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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

FRATURADO


Autor: Karin Slaughter

Título original: Fractured






Sinopse: Abigail Campano chega a casa e entra num cenário de pesadelo. Uma janela partida, uma pegada de sangue na escada e, a visão mais devastadora de todas, a sua filha adolescente morta no chão. Sobre ela está um homem com uma faca ensanguentada na mão. A luta que se segue vai mudar a vida de Abigail para sempre.
Quando a polícia local comete um erro que não só ameaça a investigação mas também coloca em perigo a vida de uma jovem, o caso é entregue ao agente especial Will Trent do Georgia Bureau of Investigation. Will terá como parceira a detetive Faith Mitchell, do Departamento de Polícia de Atlanta, que logo no primeiro encontro lhe mostra que não é a sua maior fã.
Sob o calor implacável do verão de Atlanta, Will e Faith percebem que só trabalhando juntos conseguirão travar o homicida brutal que tem como alvo uma das comunidades mais ricas e privilegiadas da cidade. Antes que seja tarde demais.



No início deste ano li o primeiro livro desta série. Tríptico (podem ler a minha opinião aqui) foi uma lufada de ar fresco no género. É uma leitura intensa, inteligente e marcante. Com Fraturado, segundo livro da saga (podem ler este sem ter lido o primeiro, mas aconselho a leitura do primeiro livro para maior conhecimento do personagem principal) tinha o receio de as expectativas matarem a leitura. Tríptico foi um livro que apreciei bastante, mas poderia a autora repetir o feito?

Sendo o mais direto possível, este livro está ao nível do anterior, o que é fantástico. É verdade que gostei mais do tema base do anterior, mas a qualidade da obra é idêntica, demonstrando que Tríptico não foi apenas sorte, mas sim que a autora sabe o que faz, e faz bem.

O que mais apreciei neste livro foi a forma como a autora aprofundou a personagem principal. Trent é um detetive interessante, com problemas, mas com o qual não sentimos um forçar da história para que os seus traumas encaixem no enredo de forma óbvia. A narrativa, intensa e objetiva, está sempre muito perto do personagem em si, revelando momentos do passado, alguns medos, alguns orgulhos, mas nunca deixa a investigação para segundo plano. A forma como Trent é aqui explorado encaixa no ritmo, que nunca baixa, e torna-se num dos principais fatores que nos levam a continuar a ler. Claro que a trama principal será sempre a investigação, mas a autora não se foca apenas nessa questão, e "puxa" para a nossa atenção algumas personagens que poderiam parecer quase irrelevantes.

Todavia, o que fica na memória é o elevado ritmo e a inteligência do enredo. Bons diálogos, sem a sensação de que a autora esteja a forçar algo (tirando um ou outro momento que parece mais forçados) e com o leitor a passar a grande parte da leitura a tentar perceber todas as pistas e a adivinhar a revelação final, o que não será fácil pois a autora consegue esconder alguns factos importantes.

Por fim, salientar que a relação entre Trent e Faith está bem conseguida. No início pode parecer que a autora entra no cliché dos dois polícias que não se dão bem, mas aos poucos essa sensação desaparece, pois existe uma base bem sustentada para tal, principalmente com as duas personagens a terem personalidades vincadas e coerentes. 

Não me alongo mais pois não quero revelar pormenores deste enredo, nem do livro anterior. Fraturado é um livro inteligente e com ritmo elevado. Na minha opinião a autora conseguiu oferecer um livro ao nível do primeiro, algo que me surpreendeu, dando uma primeira confirmação que esta é uma autora a ter em conta se apreciam o género. Agora aguardo o terceiro livro, para perceber se a autora conseguirá manter o nível, algo que não será fácil.  

Luís Pinto

quinta-feira, 24 de abril de 2014

TRÍPTICO


Autor: Karin Slaughter

Título original: Triptych



Vencedor do PLB 2013 (Prémio Literário Blogosfera, do qual tive o prazer de ser júri) na categoria de Melhor Policial, este foi o primeiro livro que li da autora e adorei. A autora junta vários temas e conceitos de thrillers e poderá parecer que exagera na mistura que faz, mas apenas para quem não ler este livro. A mistura é quase perfeita, oferecendo ao livro uma atmosfera e intensidade como já não lia há muito tempo num livro.

Em primeiro lugar devo realçar o detalhe gráfico que a autora consegue dar a um livro onde o ritmo é sempre elevado. Existe uma notória capacidade de explorar o que é importante enquanto tenta chocar o leitor com algumas descrições mais violentas que nos façam perceber os cenários que as personagens terão pela frente. É, inevitavelmente, um livro violento, mas tal violência nunca me pareceu forçada ou fora do contexto. É óbvio que a autora nos quer agarrar desde o início, e a mim agarrou-me com alguns detalhes interessantes do primeiro homicídio, e a verdade é que não consegui parar de ler.

Todavia, para mim, o grande trunfo do livro são as personagens. Sem estar aqui a explorar nenhuma de forma direta, devo dizer que o que mais me agradou foi a forma como a autora vai, lentamente, buscar pequenos detalhes do passado de cada personagens, levando-nos, não só, a conhecê-las melhor, mas principalmente a alterar a forma como estamos a olhar para a investigação e os motivos de cada um. Neste aspeto, a autora surpreendeu-me porque não guardou todas as surpresas para o fim. Aliás, existem algumas revelações, na primeira metade do livro, que oferecem a sensação que não estamos a ler o típico livro policial onde tudo é revelado nas últimas páginas. E é assim que a leitura é sempre interessante e intensa.

A ideia base é bastante interessante, talvez com um ou outro momento que podem parecer forçados, mas a forma como o enredo se desenvolve é bastante inteligente, principalmente na forma como explora as ligações entre as personagens, ajudando o leitor a ter um conhecimento mais aprofundado, mas sem nunca descurar o elemento mais importante: chocar o leitor. E esse choque não se origina apenas no enredo e nas descrições violentas, mas também no passado das personagens e na forma como irão decidir em alguns momentos, surpreendendo, acredito, a grande maioria dos leitores. Aos poucos entramos na história e as nossas dúvidas começam, e questionamos quem ganha com tal situação, quem tem motivo para tal, que pista já foi revelada mas nos escapou.

Um bom policial tem de ter respostas coesas e inteligentes. Tríptico é um desses livros, e ainda junta boas personagens, muitas surpresas do início ao fim e ainda um ritmo poderoso, oferecendo uma leitura intensa e difícil de parar. Em alguns momentos é chocante e violento, mas no fim existe a noção que nada está fora do sítio. Este é o dos melhores policias que li nos últimos tempos, e se são fãs do género, então este livro é mesmo recomendado.

Luís Pinto