terça-feira, 3 de janeiro de 2012

CLUBE DE COMBATE


Autor: Chuck Palahniuk

Título original: Fight Club


A primeira regra do Clube de Combate é: não falar do Clube de Combate.
A segunda regra do Clube de Combate é: não falar do Clube de Combate.

Todos nós temos filmes que nos marcam. Eu também tenho alguns como Se7en, Os Condenados de Shawshank, Inception, A Lista de Schindler, Uma Mente Brilhante ou ainda The Prestige (adaptação do livro que já comentei aqui), entre muitos outros. Mas há um filme que me marcou mais do que qualquer outro, o meu preferido, Clube de Combate. Quantas vezes vi o filme? Não sei, muitas. Adorei de tal forma o filme que sempre tive o medo da desilusão em relação a ler o livro. Mas um dia tive de arriscar.

Numa linha temporal suficientemente longa, a taxa de sobrevivência de toda a gente cai para zero.

Clube de Combate é daqueles livros que nos fazem pensar, que nos fazem rir enquanto o autor nos está a esmurrar com a sua análise. Narrado de forma crítica, forte, irónica, Palahniuk escreveu algo completamente diferente do que costumo ler, na realidade nunca li nada parecido, mas desde o início o livro agarrou-me e não consegui parar, algo espantoso para quem conhece o filme de forma tão profunda quanto eu.



O narrador, personagem fantástica, mostra-nos a sua transformação de consumista e resignado até se tornar num “discípulo” de Tyler Durden, e tal jornada é uma lição de vida, crua, dura. Claro que a filosofia de Tyler não será certamente do agrado de todos, não é isso que está em causa, o que realmente importa é como essa filosofia é importante no livro, como encaixa perfeitamente e nos embala por acontecimentos que deixam qualquer um de boca aberta. Preparem-se para uma viagem única.

Este livro, tal como o filme, vive da ligação entre o narrador e Tyler, tal como o mundo vive da relação produtor/consumidor. Tyler produz e o narrador consome… o narrador, um homem que não consegue dormir, olha para Tyler, e para a sua forma de viver, e consegue definitivamente fugir do que o consumia, desligando-se de tudo, conseguindo dormir. A forma como o narrador olha para Tyler está sempre presente na sua escrita, como o admira e o porquê de desejar ser como ele: forte, decidido, admirado, livre. Tudo isto enquanto nós não percebemos se Tyler é um Herói ou Vilão. Será possível ser ambos no mundo em que vivemos?
Só quando perdemos tudo, somos realmente livres para fazer tudo. Primeiro temos de perceber, não recear, perceber, que um dia, iremos morrer.
E o Tyler liberta as pessoas...

A tua vida é isto e está a chegar ao fim, um minuto de cada vez.

Palahniuk consegue ainda criar uma forte crítica à sociedade, ao que a movimenta de forma global, e ainda aponta o dedo à mentalidade consumista e resignada das pessoas. Nós vemos as desgraças de outras pessoa e preocupamo-nos, mas apenas uns segundos, depois esquecemos. O que realmente nos importa é carros desportivos, ter televisão com centenas de canais, é ter abdominais definidos, casa com piscina… Tudo o que nos rodeia podia ser tão melhor... mas quantos trabalham para isso?

A publicidade faz com que esta gente ande atrás de carros e de roupas de que não precisa. Gerações inteiras têm estado a trabalhar em empregos que odeiam só para poderem comprar aquilo de que, na realidade, não precisam nada.

A forma como o narrador se liberta do mundo, que o observa com olhos depreciativos, passa por várias etapas e uma delas é no mínimo angustiante se realmente pensarmos sobre ela.  O narrador percebe que numa conversa, a pessoa apenas te ouve verdadeiramente, com toda a atenção, se achar que estás a morrer. Nessa altura, perante a morte, tudo deixa de ser importante e as pessoas ouvem-te e querem ajudar.Talvez nessa altura seja tarde demais...
Ele sabe isso porque o Tyler também o sabe.

Este não é um livro para se simplesmente ler. Esta obra pede-nos para pensarmos, para decidirmos, tomarmos uma posição tal como a toma a personagem Hessel que quer ser veterinário (quem já leu ou viu, sabe do que falo). Pede-nos para sermos algo mais, para não irmos atrás do que consideramos a perfeição intelectual ou visual, para não nos limitarmos a ouvir e acreditar, a votar de olhos fechados, a querermos apenas ser famosos como se tal fosse a única concretização pessoal possível. Para não nos agarrarmos ao que não precisamos. Há algo muito mais importante, e não pode ser comprado.

…as coisas que dantes possuías, agora possuem-te a ti.

Para finalizar, o livro não foi uma desilusão, foi antes um dos melhores que alguma vez li. Um dos meus favoritos. O facto de já conhecer o filme destrói algumas surpresas, mas tal facto é compensado com outros pormenores que este livro nos dá e que não aparecem na adaptação. Os desenvolvimentos estão muito idênticos e conseguimos identificar as situações entre as duas obras, e como tal torna-se impossível não visualizar Brad Pitt a dar-te as boas vindas ao Clube de Combate. Há obviamente algumas diferenças, mas sem que se destrua o significado do que está a acontecer. O final é diferente na adaptação, e aqui o significado também, mas até neste ponto não consigo perceber qual gostei mais.
Resumindo: um livro essencial a qualquer um, seja qual for a filosofia de vida. Personagens fantásticas, uma história diferente de tudo. Uma mensagem a cada capítulo, um livro para reler. Se tiver em conta que se trata de um livro que está à venda por 5 euros, então foi a melhor compra literária que alguma vez fiz. 

E porquê? Porque no Tyler nós confiamos...

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

ANO DE 2011

Chegamos ao fim de 2011 e é sempre bom fazer um pequeno "apanhado" do que se leu. 

Apesar de ter escrito, nestes seis meses de blog, cerca de 60 opiniões literárias, a verdade é que apenas terei lido em 2011 metade desses livros, sendo que a outra metade foi lida nos anos anteriores. Tal facto não ajuda muito a tentar escolher o que melhor li este ano e ainda menos a escolher o melhor livro que li publicado em 2011, porque a verdade é que são poucos. Porquê? Porque raramente compro livros quando são publicados, sendo tal uma questão financeira, acabando na maioria das vezes por ler livros que foram publicados em anos anteriores.

Sendo assim vou indicar livros que li este ano, tanto os que foram publicados este ano, como em outros.

Este ano dediquei-me muito mais à Fantasia e à Ficção-Científica do que por exemplo aos romances de Espionagem, outro género que gosto bastante e do qual já li muito. Sendo assim conheci muitos autores novos enquanto continuava outras sagas. A saga de George R. R Martin continuou a ocupar muito do meu tempo e como é óbvio o seu livro A Glória dos Traidores foi o melhor que li na fantasia este ano. Os livros seguintes na saga, que também li este ano, não estiveram ao mesmo nível de revelações e foram prejudicados pela "separação" entre Norte e Sul (isto apesar de achar que foi um acto que sendo discutível, foi muito bem conseguido). 

Já o A Dança dos Dragões apresentou-se como o grande lançamento deste ano (muito graças a dois factores: a enorme espera de mais ou menos 5 anos, e ao lançamento da série que apresentou uma qualidade assinalável) e apesar de não estar ao nível do que desejamos, o futuro promete e muito. É impossível esquecer o Cheirete. É uma série impossível de perder, e está tudo lançado para em Os Reinos do Caos se acelerar para o fim da saga, o final mais esperado actualmente, esperemos apenas que não demore uma década.
Outro escritor que não conhecia e que mostrou um trabalho que deve ser assinalado é Dan Simmons. Se a história O Terror poderá agradar mais a uns do que a outros, já ao trabalho de investigação e tipo de escrita ninguém poderá ficar indiferente, e como tal fiquei ainda com mais vontade de um dia ler a saga Hyperion.  
O escritor que mais me surpreendeu este ano foi David Soares, não conhecia o seu trabalho e fiquei muito agradado com O Evangelho do Enforcado e ainda mais com Batalha. Continuarei a ler o seu trabalho.

Existiram ainda outros livros que gostei bastante de ler e que foram agradáveis surpresas, como Expiação e A Balada do Café Triste, sendo que este último foi publicado este ano.
Este foi ainda o ano em que li finalmente Duna, simplesmente fantástico, depois de muitos anos de espera, e continuei com a saga O Mago, com o terceiro livro Espinho de Prata e asseguro-vos: o quarto e último livro da saga é um dos que mais espero para o próximo ano.

Realço ainda a qualidade do livro Os anos de Ouro da Pulp Fiction Portuguesa, muito bom! e ainda o primeiro livro que li (reli) este ano, Ratos e Homens, um livro simplesmente genial!e o avassalador A Estrada. Forte, duro. excelente leitura.

2012 promete ser um ano com excelentes leituras:

encontrou-me neste momento a ler As Mentiras de Locke Lamora e estou a gostar muito!
Está para chegar Os Reinos do Caos e ainda o último Mago
Espero ler mais um livro da saga Kushiel
Quero iniciar-me na trilogia de Stieg Larsson
Vou ainda dar uma vista de olhos à saga Jóias Negras de Anne Bishop
Tentar ler A Toupeira de John le Carré
Tentar continuar com a saga Ender, da qual já li O Jogo Final
Reler uns clássicos
Ver aonde me leva Durham com o seu Acácia
ler (finalmente!) As Brumas de Avalon
e muitos, muitos outros livros...

Se conseguirei ler todos estes livros em 2012 dependerá apenas de dois factores: finanças e tempo. No entanto prometo que continuarei a escrever aqui as minhas opiniões, tanto do que irei ler, como de muitos outros livros que já li e ainda não tive tempo de dar uma opinião sincera.

Uma vez mais obrigado a todos os que me apoiaram, aos que visitaram este espaço, aos que comentaram, aos que divulgaram, aos que me ofereceram os livros que li e irei ler, etc...

E vocês o que esperam ler no próximo ano?

Feliz 2012! e excelentes leituras!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

FELIZ NATAL!

Desejo a todos um Feliz Natal cheio de alegria, saúde e todas as outras coisas que são essenciais a cada um! 
E já agora, muitos livrinhos no sapatinho!


FELIZ NATAL

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O PRINCIPEZINHO


Autor: Antoine de Saint-Exupéry

Título original: Le Petit Prince



Este é o livro que todos devem ler. Mesmo aqueles que não gostam de o fazer. E porquê? Porque este livro não é apenas um livro, não são apenas palavras escritas, misturadas ao gosto do autor. Este livro é uma gigantesca lição de vida. É isto que torna este livro imortal, um membro de um grupo restrito de obras que perdurarão muito para além da vida do seu autor.

 Ao início vemos um livro leve, pequeno, poucas palavras… mas todas elas são algo mais do que isso, são lições enigmáticas para as crianças que as lerem. São para os adultos lições que deveriam ser desnecessárias. Mas todas elas verdadeiras, que nos fazem questionar porque nunca estamos satisfeitos, porque queremos algo que não precisamos. O essencial não tem de ser comprado… o essencial é invisível para os olhos.
Este livro faz-nos pensar. Cada página, cada capítulo, por mais pequeno que seja, tem o seu significado. Sim, o essencial é mesmo invisível. Aquilo que sentimos, aquilo sem o qual não conseguimos viver e que normalmente só sentimos verdadeiramente quando perdemos. A grande generalidade do Ser Humano é assim, sem capacidade de expressar o amor que sente. Mostrar ódio é tão mais fácil e a ironia é o facto de conseguirmos viver sem ele, mas nunca sem amor.  Afastamo-nos tantas vezes do que nos dá prazer, tal como o homem que nesta história deseja não voltar a ter sede para não ter de beber água, sem perceber que beber com sede é um prazer ao qual ele foge. Mas porque fugimos nós dos nossos prazeres? Porque perdemos a ingenuidade de criança onde existem menos barreiras? São os preconceitos? É a sociedade que nos molda? Afinal o que nos rouba a capacidade de abraçarmos quem queremos, de dizer o que sentimos, o que realmente é importante e essencial? Todos nós já sentimos que deveríamos ser algo mais, deveríamos ter dado mais um abraço ao nosso pai, à nossa mãe, à pessoa com quem casamos ou namoramos, sem os quais não conseguimos viver…  ser criança é mais fácil, mais verdadeiro. Devíamos ser crianças mais tempo para abraçarmos mais vezes quem amamos…

O Principezinho passa por todas estas questões. A relação com a sua flor é tudo isto que mencionei. A flor que deseja ser admirada, não pede a amizade do rapazito, ao contrário da raposa que apenas deseja ser amada. Não, a flor quer algo que não se pede, porque se for pedido, não será verdadeiro. O Principezinho percebe tarde demais que há muito que gosta da flor. Ela é importante! Apenas quando não a pode proteger o rapaz sente esse sentimento invisível e aos poucos deseja que tivesse feito algo mais. Todos o desejamos um dia...
O homem que cria laços acabará sempre por chorar, irá sempre sofrer um dia, mas desde quando é que isso nos deve impedir?
A flor acaba por ser amada, talvez sempre o tenha sido, mas não o sentiu, não completamente, como ela o desejava, à sua maneira. O Principezinho demonstra-o de forma diferente. E isto acontece diariamente no nosso mundo. Cada pessoa demonstra, mais ou menos, o que sente, mas por vezes quem é amado não o percebe, não recebe a mensagem. Mas se aqueles que verdadeiramente amamos não o sabem, então quem saberá?

A história do Principezinho é uma bela viagem por vários planetas, onde se encontram personagens distintas. Todos eles são o autor principal de uma nova lição, e cada leitor acabará por retirar as suas conclusões, tal como o Principezinho o faz e também ele evolui... e se passamos a vida a caminhar, quantas vezes sabemos para onde vamos? O Principezinho também aprende a escolher o seu caminho e a escrita fácil de Saint-Exupéry leva-nos sem esforço nesta viagem.
Este rapazito tem um bocadinho de cada um de nós. Teimoso, curioso, talvez apenas sozinho… por vezes preocupado, por vezes descontraído. É impossível não sentir afecto por esta personagem, e por vezes até sofremos com as suas palavras, pois estão cheias de sentimento. Estão cheias de algo invisível.
Este livro é para mim do melhor que já li. Como é que um livro tão pequeno pode ter tanto para dizer? Não o deixem ficar na estante. Recomendo-o a todos, seja qual for a idade, mesmo àqueles que não costumam ler. Leiam este livro lentamente, tentem “arranjar” um significado para cada página, e no fim sentirão uma satisfação que poucos livros podem oferecer. Depois de o lerem, uns anos mais tarde, repitam a leitura. Terá certamente novos significados, porque nós mudamos, e estamos sempre prontos a aprender algo novo, com significados distintos, consoante as nossas vivências.
Obrigatório.
 Inesquecível.
Obra-prima.
O mais triste não é existirem pessoas que não leram este livro. O triste é todos aqueles que o leram, terem esquecido o que aprenderam nestas palavras.

Os homens deixaram de ter tempo para conhecer o que quer que seja, compram as coisas já feitas aos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens deixaram de ter amigos

Só se pode exigir a uma pessoa o que essa pessoa pode dar.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Blog: 6 meses!

Hoje o Blog Ler y Criticar faz os seus primeiros seis meses de "vida".

Começou tudo sem grande planeamento, sem saber o que deveria escrever, sobre que livros falar, o próprio nome do Blog não foi muito pensado. Foi a primeira "coisa" que saiu e que ainda não existia neste enorme universo de blogs literários. Porque o fiz? Porque gostava de seguir o Blog Estante de Livros e achei que podia, esporadicamente escrever sobre alguns livros. Mesmo que ninguém lesse, ao menos eu teria para sempre as minhas opiniões aos muitos livros que leio.

Hoje o meu blog já é mais do que estava à espera de alcançar. 19 mil visitas, 183 fãs no Facebook, 92 seguidores, 500 comentários. Serão certamente números insignificantes para outros blogs, mas para mim já é algo que me faça continuar a escrever!

Para que fique registado e um dia eu possa recordar, fica aqui a curiosidade de o meu post mais visitado ser o texto que escrevi: O Senhor dos Anéis vs A Guerra dos Tronos, seguido de muito perto pelo passatempo A Dança dos Dragões.
Um agradecimento especial à Editora Saída de Emergência por colaborar comigo em dois passatempos até agora, tornando este blog muito mais "visível". 

Um agradecimento ainda a todos os que visitam este meu espaço, aos que comentam, aos que divulgam! Espero que continuem a aparecer! Eu continuarei a dar a minha mais sincera opinião sobre os livros que vou lendo!

Obrigado a todos e até já!