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segunda-feira, 11 de junho de 2018

O CAÇADOR


Autor: Lars Kepler

Título original: Kaninjägaren



Sinopse: A noite tinha acabado de cair, quando Sofia entra numa mansão nos arredores de Estocolmo, onde o seu cliente - um homem muito abastado que nunca viu - a espera. Talvez seja por isso que Sofia avança furtivamente, como um animal selvagem. Enquanto atravessa o grande salão, tentando memorizar todos os detalhes, Sofia não imagina quem é o homem que a escolheu para aquela noite. Nem ele imagina que dentro em breve se encontrará frente a frente com um assassino implacável e meticuloso, que não deixa vestígios nem pistas.
Limitar o círculo de eventuais alvos torna-se um verdadeiro pesadelo para a Polícia, embora na mira se encontrem personalidades proeminentes do país. E, para tentar resolver o mistério, a Polícia terá de contar com a ajuda do ex-comissário Joona Linna, há dois anos a cumprir pena na prisão de alta segurança de Kumla. Infiltrado e trabalhando em estreita parceria com a agente especial Saga Bauer, Joona Linna tudo fará para travar «o caçador» antes que seja tarde de mais ou que o caçador os cace a eles…



Um dos mais famosos nomes dos policiais está de volta, Lars Kepler. Uma vez mais, o livro foca-se em Joona, o já famoso personagem da saga que tem ganho fãs por todo o mundo.

Este é, tal como os livros anteriores, um livro que vai aumentando a intensidade durante a leitura. A narrativa é feita para nos deixar sempre com dúvidas e para criarmos a nossa investigação, com pontas soltas dispersas que aumentam a necessidade de ler. Para quem já tenha lido alguns livros de Kepler, poderá encontrar os mesmos erros que nos livros anteriores, principalmente na forma como força certas incertezas ao cortar a narrativa no momento em que algumas perguntas deveriam ser feitas. Este é um truque bastante usado pelos escritores, e Kepler não foge à regra. O enredo é bem construído, mas, novamente, sinto que existem aqui saltos que não fazem sentido, sendo apenas feitos para obrigar o leitor a continuar a ler.

Pelo meio, continuo a gostar bastante da personagem principal. Joona tem crescido e sido aprofundado a cada livro, sendo o grande trunfo do enredo, principalmente pela forma como encara certas situações e como o próprio enredo encaixa na sua personalidade. O livro é feito para ele, e tal nota-se com facilidade.

Um dos aspetos mais positivo deste livro é o seu ritmo, apesar de por vezes não ajudar à qualidade do enredo. Kepler cria uma narrativa intensa e que nos obriga a continuar a ler e com isso alguns momentos são forçados, outros são mal explicados e outros são surpreendentes, levando-nos a continuar. E é assim que este livro avança, de forma frenética, viciante, mas com alguns erros. Aliás, Kepler sempre teve erros em todos os seus livros, afastando-os da qualidade de livros de culto e obras primas, mas também sempre conseguiu ser intenso e viciante o suficiente para criar a legião de fãs que tem por todo o mundo. O que quero dizer com isto é que se gostam de Kepler, aqui está mais um livro que irão apreciar bastante, com algumas reviravoltas interessantes, mas também é verdade que alguns momentos do livro são forçados para não nos darem tempo para questionar algo que na realidade não está bem.

Se gostam de Lars Kepler, então este livro é para vocês, pois tem todos os ingredientes que tornaram esta saga famosa, e que, provavelmente, não acabará por aqui.

Luís Pinto


quarta-feira, 6 de setembro de 2017

O EXECUTOR


Autor: Lars Kepler

Título original: Nightmare





Sinopse: Uma mulher aparece misteriosamente morta numa embarcação de recreio ao largo do arquipélago de Estocolmo. O seu corpo está seco, mas a autópsia revela que os pulmões estão cheios de água. No dia seguinte, Carl Palmcrona, director-geral de Armamento e Infraestruturas de Defesa da Suécia, é encontrado enforcado em casa. O corpo parece flutuar ao som de uma enigmática música de violino que ecoa por todo o apartamento.
Chamado ao local, o comissário da polícia Joona Lina sabe que na sua profissão não se pode deixar enganar pelas aparências e que um presumível suicídio não é razão suficiente para fechar o caso. Haverá possibilidade de estes dois casos estarem relacionados? O que poderia unir duas pessoas que aparentemente não se conheciam?



Lars Kepler é um dos grandes nomes da literatura policial atual. Depois do enorme sucesso que teve com O Hipnotista, a saga continua neste O Executor e, apesar de as comparações acontecerem mesmo sem tentarmos, este livro difere bastante do livro anterior.

Em primeiro lugar estamos perante um livro muito mais violento em termos gráficos. A narrativa explora em detalhe o que aconteceu em cada caso, explorando momentos gráficos que poderão não agradar tanto a alguns leitores, mas que servem para envolver o leitor ainda mais num enredo que desde o início nos agarra.

Neste livro, Lars Kepler (que na realidade são dois escritores) volta a demonstrar os seus trunfos mas também as suas falhas. Por um lado estamos perante um autor que consegue criar um ritmo narrativo bastante interessante e com intensidade, levando o leitor a continuar a ler sem parar. A isto junta-lhe uma boa exploração de cenários fortes e, neste caso, uma boa trama política e moral com grande foco na corrupção. No entanto, as suas falhas continuam a aparecer em várias páginas. Ao dar primazia ao ritmo e intensidade, o livro falha por em alguns momentos os seus personagens não tirarem conclusões lógicas e que fariam avançar o enredo de forma mais conclusiva, mas talvez menos intensa. A questão é que o autor força em vários momentos para que o suspense se mantenha vivo, e ficamos a perguntar "mas porque é que o personagem X aqui não se lembro de fazer Y, tornando tudo muito mais simples". O resultado é estarmos perante um personagem principal que demonstra ser inteligente mas que em alguns momentos não tira conclusões óbvias e que iriam diminuir o número de possibilidades e suspeitos.

Tirando estes momentos em que o autor claramente força, o livro ganha bastante pela forma como está montado, apesar de por vezes estranhar o foco que se deu a uns acontecimentos e não a outros. No entanto, a base está bem conseguida, principalmente pela forma como a narrativa nos leva a questionar a existência de corrupção a cada esquina.

Outro aspeto bastante positivo neste livro é o facto de Joona, o personagem principal, ter aqui muito mais tempo de antena, sendo mais fácil ao leitor conhecê-lo e perceber os seus motivos. Com isso cria-se uma ligação interessante quer se goste ou não do personagem. 

Olhando globalmente este livro, estamos perante um livro que em vários aspetos é melhor do que o anterior. É mais coeso e coerente apesar de continuar a ter momentos forçados. A trama é boa e inteligente, e agradará aos fãs do género. Não é uma obra prima no género, mas é uma leitura bastante compulsiva.

Luís Pinto


quinta-feira, 6 de julho de 2017

O PORTO DAS ALMAS


Autor: Lars Kepler







Sinopse: Jasmin é uma mulher soldado do exército sueco colocada no Kosovo que vive para o filho, Dante, cujo pai é um camarada de armas, um homem instável que tenta afogar os horrores da guerra em álcool e drogas. No Kosovo, Jasmin fica gravemente ferida e, durante a hospitalização, enquanto se encontra entre a vida e a morte, a sua alma parte para uma misteriosa e sobrelotada cidade portuária, um porto de almas, de onde os que morrem jamais regressarão. Mas Jasmin é forte e consegue escapar.
Dois anos após a sua primeira experiência na cidade dos mortos, um acidente rodoviário obriga Jasmin, desta feita acompanhada pelo filho, a regressar: todavia, só ela é que consegue escapar ao porto das almas. O caso de Dante, que está à espera de uma operação, é muito mais grave, e Jasmin não pode abandoná-lo à mercê da cidade misteriosa: a sua única opção é voltar, uma vez mais, e lutar por quem ama, num jogo terrível de vida e morte no qual é provável que saia derrotada.


Lars Kepler, o famoso autor de thrillers policiais (na realidade Lars Kepler não é apenas um escritor, mas sim um casal) está de volta, mas desta vez fora do seu habitual registo. Deixando para trás as personagens já famosas dos fãs do "autor", Kepler leva-nos a viajar num enredo sobrenatural, onde filosofia, espiritualidade e metafísica estão de mãos dadas.

Sendo um livro sobrenatural sobre um porto de almas, o leitor terá de estar preparado para esta realidade e começar o livro de mente aberta. Quem procure aqui um livro ao estilo que está habituado, terá aqui um livro que poderá não gostar, principalmente se os conceitos base não forem do seu agrado.

Tirando este facto, a verdade é que Lars Kepler tem aqui um livro interessante e que, mesmo podendo não estar ao nível do suspense que nos habituou, consegue ser brutalmente viciante e crítico sobre muito da nossa sociedade, mesmo tendo em conta que esta crítica é bastante indireta. Com uma crítica bastante presente sobre a forma como vemos o mundo e também sobre o mundo que envolve a guerra sempre presente na nossa História, o autor explora o que um conflito armado faz aos soldados, as marcas que deixa. Pelo meio explora a crença ou a descrença dos mesmos, tentando tornar este livro o mais coerente possível. Todavia, este livro, baseado em mortes e guerras, acaba por ser um livro sobre amor e quais os sacrifícios que podermos enfrentar para salvar quem amamos.

No global, este é um livro muito mais emocional do que esperava, porque a relação mãe e filho está bem explorada mesmo que de forma indireta em alguns momentos. O resultado é um livro que apesar de diferente, foi bastante viciante. Certamente não terá o impacto que outros livros do autor tiveram, mas se gostarem do tema sobrenatural, dificilmente conseguirão parar de ler. Venham mais livros deste autor!

Luís Pinto