Autor: John Sandford
Título original: Rules of Pray
Sinopse: O assassino era inteligente. Era membro da Ordem dos Advogados. Deduzia regras com base numa análise profissional de casos reais. Havia mais. Integrava-as num desafio. Era louco, claro… A coberto da capa de uma vida normal, seleciona primeiro cada vítima feminina, até que a pressão que há dentro dele o obriga a sair para «a apanhar».
Dominando a sua arte secreta com as táticas de um mestre dos jogos, lança as Twin Cities numa tormenta de terror mais feroz do que qualquer inverno do Minesota. Este serial killer é um jogador, não é um sociopata como os que vêm nos livros; tem um gosto perverso pelo jogo, tendência que o leva a matar apenas pelo desafio.Lucas Davenport terá de empregar toda a sua força mental - e coragem física - para aprender a pensar e a agir como o assassino.
Dominando a sua arte secreta com as táticas de um mestre dos jogos, lança as Twin Cities numa tormenta de terror mais feroz do que qualquer inverno do Minesota. Este serial killer é um jogador, não é um sociopata como os que vêm nos livros; tem um gosto perverso pelo jogo, tendência que o leva a matar apenas pelo desafio.Lucas Davenport terá de empregar toda a sua força mental - e coragem física - para aprender a pensar e a agir como o assassino.
Começo esta rápida análise por afirmar que este é um livro inteligente. Há trhillers que têm como principal trunfo serem intensos, outros que são fortes, outros são inteligentes. Este é um thriller inteligente pela forma como conduz a narrativa, deixando pistas, direcionando a nossa atenção para certos acontecimentos e, em grande parte, preparando as reviravoltas finais que tornam o livro numa leitura mais coesa e com maior sentido.
Estamos perante um autor que escreve de forma simples, sem deixar de explicar os detalhes necessários à compreensão da trama e dando a sensação de que conhecemos as personagens mais importantes. O ritmo é elevado na grande maioria do livro, com pequenas oscilações em que se percebe que o autor tenta travar o nosso entusiasmo para nos dar uma ideia que nos poderá enganar, não deixando o leitor perder essa noção que poderá ser enganadora.
Sendo uma narrativa rápida, não existe espaço para um grande aprofundar das personagens mais secundárias, mas as principais têm o tempo de antena necessário para conseguirmos perceber as suas decisões. Este é um enredo de decisões difíceis, quer pessoais, quer profissionais, e o entendimento do contexto em que a personagem se insere é essencial. O autor percebe esta necessidade e consegue usar, de forma disfarçada, alguns truques que ajudam a narrativa a não se desequilibrar perante um olhar mais atento.
Como já disse, este é um enredo inteligente, com o ritmo bem estudado e com as revelações nos momentos certos. O final surpreende em parte e ajuda a juntar todas as linhas da investigação que fiz enquanto leitor. Destaque ainda para a fase inicial do livro em que o autor consegue oferecer bons conceitos sobre o mundo em que o enredo se insere, e essas noções são dadas, em boa parte, de forma indireta, levando a que o leitor perceba onde está inserido sem que o ritmo baixe.
Claro que nem tudo é fantástico. Existem momentos em que se nota alguma falta de objetividade em alguns diálogos e alguns momentos parecem forçados a meio do enredo. Todavia, estes são detalhes que não retiram a inteligência que o livro tem.
Nota-se que o autor tem um bom conhecimento sobre o que escreve e também sobre a forma como deve prender o leitor. Este livro entretém, prende e no fim deixa uma sensação de satisfação se gostarem do género. Não é uma obra prima nem revoluciona, mas conseguiu prender-me e levou-me a um pensamento exaustivo sobre como seriam as revelações finais. Confesso que foi difícil parar de ler. Globalmente é um dos melhores thrillers que li nos últimos tempos, e aconselho a qualquer fã do género.
Luís Pinto