Autor: José-Alain Fralon
Título original: Le Juste de Bordeaux
Nós Portugueses, sempre conseguimos, na generalidade, esquecer ou não dar mérito a nós próprios, preferindo muitas vezes, admirar os feitos daqueles que não nasceram no nosso país.
Na ciência, na cultura, no desporto... ou em qualquer outro ramo, somos, quase sempre, levados a desvalorizar o que temos, talvez por ignorância ou até construção social. Todos o fazemos...
Aristides de Sousa Mendes é um dos casos mais gritantes. Como pode este homem, ser mais admirado "lá fora" do que no país onde nasceu?
Este livro tenta destruir um pouco o esquecimento construído, e por vezes imposto, sobre os feitos de um dos grandes heróis do nosso povo, mas também do mundo. Aristides, seria certamente, um homem que ao morrer, sabia que a sua vida tinha sido mais do que respirar. Quantas pessoas conseguiram dar tamanho significado a uma vida?
Falando um pouco sobre o livro em si, o autor consegue cativar desde o início, não só por ser um tema interessante à partida, mas também porque a linguagem é fácil e objetiva, sem lugar a momentos de grande monotonia. Em termos de investigação, não tenho, obviamente, a capacidade de saber até que ponto o trabalho do autor é bem feito, mas tenho de elogiar a capacidade que o autor teve em ligar certos factos e acontecimentos, ajudando a que o leitor nunca se sinta perdido. No geral, este parece-me um relato bastante completo que nos mostra toda a vida de um homem.
Mas esta obra tem como objetivo mostrar a dimensão que foi a vida deste Consul. Fralon consegue, e com facilidade, vincar a personalidade de Sousa Mendes, e este é para mim um dos pontos mais importantes: compreender os motivos, as convicções e a fé deste homem, para perceber o porquê de nunca ter desistido. Quantos conseguiram não desistir, mesmo perante a sua própria destruição?
A obra mostra-nos a educação de Aristides e seu irmão gémeo César, e imediatamente começamos a ver pequenos traços que mais tarde serão os pilares da obra deste homem, tornando toda a obra mais pessoal e interessante.
Com uma convicção impressionante e enorme noção do que estava a fazer e qual seria o seu futuro, Aristides terá sido, certamente, uma personalidade fascinante e à qual deveríamos dar muito mais mérito, e dar a conhecer. Eu, um simples rapaz, tudo o que já sabia sobre este homem, soube por iniciativa própria, e tal facto é chocante! As ações serão sempre mais fortes do que as palavras, então mostrem as ações deste homem! Contem-nas aos nossos adolescentes, estudem-nas na escola, e com orgulho, mostrem à humanidade que alguns não se limitaram a ver o mundo arder.
Numa opinião onde as minhas palavras nunca farão justiça a um homem que deu tudo e morreu na miséria, apenas posso aconselhar qualquer pessoa a ler esta história, a conhecer mais sobre esta época e sobre os homens que fizeram a diferença, mostrando-nos que os extremos estão muitas vezes a atuar ao mesmo tempo, e é nos momentos de maior crueldade que vemos aparecer a maior bondade.
Para os interessados, podem ver mais sobre o livro neste link da editora.
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