Autor: Antoine de Saint-Exupéry
Título original: Le Petit Prince
Este é o livro que todos devem ler. Mesmo aqueles que não gostam de o fazer. E porquê? Porque este livro não é apenas um livro, não são apenas palavras escritas, misturadas ao gosto do autor. Este livro é uma gigantesca lição de vida. É isto que torna este livro imortal, um membro de um grupo restrito de obras que perdurarão muito para além da vida do seu autor.
Ao início vemos um livro leve, pequeno, poucas palavras… mas todas elas são algo mais do que isso, são lições enigmáticas para as crianças que as lerem. São para os adultos lições que deveriam ser desnecessárias. Mas todas elas verdadeiras, que nos fazem questionar porque nunca estamos satisfeitos, porque queremos algo que não precisamos. O essencial não tem de ser comprado… o essencial é invisível para os olhos.
Este livro faz-nos pensar. Cada página, cada capítulo, por mais pequeno que seja, tem o seu significado. Sim, o essencial é mesmo invisível. Aquilo que sentimos, aquilo sem o qual não conseguimos viver e que normalmente só sentimos verdadeiramente quando perdemos. A grande generalidade do Ser Humano é assim, sem capacidade de expressar o amor que sente. Mostrar ódio é tão mais fácil e a ironia é o facto de conseguirmos viver sem ele, mas nunca sem amor. Afastamo-nos tantas vezes do que nos dá prazer, tal como o homem que nesta história deseja não voltar a ter sede para não ter de beber água, sem perceber que beber com sede é um prazer ao qual ele foge. Mas porque fugimos nós dos nossos prazeres? Porque perdemos a ingenuidade de criança onde existem menos barreiras? São os preconceitos? É a sociedade que nos molda? Afinal o que nos rouba a capacidade de abraçarmos quem queremos, de dizer o que sentimos, o que realmente é importante e essencial? Todos nós já sentimos que deveríamos ser algo mais, deveríamos ter dado mais um abraço ao nosso pai, à nossa mãe, à pessoa com quem casamos ou namoramos, sem os quais não conseguimos viver… ser criança é mais fácil, mais verdadeiro. Devíamos ser crianças mais tempo para abraçarmos mais vezes quem amamos…
O Principezinho passa por todas estas questões. A relação com a sua flor é tudo isto que mencionei. A flor que deseja ser admirada, não pede a amizade do rapazito, ao contrário da raposa que apenas deseja ser amada. Não, a flor quer algo que não se pede, porque se for pedido, não será verdadeiro. O Principezinho percebe tarde demais que há muito que gosta da flor. Ela é importante! Apenas quando não a pode proteger o rapaz sente esse sentimento invisível e aos poucos deseja que tivesse feito algo mais. Todos o desejamos um dia...
O homem que cria laços acabará sempre por chorar, irá sempre sofrer um dia, mas desde quando é que isso nos deve impedir?
A flor acaba por ser amada, talvez sempre o tenha sido, mas não o sentiu, não completamente, como ela o desejava, à sua maneira. O Principezinho demonstra-o de forma diferente. E isto acontece diariamente no nosso mundo. Cada pessoa demonstra, mais ou menos, o que sente, mas por vezes quem é amado não o percebe, não recebe a mensagem. Mas se aqueles que verdadeiramente amamos não o sabem, então quem saberá?
A história do Principezinho é uma bela viagem por vários planetas, onde se encontram personagens distintas. Todos eles são o autor principal de uma nova lição, e cada leitor acabará por retirar as suas conclusões, tal como o Principezinho o faz e também ele evolui... e se passamos a vida a caminhar, quantas vezes sabemos para onde vamos? O Principezinho também aprende a escolher o seu caminho e a escrita fácil de Saint-Exupéry leva-nos sem esforço nesta viagem.
Este rapazito tem um bocadinho de cada um de nós. Teimoso, curioso, talvez apenas sozinho… por vezes preocupado, por vezes descontraído. É impossível não sentir afecto por esta personagem, e por vezes até sofremos com as suas palavras, pois estão cheias de sentimento. Estão cheias de algo invisível.
Este livro é para mim do melhor que já li. Como é que um livro tão pequeno pode ter tanto para dizer? Não o deixem ficar na estante. Recomendo-o a todos, seja qual for a idade, mesmo àqueles que não costumam ler. Leiam este livro lentamente, tentem “arranjar” um significado para cada página, e no fim sentirão uma satisfação que poucos livros podem oferecer. Depois de o lerem, uns anos mais tarde, repitam a leitura. Terá certamente novos significados, porque nós mudamos, e estamos sempre prontos a aprender algo novo, com significados distintos, consoante as nossas vivências.
Obrigatório.
Inesquecível.
Obra-prima.
O mais triste não é existirem pessoas que não leram este livro. O triste é todos aqueles que o leram, terem esquecido o que aprenderam nestas palavras.
Os homens deixaram de ter tempo para conhecer o que quer que seja, compram as coisas já feitas aos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens deixaram de ter amigos
Só se pode exigir a uma pessoa o que essa pessoa pode dar.
