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segunda-feira, 10 de abril de 2017

AUTORIDADE


Autor: Jeff Vandermeer

Título original: Authority





Sinopse: Após 30 anos, os únicos traços humanos detetados na Área X - uma estranha zona contaminada cercada de uma fronteira invisível e sem traços de civilização - são os que foram deixados por expedições sucessivas sob autoridade de uma agência tão secreta que quase foi esquecida. Face à tumultuosa 12.ª expedição narrada em Aniquilação, a agência tem um novo diretor nomeado, John Rodrigues, também conhecido por Control.
A braços com uma equipa desesperada e frustrada por uma série de incidentes e vídeos perturbantes, Control começa a desvendar lentamente os segredos da Área X e dos mistérios narrados no primeiro volume, mas a cada descoberta que faz, é forçado a confrontar verdades sobre ele próprio e a agência que jurou servir.



Este é o segundo livro da trilogia "Área X" e, tal como o primeiro, não é um livro para todos. 

Após ter criado a base necessária no livro anterior, o autor começa neste livro a explorar algumas das perguntas que o leitor terá feito no livro anterior. Com o seu ritmo morno e grande foco no mundo em si, o autor explora flora e fauna com uma subtileza incrível, ao ponto de mesmo nos momentos em que não parece estar a explorar cenários, na realidade está. Com uma escrita focada no porquê de muito do que existe, mas tendo sempre a capacidade de criar suspense sobre o porquê do que vai acontecendo, o leitor é levado por uma viagem que tem tanto de confuso como de coerente em alguns momentos.

Com algumas personagens interessantes e diálogos inteligentes, o enredo começa a responder às perguntas que ficam do primeiro livro. Contudo, tal como se esperava, muitas respostas dão origem a novas perguntas. Apesar de um ou outro momento parecer algo forçado ou menos coerente, também é verdade que aos poucos tudo começa a encaixar e a dar origem a várias teorias.

No entanto, tal como o primeiro livro, este também não é um livro para todos. O autor leva-nos por caminhos confusos e que em alguns momentos não parecem encaixar com o que se espera ou que já se leu, mas a verdade é que se ligarmos todos os pontos, então descobrimos que nestas páginas está explicado muito do que não se vê à primeira vista. Tudo isto num ritmo bastante lento que poderá afastar alguns leitores. O enredo é inteligente, mesmo que às vezes não seja viciante, e o facto de ser o segundo livro da trilogia acaba por lhe retirar algum impacto final, pois muito fica por explicar.

Esta trilogia, que ganhou vários prémios, tem a qualidade e a originalidade que a tornam memorável de alguma forma. Ainda me falta ler um livro e não quero revelar algo que não devo, mas estou bastante curioso para ver o desfecho de algumas personagens e, principalmente, o porquê de três ou quatro factos desta narrativa. Se no fim tudo fizer sentido, então esta será uma trilogia muito boa, baseada num universo diferente e bem pensado, e que mesmo não sendo a favorita dos leitores, conseguirá ganhar o seu espaço na nossa estante de livro a voltar a ler um dia. Fica a faltar apenas o último livro para perceber se o autor consegue realmente oferecer todas as respostas (de preferência com um ritmo mais elevado na narrativa).

Luís Pinto

terça-feira, 22 de novembro de 2016

ANIQUILAÇÃO


Autor: Jeff Vandermeer

Título original: Annihilation 




Sinopse: Área X. Uma zona misteriosa e isolada do resto do mundo. Onde a natureza reclamou para si qualquer vestígio de civilização. Sucessivas expedições são enviadas para investigar o mistério que levou à sua contaminação, mas todas redundam em fracasso e os seus membros regressam meras sombras das pessoas que partiram.
Até que chega a vez da 12.ª expedição. Composta por quatro mulheres (antropóloga, topógrafa, psicóloga e bióloga), a sua missão é desvendar o enigma. Mas acontecimentos bizarros e formas de vida que ultrapassam o entendimento minam a confiança entre os membros da expedição. Nada é o que parece e o perigo espreita a cada esquina. Que novos horrores se escondem na Área X? Será a 12.ª expedição capaz de revelar todos os segredos… ou estará condenada à pior das tragédias?


É, indiscutivelmente, um dos livros mais complexos que li este ano. Sendo o primeiro livro de uma trilogia, não ire aprofundar muitos temas, mas tentarei olhar para este livro com olhar crítico para o que é importante para a saga.

Neste primeiro livro o que espanta é o mundo criado. Tentando não revelar nada sobre o enredo e surpresas deste mundo, o que posso dizer é que o mundo criado é bastante coeso, com uma coerência que me espantou mesmo em detalhes que não esperava e que me deram a oportunidade de perceber como este mundo se sustenta e o quanto influencia o enredo. É raro vermos um mundo com tanto detalhe sem aniquilar o ritmo, mas aqui tal acontece durante quase todo o livro, onde temos um mundo bem explorado sem que o ritmo baixe demasiado. No entanto, sendo um mundo tão focado no mundo e na criação de um ambiente que nos acompanha por todo o livro, é normal que um leitor que procure algo mais intenso ou focado em ação possa estranhar.

Gostei bastante das personagens, principalmente de uma que não irei indicar, pelo facto de o autor me ir explicando, de forma coerente, algumas dúvidas que tinha sobre o passado das mesmas, e levando-me a perceber algumas decisões. Todavia, este é um livro feito para nos deixar com várias perguntas sem resposta, preparando-nos para os próximos livros.

Uma palavra ainda para a escrita do autor, que está fantástica dentro do seu estilo e encaixando perfeitamente no enredo e na atmosfera do livro. Este é um livro pesado graças ao quando nos faz pensar. É um livro que expõe e explora poderosas questões morais, mesmo que de forma indireta, e que nos leva a pensar sobre a sustentabilidade de uma sociedade e o que são os instintos mais primitivos do ser humano.

No global, este não é um livro que agrade a todos os leitores. Todavia, facilmente se percebe que é um bom livro e que é uma boa base para a trilogia. O autor terá agora nos próximos livros de começar a revelar o porquê de muito do que aconteceu nestas páginas e eu certamente que as irei ler se tiver oportunidade. Para já, foi um livro que gostei e acredito que no final irei recomendar esta trilogia. 

Luís Pinto