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segunda-feira, 30 de março de 2020

FUNDAÇÃO E IMPÉRIO


Autor: Isaac Asimov



Sinopse: Guiada pelo seu fundador, o psico-historiador Hari Seldon, e tirando partido da sua superioridade científica e tecnológica, a Fundação sobreviveu à ganância e barbaridade dos planetas vizinhos. No entanto, agora tem de enfrentar o Império – que continua a ser a força mais poderosa na Galáxia, apesar de estar à beira do colapso. Quando um general ambicioso, determinado a restaurar a glória do Império, envia a vasta frota imperial em direção à Fundação, a única esperança para o pequeno planeta de eruditos e cientistas reside nas profecias de Hari Seldon.
Mas nem Hari Seldon conseguiu prever o surgimento de uma criatura extraordinária, um mutante com um poder paranormal muito superior a qualquer outro jamais visto… um poder que poderá transformar um humano determinado num escravo.
Em 1966, a série Fundação foi eleita a melhor série de ficção científica de todos os tempos.



Aqui está o segundo livro da famosa saga de Asimov, considerado por muitos como a mais importante e marcante saga de ficção científica de sempre pela forma como revolucionou o género.

Neste segundo livro continuamos a avançar pela História da Fundação, com os personagens a continuarem a seguir as palavras de Seldon e é muito interessante a forma como Asimov explora as tendências das civilizações, os acontecimentos que se dão após outros acontecimentos, a cadeia de eventos. Tal como no primeiro, este livro de ficção científica é um livro muito focado na psicologia e sociologia, focando-se muito mais na História da Fundação enquanto sociedade e muito menos nos feitos de personagens. com isto, continuamos a ter uma visão muito mais abrangente em que as sociedades seguem certos caminhos que Seldon foi antecipando, quer em termos sociais e religiosos, mas também políticos, sem nunca esquecer a parte monetária e a questão essencial da gestão e procura de recursos.

Posto isto, as personagens deste livro são interessantes, mas nunca são a personagem principal. A personagem principal é a Fundação enquanto organismo vivo, enquanto sociedade, e é isso que difere esta saga das restantes. É o foco no todo em vez de apenas em alguns heróis, mesmo tendo em conta que esse todo por vezes apenas é explorado indiretamente, mas sempre com grande peso na narrativa e no seu caminho.

No entanto, para bem da tensão do livro, agora a fundação enfrenta algo que nem Seldon conseguiu prever, tal como indicado na sinopse. E aqui a saga começa um novo caminho, o do desconhecido para as personagens que sempre pareceram saber o que iria acontecer. É uma sensação diferente, em que as personagens terão de reagir a uma sensação de desconforto e impotência que ajuda a explorar outros lados da mente, outros medos, dúvidas e traumas. É, talvez por isso, um livro mais psicológico do que o anterior, e ainda bem, porque é aí que Asimov tem o seu talento nato.

Os elogios que possa fazer a esta série serão apenas mais uns num oceano de elogios e prémios que estes livros já receberam ao longo de todos estes anos. Asimov tem aqui a sua obra prima, uma saga que mudou a forma como se olhava para a ficção científica e, mesmo não tendo uma estrutura narrativa muito normal para o nosso tempo, os seus temas serão sempre atuais, porque exploram a mente humana enquanto individuo e enquanto membro da sociedade. Muito bom.

Luís Pinto

  



quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

FUNDAÇÃO


Autor: Isaac Asimov



Sinopse: Há muitos milhares de anos que o Império Galáctico reina absoluto sobre todos os mundos habitados. Mas agora está em decadência.
Apenas Hari Seldon, o criador de uma nova e revolucionária ciência, prevê a inevitável chegada de uma era de trevas jamais vista. Para preservar o conhecimento e salvar a Humanidade, Seldon reúne os melhores cientistas e eruditos do império num planeta sombrio para servirem de guia e darem esperança às futuras gerações. Dá a este santuário o nome de Fundação.
Mas a jovem Fundação rapidamente fica à mercê dos corruptos senhores da guerra que se erguem do decadente império. E esta última esperança da Humanidade tem de enfrentar uma escolha dolorosa: submeter-se aos bárbaros e viver em escravatura ou lutar pela liberdade e arriscar a destruição total



Se gostam de Ficção Científica, muito provavelmente já ouviram falar de Asimov, talvez o mais marcante autor do género. Asimov, autor de várias livros com grande impacto na ficção científica, muitas vezes com grande foco na inteligência artificial, tem aqui a sua obra prima, um livro que moldou a própria forma como as Space Operas passaram a ser criadas.

“Never let your sense of morals prevent you from doing what is right.”

Com uma imaginação incrível e grande atenção ao detalhe, Asimov criou um mundo literário fantástico, bastante coeso e inteligente, com uma base credível e foco no ser humano. Aliás, é esse o grande trunfo do livro: o de ser uma obra de grande impacto e magnitude, mas que não deixa de se focar no ser humano, nos seus defeitos e virtudes, nas suas forças e fraquezas. É um livro de FC, mas apenas no seu conceito base, porque é na realidade um livro sobre pessoas. Quanto vale um valor moral?

“Violence is the last refuge of the incompetent.” 

Com uma escrita cuidada e interessante, Asimov não dá passos em falso, quer no enredo, quer na construção do ambiente, tudo funciona na perfeição enquanto vemos a luta pela sobrevivência das personagens principais. E é por isso que este livro é tão abrangente e humano, porque o foco está nas bases do próprio ser humano: o instinto de sobrevivência, a tendência para a ganância, para a corrupção, a imprevisibilidade do amor, da amizade e do sacrifício. Tudo isto é o que move este livro, numa história que fica para sempre na nossa memória, não só pelos seus momentos, mas também pela sua magnitude. 

Claro que atualmente existem muitos livros que utilizam as mesmas bases, os mesmo fluxos, e as Space Operas são mais que muitas, mas nenhum teve tamanho impacto, nenhuma explorou o ser humano desta forma e poucos livros de FC serão eternos como este é. "Fundação" está no topo do que a ficção científica pode oferecer. Está lado a lado com outros grandes colossos, como "Duna" ou "A guerra eterna". Um livro obrigatório, mesmo para aqueles que não são grandes apreciadores do género, mas que apreciam obra primas literárias.

Luís Pinto



terça-feira, 6 de setembro de 2011

EU, ROBOT

Autor: Isaac Asimov

Título original: I, Robot


As Três Leis:

1. Um robot não pode causar dano a um ser humano nem, por inacção, permitir que qualquer humano sofra danos.
2. Um robot deve cumprir as ordens que lhe forem dadas por seres humanos, excepto nos casos em que essas ordens colidam com a Primeira Lei.
3. Um robot deve proteger a própria existência desde que essa protecção não colida com a Primeira ou com a Segunda Lei.

Publicado em 1950, este é um dos grandes livros de Asimov, um dos grandes livros de um dos melhores autores de Ficção-Científica. Rapidamente tornado num clássico, as Três Leis criadas por Asimov (que por várias vezes admitiu não serem sua criação) revolucionaram a própria forma como outros autores olhavam para a Robótica e consequente Inteligência Artificial.
Este livro, composto por nove pequenas histórias, é completamente diferente do filme com Will Smith que saiu há uns anos. Pessoalmente gostei do filme, mas a realidade é que as similaridades são tão poucas, que se não fosse terem por base as mesmas Três Leis e eu diria que se tratava de um filme de outro qualquer livro.
Asimov cria um livro sem paralelo até então, numa fase em que o mundo tentava esquecer a Segunda Guerra Mundial, Asimov imagina uma brutal evolução tecnológica que levará as Máquinas a uma inteligência superior. No entanto onde Asimov revolucionou foi na mentalidade do próprio robot, visto sempre como o grande inimigo noutros contos até à data, neste livro a personalidade das máquinas é finalmente “observada” pelo leitor, dando-nos uma perspectiva nova, ajudando-nos a criar laços com estas estranhas personagens.
Asimov cria um futuro, uma mentalidade de uma sociedade bem diferente daquela em que agora nós vivemos, e nos seus nove contos viajamos pela evolução dos robots, mostrando-nos as suas utilidades, que começará por trabalhos básicos, chegando depois aos trabalhos que o Homem não pode executar, acabando no grande domínio intelectual das Máquinas, que têm sempre como base as Três Leis.
De realçar o quanto estas Três Leis estão sempre presentes na história, quer para bem quer para o mal, levando-nos a momentos caricatos, como por exemplo o de um robot doméstico que não pode cozinhar um alimento não muito saudável para o seu mestre, visto que o humano apresenta uma percentagem de gordura no seu corpo fora da "zona saudável". Percentagem essa quase irrelevante mas que choca com as inflexíveis Leis, criando uma negação como resposta à ordem do seu mestre.
Este livro, esta obra-prima, deixa-nos a pensar, pois nunca sendo frontal nas questões que levanta, a verdade é que elas estão lá. Não são poucas as vezes em que a personagem principal da maioria dos nove contos, a Dra Susan Calvin, tenta perceber como a própria humanidade responde ao avanço tecnológico. Terá o humano capacidade para perceber o que as máquinas poderão vir a sentir? Teremos nós a mentalidade necessária para escravizar as máquinas enquanto ganhamos afectos? Deveremos nós voltar à escravidão dos tempos passados tendo como objectivo uma sociedade mais evoluída em todos os aspectos? E por fim, como iremos nós reagir à ameaça de perdermos o papel de espécie dominante no planeta?
Não revelando nada da história, digo-vos que o final deste livro tem, na minha opinião, um dos grandes momentos da história literária deste género. Asimov deu um novo “aspecto” às máquinas neste livro, obriga-nos a tentar percebê-las e a criatividade necessária para criar a evolução das máquinas neste livro é de louvar. Uma obra que mesmo após 60 anos desde que foi publicado, não me parece distante das questões fundamentais que a humanidade irá enfrentar nos próximos tempos. A verdade é que nunca senti que o livro estivesse deslocado do que poderá vir a acontecer.
Um livro que nenhum fã do género deve perder. Se gostam de Ficção-Científica não deixem de ler este livro porque já viram o filme. Volto a avisar que muito pouco têm em comum. Aliás, a própria capa do livro com o Will Smith não pode ser mais do que uma questão de marketing. 
Como disse antes, gostei do filme, mas o livro tem a capacidade de levantar questões importantes e de dar uma imagem muito mais abrangente de uma sociedade em transformação. A não perder.