarde se alastram às restantes personagens. Um dos claros objetivos do autor é em criar um laço de simpatia para com esta personagem que perdeu o filho. Sentimos a sua perda, a sua dor, e a sua determinação quando a esperança renasce. E é nesta base que iremos ver as cicatrizes na mente de Julia. O quanto nos transforma perdermos um filho? Existirá algum momento em que desistimos ou existirá sempre uma ténue esperança que nos obriga a continuar e a acreditar?

É esta a base de um livro recheado de personagens que nos irão surpreender pela sua profundidade, mas principalmente pelos seus segredos, levando este enredo a não se focar apenas num acontecimento (o desaparecimento de Jens), mas também nos segredos de outras pessoas, com ligações ténues mas importantes para o final deste livro.

Theorin escreve com objetividade. Todo o seu livro parece ter bem definido o que cada página irá oferecer e nunca me pareceu que a narrativa se tivesse perdido. Pelo meio temos o fantástico ambiente que o autor cria, e que é um dos pontos altos do livro. A forma como Theorin descreve a ilha de Öland agradou-me imenso, pois o livro conseguiu transportar-me para aquele lugar gelado e sombrio, onde não existe cor, como se este ambiente nos conseguisse roubar alguma da alegria... e o livro ganha com isso, porque sentimos esse nevoeiro à nossa volta, encaixando perfeitamente no enredo. 

Não querendo alongar-me mais no enredo, devo dizer que gostei deste livro e do seu final. Enquanto policial pode ter alguns momentos que parecem forçados ou pouco coerentes, mas enquanto thriller psicológico, agradou-me bastante, porque toda a narrativa se focou não na trama em si, mas nas pessoas que a desenvolvem. Desejos, traumas, esperanças... não é o melhor thriller nórdico que já li, mas é bom o suficiente para percebermos o porquê de ter sido tão premiado. Se este é o vosso género, aqui está uma boa prenda de Natal, sombria, inteligente e calculista.

Luís Pinto

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Top Blogs Awards 2014 - votações


TOP BLOGS AWARDS 2014

VOTAÇÕES ABERTAS

Começou hoje a votação para os melhores blogues do ano, numa iniciativa Top Imprensa, e o blog Ler y Criticar está nomeado para Melhor Blog de Literatura.

Apenas se pode votar uma vez, usando um perfil do facebook e desde já convido-vos a votarem nos vossos blogues favoritos! Obrigado a todos os que votarem em mim e aproveitem para conhecer outros blogues!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Passatempo: Pack Natal Presença


PASSATEMPO

Pack Natal Presença

A Editorial Presença dá-nos a oportunidade de oferecermos um pack para este Natal, com um livro mais virado para o público adulto e outro para um público mais juvenil

Colheita
de Jim Crace

Adrian Mole - Os Anos do Cappuccino
de Sue Townsend.


Para se habilitarem a ganhar basta preencherem o formulário e responderem a uma pergunta. Vejam as sinopse dos livros!

O passatempo termina dia 21 de dezembro e apenas é permitida uma participação por pessoa.

A todos um Feliz Natal!











Colheita - Sinopse

Encontramo-nos em Inglaterra, numa aldeia tranquila onde ainda se vive ao ritmo das estações e dos trabalhos agrícolas sazonais. Num final de verão, no entanto, o novo senhor das terras e  os seus homens chegam e confiscam os terrenos comunitários para iniciar a criação de ovelhas  e a produção de lã. A desconfiança, o medo, a revolta e a violência instalam-se e, em apenas  sete dias, assistimos à dissolução de uma ordem social quase paradisíaca face ao nascimento da era industrial. Mas qualquer coisa ainda mais inquietante se insinua no coração desta história  narrada pelo único homem que fica para a contar... Walter Thirks. A prosa encantatória e poética de Jim Crace serve esta belíssima narrativa na perfeição.

«Melhor Livro de Ficção 2013», segundo o The Guardian

FINALISTA DO MAN BOOKER PRIZE E DO GOLDSMITHS PRIZE 2013


Adrian Mole - Sinopse

Adrian Mole está agora na casa dos trinta, divorciado e com um filho, William. É cozinheiro num restaurante londrino e os seus pratos têm sido alvo tanto de crítica quanto de elogios. O amor da sua vida, Pandora Braithwaite, foi recém-eleita deputada do partido trabalhista. Adrian continua a amá-la loucamente mas, para seu grande desgosto, Pandora continua casada. Frustrado afetivamente, Adrian sente-se desiludido
com a vida, mas uma carta vinda do passado irá mudar tudo...


Boa sorte a todos!




sexta-feira, 28 de novembro de 2014

MAGO - A Senhora do Império


Autor: Raymond E. Feist & Janny Wurts

Título original: Mistress of the Empire





Visto que a sinopse deste livro releva algo que não quero desvendar aqui, não a coloco nesta análise. Se gostam da saga e se estão a pensar comprar este livro, não a leiam... leiam antes o livro, que é mesmo, mas mesmo, muito bom!

Este fim da Saga do Império é um livro grande e com um ritmo inconstante, resultado de muitos momentos de ação mas também de muitas conversas políticas que "travam" o livro para que não seja possível ao leitor esquecer todos os contornos e influência da trama central neste mundo Tsurani.

O livro começa com um acontecimento marcante e que revoluciona todo o enredo. Enquanto leitor, sabemos o que está para vir após esse acontecimento, mas não percebemos como tal será alcançado, e está aí o segredo e trunfo do livro. Feist e Wurts conseguem aprofundar a teia política a um nível que eu não esperava e, se por um lado estes momentos mais políticos quebram o ritmo do livro, são também estes momentos que tornam esta obra melhor do que a maioria. 

Claro que os momentos de ação são os que mais gostamos, com as personagens a passarem por perigos, sendo levadas ao limite, mas é nos diálogos e na política que vemos a mestria do livro. Os diálogos são inteligentes, têm significados e rasteiras, e mesmo as personagens menos importantes têm algo a dizer. Neste aspeto, com o adensar da trama política, muitas personagens são introduzidas durante estas várias centenas de páginas e por vezes parece que nada oferecem ao livro, mas é falso. Cada uma tem um modesto peso na equação política final que levará este enredo para um nível superior de consistência e credibilidade. 

Um dos aspetos que mais gostei foi o adensar da liderança imposta a este povo. O livro leva-nos a perceber os poucos aspetos que ainda não tínhamos observado. A forma como o povo é controlado era algo que ainda não tinha sido explorada nesta saga, mas agora temos aqui todas as respostas. Para isso, várias personagens já conhecidas regressam, outras desaparecem, mas no fim a sensação é a de compreensão sobre um povo oprimido e levado pela guerra. As comparações entre povo Tsurani e os muitos povos que conhecemos na História da nossa humanidade são inevitáveis, levando-nos a compreender melhor como um povo se pode resignar porque não conhece melhor, mas esta mistura de culturas está aqui muito bem conseguida, sem parecer forçada.

A religião, a honra e resignação, misturadas com o sacrifício das personagens mais principais, levam-nos a identificar uma mistura de várias culturas que já conhecemos, e que Feist aqui organiza de forma invejável, criando um jogo político que catalisa todo o enredo.

Não me é fácil falar deste livro sem revelar momentos deste ou dos anteriores momentos da saga. Mara é uma personagem muito bem criada e com a qual ganhamos uma ligação durante todas estas páginas. O final da saga, sempre importante para o que fica na nossa memória, é muito melhor do que eu estava à espera. Surpreendeu-me, marcou-me e fez-me pensar, mas, acima de tudo, foi coerente e inteligente. Esta Saga do Império é uma das melhores sagas de fantasia que já li. Pode não ser das mais entusiasmantes mas tem um fantástico mundo onde se desenrola e no global tem uma qualidade inegável, bem demonstrada nas notas muito altas que apresenta no Goodreads. Grandes personagens, grandes momentos, muito coerente e no final temos um dos olhar mais profundos e inteligentes a uma das melhores sociedades que já li. Se, ao ler a saga inicial de O Mago, tinha ficado com a sensação que o mundo Tsurani era fantástico, agora tenho a confirmação. Mesmo muito bom e totalmente recomendado, principalmente se a lerem de seguida!  

Luís Pinto




quarta-feira, 26 de novembro de 2014

QUANDO A NEVE CAI


Autores: John Green, Maureen Johnson, Lauren Myracle

Título original: Let it snow






Sinopse: Numa cidade isolada por uma das maiores tempestades de neve dos últimos cinquenta anos, três histórias, oito raparigas e rapazes e mais uns quantos caminhos vão cruzar-se num romance brilhante, mágico e divertido, a que não faltarão fragmentos de amor, laços de amizade, uma maratona de filmes do James Bond e beijos muito apaixonados.
Um livro perfeito para quem gosta de histórias de amor e aventura.



Três autores escrevem três pequenas histórias passadas no mesmo dia, na mesma localização. Três histórias que se completam, uma após a outra, dando significado e enaltecendo a magia do Natal.

O Natal é uma época diferente. Para muitas pessoas é mágica, porque as família se juntam à mesma mesa, histórias são contadas, matam-se saudades... trocam-se prendas, sejam elas físicas ou não. O Natal sempre teve um grande impacto em mim e alguma dessa magia está neste livro. De um ponto de vista crítico, este livro recomenda-se pela sua originalidade e montagem das três histórias. As pontas soltas que cada narrativa deixa, são explicadas na história seguinte, oferecendo uma sensação de continuidade, mudando apenas a forma de escrita do autor e o ponto de vista que narra a história.

Não é uma obra prima, as suas personagens não são marcantes, nem o enredo é surpreendente... mas tem a magia do Natal e é isso que torna este livro especial. É aquela capacidade de nos transportar para um tempo e espaço no qual sentimos o Natal à nossa volta, e nada o consegue melhor do que um livro.

Não querendo analisar cada uma das histórias de forma separada, existiram, obviamente, personagens que me cativaram mais. O conto de John Green, o segundo do livro, é talvez o mais importante e também o melhor. A história que oferece tem muito mais do que se vê à primeira vista e isso agradou-me, pois em alguns momentos torna-se mais do que um suave romance natalício, para indiretamente nos levar a pensar sobre outros assuntos também ligados a esta época. Existe uma mensagem escondida que vale a pena descobrir e que encaixa com a primeira história. Todavia, é o último conto que junta todas as peças, e apesar de ser o mais fraco dos três, é aquele que explica como cada uma das histórias acaba, novamente, repleto da magia do Natal, oferecendo um sorriso aos leitores.

Não quero retirar aos leitores o prazer de lerem este livro com algumas revelações na minha análise. Enquanto conteúdo puro, este não é um livro fantástico, mas enquanto livro sobre a época natalícia, acho que nunca li um tão agradável dentro do seu estilo de romance adolescente. Principalmente recomendado a adolescentes, mas capaz de alegrar o espírito a qualquer adulto que goste do Natal, esta foi uma leitura rápida e alegre, levando-me a recordar também como eu via o Natal quando era um adolescente. Existe um espírito de amor e amizade que facilmente sai das palavras destes três autores e que tornam a leitura num daqueles casos em que, mais cedo ou mais tarde, voltaremos a ler as suas histórias. Se já estão desejosos que chegue o Natal, este livro será uma boa companhia, sem dúvida!  

Luís Pinto