sábado, 22 de março de 2014

A PSICOLOGIA DO AMOR


Autor: Irvin D. Yalom

Título original: Love's Executioner



Em 2013 este autor espantou-me com o fantástico "A cura de Schopenhauer", que considerei o melhor livro que li nesse ano. Agora este "A psicologia do Amor" promete lutar por esse "prémio" no fim do ano. Ainda só estamos em Março e a pergunta é: irei, até ao fim do ano, ler um livro melhor do que este?

A evolução que a humanidade tem assistido ao nível do conhecimento é incrível. A cada instante há algo mais que descobrimos, que verificamos, que compreendemos. Provavelmente, um dia o nosso conhecimento, sobre nós e o que nos rodeia neste universo, será bastante vasto... mas acredito que nunca iremos perceber o que é o amor.

O amor, seja ele o que for, é "aquilo" que faz o nosso cérebro descontrolar-se. É o que nos faz sonhar e encontrar forças onde não existem. É o que nos faz voar, mas também cair. É o que nos faz levantar, mas também desistir. O amor é o essencial, é o invisível, e é a razão por cima de qualquer razão. É isto, e muito mais. É aquilo que já foi dito, e aquilo que se dirá. Yalom não tem como objetivo definir o amor nem compreender de forma científica o que acontece no nosso cérebro para que todos aqueles neurónios comecem a trabalhar de forma diferente e imprevisível. O que Yalom mostra no seu livro é o que o amor nos pode dar ou tirar, e como devemos enfrentar tudo o que daí advém.

Com este livro, Yalom mostra-nos dez casos de pacientes seus, e é perturbador os diferentes problemas que este homem irá enfrentar, tentando ajudar aqueles que no início são sempre desconhecidos. Esta obra é, ao mesmo tempo, um grito de esperança e uma imagem aterradora do que o amor nos pode fazer. Explorando estas dez histórias, Yalom toca em vários temas diferentes que são a base de cada caso, passando pelo luto do qual não se consegue sair, a insegurança que nos afasta de quem amamos ou o desespero de não conseguirmos esquecer quem nos deixou.

Com uma escrita objetiva e acessível, Yalom desvenda bastante sobre a relação que tem com os seus pacientes e a forma como estrutura a sua aproximação, sendo essencial conseguir descobrir se o paciente está realmente disposto a ser ajudado e, mais importante, se acredita que o poderá ser. Aliás, olhando para estes dez casos como um todo, acredito que a grande mensagem que este livro nos deixa é que somos nós a peça principal para nos curarmos. Somos nós quem deve dar o primeiro passo para melhorar e acreditar que tal é possível, e só assim alcançaremos o sucesso.  

É curioso como nos ligamos rapidamente as estes casos, sentido alguma da dor destas pessoas e ganhando uma preocupação, que é a mesma de Yalom, e o autor consegue passá-la facilmente ao leitor, principalmente porque sentimos que estamos a ler algo real, algo que já aconteceu e voltará a acontecer com outras pessoas. O amor tem os seus riscos, tal como tudo, e saber enfrentá-lo, para o bem ou para o mal, é um dos objetivos deste livro. Em vários aspetos, este é um dos livros mais fascinante que já li, e fazer uma análise mais profunda sobre cada caso só iria estragar a surpresa que os leitores devem ter. No entanto, esta é uma obra tão rica em relação a ideias sobre amor e relações, que poderia estar várias horas a escrever sobre ele. E são estas visões singulares, que cada paciente tem, em oposição às de Yalom, que devem ser lidas e analisadas, pois este é um livro que pede para ser estudado e interiorizado. 

Não querendo alongar-me mais nesta análise, devo concluir dizendo que este livro é fantástico ao ponto de o recomendar a todos os leitores que, de alguma forma, estejam interessados no tema. Yalom oferece-nos um livro que deve ser lido e relido alguns anos depois, e acredito que continue a ser fascinante e, provavelmente, interpretado de forma diferente. No fim do ano estará, certamente, no topo dos melhores que li em 2014 e acabo esta crítica acreditando que qualquer coisa que escreva, não demonstra, nem de perto, a qualidade do livro, porque o amor é algo que cada um de nós irá sentir de maneira diferente. Irá levar-nos por caminhos únicos e faz-nos rir ou chorar de formas que nunca antes tínhamos feito, e Yalom dá-nos uma visão impressionante com estes dez casos. Totalmente recomendado.

Luís Pinto




6 comentários:

  1. Uma das análises mais fixes que te vi fazer. Estou a ver que tenho mesmo de ler este livro. Não esperava uma opinião tão boa.

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  2. Nádia Correiamarço 23, 2014

    Estou fascinada com esta análise pois nem conhecia o livro mas fiquei mesmo muito curiosa e cheia de vontade de ler. O problema é a carteira que não me deixa :)

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  3. Parabéns pela crítica. Mesmo muito boa. Li este livro o ano passado e é o único que conheço do autor. É realmente uma leitura fascinante e a tua opinião está perfeita sem revelares o que de melhor têm estas histórias.

    Abraço

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  4. Carla Arrojomarço 25, 2014

    Mais uma excelente crítica, Luís. Parabéns.

    Nunca li este autor mas já me obrigaste a colocar vários dos seus livros na lista para a próxima feira dos livros. Beijinhos e boas leituras. Continua com o excelente trabalho.

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  5. Convencido. Grande Crítica. Do Yalom li o Cura depois de falar contigo por mail sobre este livro e fiquei fascinado. Recomendo.

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  6. Isabel Palmajaneiro 05, 2015

    Por ter gostado da sua critica, Li o Livro e Gostei. Sugiro-lhe um livro bem pequeno de um psiquiatra português , Joaquim Quintino Aires: " O Amor é uma Carta Fechada". Funciona numa linha semelhante ... é enriquecedor... deixo a critica para si.

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