Autor: Markus Zusak
Título original: The Book Thief
Um livro durante a 2ª Guerra Mundial onde o narrador é a Morte...tal ideia base foi o suficiente para me deixar curioso, no entanto apenas agora, com o lançar do filme, é que li este livro, um verdadeiro sucesso por onde quer que passe.
Ter um livro onde o enredo, passado na 2ª Guerra Mundial, é narrado pela Morte, é algo diferente, e neste caso, que vale a pena ser lido. Esta é uma obra, que apesar de não ser tão marcante quando "A Lista de Schindler" ou "O Pianista", a verdade é que estamos perante um excelente livro, que mesmo não tocando de forma tão brutal o que aconteceu neste momento da história da humanidade, consegue arrepiar o leitor e tornar a leitura emotiva.
A grande diferença esta no facto e a grande maioria dos grandes livros sobre esta época serem o ponto de vista de judeus ou de alemães que se transformam em pessoas melhores enquanto vêem as atrocidades que os rodeiam. Aqui temos o olhar de uma criança, criada na Alemanha, e à qual é incutida a mentalidade de Hitler, mas que a enfrenta, pensando por si. Este é um dos pontos que mais gostei nesta leitura: vermos como o povo era manipulado, desde pequenos, para acreditarem numa ideia base que empurrava o país para a guerra e inevitável glória, segundo a propaganda. Vemos como vizinhos, pais e professores explicam aos filhos o porquê do que está a acontecer e do orgulho que devem sentir, enquanto do outro lado temos a nossa personagem principal, uma rapariga ensinada a pensar por si, capaz de perceber o que a rodeia.
Os livros sempre foram fonte de cultura, e este romance é sobre essa singular capacidade que um livro tem de nos ensinar, de passar pensamentos, experiências de vida ou filosofias, ou então, e talvez o mais importante... um livro tem uma capacidade, deveras singular, de nos fazer sonhar. Leva-nos num mundo diferente, catalisa a nossa imaginação, leva-nos a acreditar em algo melhor. E num momento de guerra, todos devem sonhar com algo melhor, com a passagem daquele tempo sombrio em que homens esquecem os seus valores e desperdiçam as vidas que povoam os nossos países, retirando o valor ao que deveria ser essencial.
Este é um livro repleto de esperança, de sorrisos, e do olhar de uma criança na qual cresce uma bondade que o mundo esqueceu. É este contraste que marca o enredo tal como o queimar dos livros marca esta criança. Entre linhas, a Morte narra com subtileza, até com desilusão pelo que a humanidade está a fazer. A personalidade que o autor dá à Morte oferece qualidade ao livro e leva-nos a gostar daquela criança que rouba livro, mas que na realidade recolhe conhecimento e esperança em cada página.
No global, o que temos nestas palavras é um livro que tenta mostrar o brilho na mais negra das épocas, e com a dor e esperança nos comovemos e continuamos a ler, porque a esperança desta rapariga é a nossa esperança enquanto leitores. O final, marcante, demonstra uma das lições mais importantes que podemos aprender na vida, e que aqui não irei revelar. Cabe a cada leitor não deixar escapar este livro, porque aqui está o melhor e o pior que a humanidade é capaz de fazer, e todos nós devemos saber o que isso é.
