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terça-feira, 1 de setembro de 2015

CIDADES DE PAPEL


Autor: John Green

Título original: Paper towns




Sinopse: Quentin Jacobsen e Margo Roth Spiegelman são vizinhos e amigos de infância, mas há vários anos que não convivem de perto. Agora que se reencontraram, as velhas cumplicidades são reavivadas, e Margot consegue convencer Quentin a segui-la num engenhoso esquema de vingança. Mas Margot, sempre misteriosa, desaparece inesperadamente, deixando a Quentin uma série de elaboradas pistas que ele terá de descodificar se quiser alguma vez voltar a vê-la. Mas quanto mais perto Quentin está de a encontrar, mais se apercebe de que desconhece quem é verdadeiramente a enigmática Margot.



Cidades de papel é um daqueles livros em que temos de nos deixar levar. Sendo um livro adolescente, existe uma magia e uma paixão no ambiente do enredo, mas também, como na maioria dos livros do género, uma sensação de que algo é forçado. Passando essa sensação, o leitor apreciará muito mais este livro se não questionar muito do que irá ler, e se apenas tentar sentir o que o autor tenta passar nas suas palavras.

Sendo assim, Cidades de papel transforma-se lentamente numa viagem em busca do amor e da felicidade, e por mais estranha que possa parecer essa busca, queremos que acabe bem, queremos um final feliz, e acabamos por nos preocupar com personagens adolescentes, cheios de defeitos e ambições. Com isto a leitura torna-se fácil, rápida e apaixonante em alguns momentos.

Sendo um livro sobre adolescentes, o autor faz um bom trabalho ao colocar alguma imaturidade nas personagens, levando-as a decidir de forma errada ou a deixarem-se levar por sentimentos mais fortes do que a lógica. Com isso, o livro por vezes parece irrealista, algo forçado. Mas se olharmos para um ponto de vista adolescente, uma parte dessa sensação desaparece, dando lugar ao entusiasmo que o personagem principal respira. Outro aspeto que me pareceu positivo e que também deve ser visto de um ponto de vista adolescente, é que alguns diálogos têm traços normais da adolescência, com momentos impulsivos, mais "bêbados" de emoção e menos de lógica, porque no primeiro amor a lógica não tem espaço. E foi por isso que me deixei levar por esta história que o autor escreve com uma narrativa simples e direta.

Apesar do autor ser por vezes criticado por usar sempre a mesma fórmula, eu não o posso confirmar pois este é o primeiro livro que leio de John Green, não conseguindo afirmar se estas personagens são parecidas a outras. Todavia, agradou-me o facto de estar perante personagens que não são nem perfeitas, nem diretas. Existem surpresas e existem erros, tal como em qualquer pessoa, quer seja adolescente ao adulto.

O enredo, irrealista em alguns momentos, credível noutros, é algo que só poderia acontecer a personagens com estas idades. A forma como o autor consegue vedar o enredo é um trunfo, pois o leitor está totalmente focado nos adolescentes, perdendo a necessidade de questionar alguns momentos ou até de ver o ponto de vista dos adultos que complementam esta narrativa. Com tudo isto não estou a tentar afirmar que este livro é apenas para adolescentes ou que não é maduro, mas sim que este livro tem traços adolescentes que o moldam, para o bem e para o mal.

No entanto, este é um livro para qualquer idade, apesar de, acredito, ter muito mais sucesso nos adolescentes que certamente irão vibrar com a paixão que sai deste enredo e com o sacrifício que vemos ser feito por amor. Entramos no livro, e queremos passar pelo mesmo, queremos viver um pouco daqueles momentos, e por isso, mesmo com alguns defeitos que posso apontar ao livro, a verdade é que para fazer um leitor satisfeito, por vezes basta fazê-lo sorrir, reviver momentos, e foi por isso que gostei deste livro e o aconselho aos leitores adolescentes que queiram um divertido romance.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

QUANDO A NEVE CAI


Autores: John Green, Maureen Johnson, Lauren Myracle

Título original: Let it snow






Sinopse: Numa cidade isolada por uma das maiores tempestades de neve dos últimos cinquenta anos, três histórias, oito raparigas e rapazes e mais uns quantos caminhos vão cruzar-se num romance brilhante, mágico e divertido, a que não faltarão fragmentos de amor, laços de amizade, uma maratona de filmes do James Bond e beijos muito apaixonados.
Um livro perfeito para quem gosta de histórias de amor e aventura.



Três autores escrevem três pequenas histórias passadas no mesmo dia, na mesma localização. Três histórias que se completam, uma após a outra, dando significado e enaltecendo a magia do Natal.

O Natal é uma época diferente. Para muitas pessoas é mágica, porque as família se juntam à mesma mesa, histórias são contadas, matam-se saudades... trocam-se prendas, sejam elas físicas ou não. O Natal sempre teve um grande impacto em mim e alguma dessa magia está neste livro. De um ponto de vista crítico, este livro recomenda-se pela sua originalidade e montagem das três histórias. As pontas soltas que cada narrativa deixa, são explicadas na história seguinte, oferecendo uma sensação de continuidade, mudando apenas a forma de escrita do autor e o ponto de vista que narra a história.

Não é uma obra prima, as suas personagens não são marcantes, nem o enredo é surpreendente... mas tem a magia do Natal e é isso que torna este livro especial. É aquela capacidade de nos transportar para um tempo e espaço no qual sentimos o Natal à nossa volta, e nada o consegue melhor do que um livro.

Não querendo analisar cada uma das histórias de forma separada, existiram, obviamente, personagens que me cativaram mais. O conto de John Green, o segundo do livro, é talvez o mais importante e também o melhor. A história que oferece tem muito mais do que se vê à primeira vista e isso agradou-me, pois em alguns momentos torna-se mais do que um suave romance natalício, para indiretamente nos levar a pensar sobre outros assuntos também ligados a esta época. Existe uma mensagem escondida que vale a pena descobrir e que encaixa com a primeira história. Todavia, é o último conto que junta todas as peças, e apesar de ser o mais fraco dos três, é aquele que explica como cada uma das histórias acaba, novamente, repleto da magia do Natal, oferecendo um sorriso aos leitores.

Não quero retirar aos leitores o prazer de lerem este livro com algumas revelações na minha análise. Enquanto conteúdo puro, este não é um livro fantástico, mas enquanto livro sobre a época natalícia, acho que nunca li um tão agradável dentro do seu estilo de romance adolescente. Principalmente recomendado a adolescentes, mas capaz de alegrar o espírito a qualquer adulto que goste do Natal, esta foi uma leitura rápida e alegre, levando-me a recordar também como eu via o Natal quando era um adolescente. Existe um espírito de amor e amizade que facilmente sai das palavras destes três autores e que tornam a leitura num daqueles casos em que, mais cedo ou mais tarde, voltaremos a ler as suas histórias. Se já estão desejosos que chegue o Natal, este livro será uma boa companhia, sem dúvida!  

Luís Pinto