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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

UM CONTO DE NATAL


Autor: Charles Dickens

Título original: A Christmas carol



Sinopse: Um Conto de Natal ou O Natal do Sr. Scrooge é talvez um dos mais conhecidos contos da literatura universal e, sem dúvida, o mais conhecido conto de Natal. Nele, todo o sortilégio do Natal é tratado na prosa de um dos melhores caricaturistas sociais de todos os tempos, que foi talvez aquele que melhor soube apreender e transmitir o espírito do Natal!
Inúmeras vezes adaptado ao teatro, cinema e televisão, poucos serão aqueles que ainda não ouviram falar do fantasma do Natal Passado, do fantasma do Natal Presente e do Fantasma do Natal Futuro e do velho avarento que é visitado por estes espíritos que lhe transmitirão o verdadeiro sentido do Natal.


É uma das histórias mais famosas da literatura. Lembro-me de em criança ver uma adaptação deste conto, em que Mickey e companhia eram os atores principais. Durante anos adorei esta história, e a verdade é que não tinha a maturidade suficiente para a compreender, mas houve algo que me ensinou sem sequer notar. É isso que as melhores histórias fazem: ensinam algo, qualquer que seja a idade do leitor, qualquer que seja a mensagem, há algo que retemos.

O que torna este livro no grande clássico que todos nós conhecemos é o facto de existirem tantas mensagens nesta pequena obra. A capacidade que o autor teve ao mostrar-nos a vida do personagem principal com a ajuda de três fantasmas é, por mais simples que pareça, de uma objetividade impressionante, pois tudo o que precisamos de saber sobre o personagem está ali descrito, em pequenos momentos que marcam a nossa vida.

Poucas coisas estão presentes a cada segundo da nossa vida... a noção de morte, a necessidade de amor, o poder do dinheiro nesta sociedade. Aqui, neste imortal clássico, fala-se destes três pontos, e como damos mais valor a uns do que a outros. Afinal, o que é mais importante na nossa vida? Quando Shakespeare escreve o momento em que Hamlet olha para a caveira e nos diz indiretamente que por mais que tentemos ser luxuosos, bonitos e tentemos enganar a velhice, todos terminaremos assim, numa caveira, o que nos está a dizer o autor? Aqui, quando Scrooge vê o seu futuro, com todo o seu dinheiro, o que está Dickens a mostrar-nos?

Este é um livro que todos deviam ler, seja qual for a idade, há aqui muito para aprender e pensar. A importância da família, de amigos, e de ter prazer a ajudar e a dar sorrisos aos que nos rodeiam. Este é um livro que nos indica que há coisas que não sendo materiais, são demasiado importantes para abdicarmos delas, porque as coisas materiais dão mais prazer quando são partilhadas com quem amamos.

O que faríamos nós se fossemos visitados por estes fantasmas? O que mudávamos? O que é, realmente, importante para nós?... Um livro obrigatório, cheio de significados, diferentes para cada leitor, mas universal à humanidade. Se estes fantasmas nos visitassem realmente, talvez todos nós fizéssemos algo melhor no nosso futuro, mesmo sem o percebermos. Um livro fantástico. Leiam-no, mas não se limitem a ler. Sintam-no, pensem sobre ele, e ofereçam-no aos vossos filhos. 

Luís Pinto

quinta-feira, 5 de julho de 2012

GRANDES ESPERANÇAS

Autor: Charles Dickens

Título original: Great Expectations


Charles Dickens ficará para sempre como um dos grandes nomes da literatura inglesa. Autor de vários romances e contos, ficarão para sempre, na memória de quem os ler, livros como Oliver Twist, David Copperfield, Um Conto de Natal e ainda A Tale of Two Cities.

Grandes Esperanças, considerado por muitos o melhor livro deste autor, é uma mistura de vários sentimentos: amor, culpa, solidão, gratidão, entre outros. O que torna este livro tão bom é essa mistura de sentimentos ser perfeita e coerente.

Com uma narrativa perfeita e complexa, a história é centrada em Pip e na sua evolução desde rapaz pobre, empurrado pelas expectativas do seu futuro e dos seus amores. Um dos primeiros trunfos deste livro é a forma como está "montado". Nota-se com facilidade que um dos objectivos de Dickens é prender o leitor de forma constante, e para tal, oferece um conjunto de surpresas e revelações com uma frequência que não nos deixa parar de ler. É verdade que por vezes senti que o livro é demasiado longo, mas a narrativa cheia de emoções conseguiu levar-me com facilidade. Dickens mostra nesta obra, sem qualquer dúvida, um talento para transmitir emoções, principalmente as mais sombrias; e graças a estes sentimentos, muitas personagens ficarão na memória do leitor, não só pela sua diversidade, mas principalmente pelo que transmitem ao leitor.

Pip, a personagem principal, cativou-me bastante, principalmente porque ao vermos a forma como vê e aceita o mundo, vemos a sua evolução, levando o leitor a criar as suas próprias expectativas em relação ao futuro do rapaz. No entanto a minha personagem preferida foi a Senhora Havisham, pelos seus traumas avassaladores, diálogos de grande qualidade (com os quais define a sua personalidade), e uma forma de encarar a vida que ainda hoje não está fora do contexto que é a nossa sociedade. Esta é apenas mais uma pessoa que cometeu erros, e vê na próxima geração a forma de se redimir.

Pelo meio da história e suas principais personagens, começamos a ver um conjunto de secundárias que "está muito acima da média", dando uma qualidade extra à história e senti que estava a ler algo sólido. É ainda graças a estas personagens, que notamos as diferenças sociais e o desprezo entre ricos e pobres. Novamente a crítica social, neste caso quase indirecta, mas bem conseguida.

Num livro que terá mais significado para um adulto do que para um adolescente, ao acabar a leitura senti que nada estava fora do lugar. Tudo encaixa e foi revelado no momento certo. Podemos ainda fazer um esforço mental e resumir o livro e notar que há aqui um certo cliché, mas ao fazê-lo criamos dois erros: primeiro este livro é muito antigo, e como tal, ter a sensação que já lemos algumas destas reviravoltas noutros livros não será culpa de Dickens. O segundo erro é que não se deve resumir um livro que tem personagens secundárias tão importantes. Muito se perde, e esta qualidade não pode ser apagada. Talvez por isso o filme não me convenceu.

Dentro do seu género, será indiscutivelmente um dos melhores que já li. Acredito que alguns leitores poderão não gostar, mas eu gostei imenso da narrativa e dos sentimentos que movem as personagens. É claramente um dos melhores romances de sempre.

Luís Pinto