sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

FELIZ NATAL!

Desejo a todos um Feliz Natal cheio de alegria, saúde e todas as outras coisas que são essenciais a cada um! 
E já agora, muitos livrinhos no sapatinho!


FELIZ NATAL

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O PRINCIPEZINHO


Autor: Antoine de Saint-Exupéry

Título original: Le Petit Prince



Este é o livro que todos devem ler. Mesmo aqueles que não gostam de o fazer. E porquê? Porque este livro não é apenas um livro, não são apenas palavras escritas, misturadas ao gosto do autor. Este livro é uma gigantesca lição de vida. É isto que torna este livro imortal, um membro de um grupo restrito de obras que perdurarão muito para além da vida do seu autor.

 Ao início vemos um livro leve, pequeno, poucas palavras… mas todas elas são algo mais do que isso, são lições enigmáticas para as crianças que as lerem. São para os adultos lições que deveriam ser desnecessárias. Mas todas elas verdadeiras, que nos fazem questionar porque nunca estamos satisfeitos, porque queremos algo que não precisamos. O essencial não tem de ser comprado… o essencial é invisível para os olhos.
Este livro faz-nos pensar. Cada página, cada capítulo, por mais pequeno que seja, tem o seu significado. Sim, o essencial é mesmo invisível. Aquilo que sentimos, aquilo sem o qual não conseguimos viver e que normalmente só sentimos verdadeiramente quando perdemos. A grande generalidade do Ser Humano é assim, sem capacidade de expressar o amor que sente. Mostrar ódio é tão mais fácil e a ironia é o facto de conseguirmos viver sem ele, mas nunca sem amor.  Afastamo-nos tantas vezes do que nos dá prazer, tal como o homem que nesta história deseja não voltar a ter sede para não ter de beber água, sem perceber que beber com sede é um prazer ao qual ele foge. Mas porque fugimos nós dos nossos prazeres? Porque perdemos a ingenuidade de criança onde existem menos barreiras? São os preconceitos? É a sociedade que nos molda? Afinal o que nos rouba a capacidade de abraçarmos quem queremos, de dizer o que sentimos, o que realmente é importante e essencial? Todos nós já sentimos que deveríamos ser algo mais, deveríamos ter dado mais um abraço ao nosso pai, à nossa mãe, à pessoa com quem casamos ou namoramos, sem os quais não conseguimos viver…  ser criança é mais fácil, mais verdadeiro. Devíamos ser crianças mais tempo para abraçarmos mais vezes quem amamos…

O Principezinho passa por todas estas questões. A relação com a sua flor é tudo isto que mencionei. A flor que deseja ser admirada, não pede a amizade do rapazito, ao contrário da raposa que apenas deseja ser amada. Não, a flor quer algo que não se pede, porque se for pedido, não será verdadeiro. O Principezinho percebe tarde demais que há muito que gosta da flor. Ela é importante! Apenas quando não a pode proteger o rapaz sente esse sentimento invisível e aos poucos deseja que tivesse feito algo mais. Todos o desejamos um dia...
O homem que cria laços acabará sempre por chorar, irá sempre sofrer um dia, mas desde quando é que isso nos deve impedir?
A flor acaba por ser amada, talvez sempre o tenha sido, mas não o sentiu, não completamente, como ela o desejava, à sua maneira. O Principezinho demonstra-o de forma diferente. E isto acontece diariamente no nosso mundo. Cada pessoa demonstra, mais ou menos, o que sente, mas por vezes quem é amado não o percebe, não recebe a mensagem. Mas se aqueles que verdadeiramente amamos não o sabem, então quem saberá?

A história do Principezinho é uma bela viagem por vários planetas, onde se encontram personagens distintas. Todos eles são o autor principal de uma nova lição, e cada leitor acabará por retirar as suas conclusões, tal como o Principezinho o faz e também ele evolui... e se passamos a vida a caminhar, quantas vezes sabemos para onde vamos? O Principezinho também aprende a escolher o seu caminho e a escrita fácil de Saint-Exupéry leva-nos sem esforço nesta viagem.
Este rapazito tem um bocadinho de cada um de nós. Teimoso, curioso, talvez apenas sozinho… por vezes preocupado, por vezes descontraído. É impossível não sentir afecto por esta personagem, e por vezes até sofremos com as suas palavras, pois estão cheias de sentimento. Estão cheias de algo invisível.
Este livro é para mim do melhor que já li. Como é que um livro tão pequeno pode ter tanto para dizer? Não o deixem ficar na estante. Recomendo-o a todos, seja qual for a idade, mesmo àqueles que não costumam ler. Leiam este livro lentamente, tentem “arranjar” um significado para cada página, e no fim sentirão uma satisfação que poucos livros podem oferecer. Depois de o lerem, uns anos mais tarde, repitam a leitura. Terá certamente novos significados, porque nós mudamos, e estamos sempre prontos a aprender algo novo, com significados distintos, consoante as nossas vivências.
Obrigatório.
 Inesquecível.
Obra-prima.
O mais triste não é existirem pessoas que não leram este livro. O triste é todos aqueles que o leram, terem esquecido o que aprenderam nestas palavras.

Os homens deixaram de ter tempo para conhecer o que quer que seja, compram as coisas já feitas aos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens deixaram de ter amigos

Só se pode exigir a uma pessoa o que essa pessoa pode dar.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Blog: 6 meses!

Hoje o Blog Ler y Criticar faz os seus primeiros seis meses de "vida".

Começou tudo sem grande planeamento, sem saber o que deveria escrever, sobre que livros falar, o próprio nome do Blog não foi muito pensado. Foi a primeira "coisa" que saiu e que ainda não existia neste enorme universo de blogs literários. Porque o fiz? Porque gostava de seguir o Blog Estante de Livros e achei que podia, esporadicamente escrever sobre alguns livros. Mesmo que ninguém lesse, ao menos eu teria para sempre as minhas opiniões aos muitos livros que leio.

Hoje o meu blog já é mais do que estava à espera de alcançar. 19 mil visitas, 183 fãs no Facebook, 92 seguidores, 500 comentários. Serão certamente números insignificantes para outros blogs, mas para mim já é algo que me faça continuar a escrever!

Para que fique registado e um dia eu possa recordar, fica aqui a curiosidade de o meu post mais visitado ser o texto que escrevi: O Senhor dos Anéis vs A Guerra dos Tronos, seguido de muito perto pelo passatempo A Dança dos Dragões.
Um agradecimento especial à Editora Saída de Emergência por colaborar comigo em dois passatempos até agora, tornando este blog muito mais "visível". 

Um agradecimento ainda a todos os que visitam este meu espaço, aos que comentam, aos que divulgam! Espero que continuem a aparecer! Eu continuarei a dar a minha mais sincera opinião sobre os livros que vou lendo!

Obrigado a todos e até já!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

À BOLEIA PELA GALÁXIA


Autor: Douglas Adams

Título original: The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy


Sinopse: Segundos antes da Terra ser destruída para dar lugar a uma auto-estrada inter-galáctica, o jovem Arthur Dent é salvo pelo seu amigo Ford Prefect, um alienígena disfarçado de actor desempregado. Juntos, viajam pelo espaço na companhia do presidente da galáxia (ex-hippie, com 2 cabeças e 3 braços), Marvin (robot paranóico com depressão aguda), e Veet Voojagig (antigo estudante obcecado com todas as canetas que comprou ao longo dos anos). Onde estão essas canetas? Porque nascemos? Porque morremos? Porque passamos tanto tempo entre as duas coisas a usar relógios digitais? Se quer obter estas respostas, estique o polegar e apanhe uma boleia pela galáxia.

 
Este livro é famoso, muito famoso. Mas não em Portugal… reparem: esta saga de Douglas Adams, sendo este o primeiro livro, é a grande saga de humor dentro do género fantástico e tal nota-se quando pesquisamos na net e vemos algumas votações.
- 4º lugar no top 100 de livros favoritos de FC, no site Sci-Fi Lists.
- 2º lugar no top 100 dos livros favoritos de fantástico, do site NPR
- 4º na lista The Big Read da BBC

Em Portugal o livro é publicado em 2005 por uma editora que estando nos primeiros anos de vida ainda não tinha a projecção de outras. Depois o filme em Portugal passa completamente ao lado do público, não está ao nível do livro (uma adaptação completamente falhada na minha opinião visto que nem o consegui ver até ao fim) e terá certamente ajudado a que muitos fugissem destas páginas de Adams. Resultado? O livro ainda só deve ter uma edição e eu não conheço pessoalmente ninguém que o tenha lido. Vamos tentar mudar este facto.

Claro que vocês podem dizer: “Votações não confirmam a qualidade de um livro, apenas o fanatismo de alguns leitores”. Correcto. Passemos então à qualidade do livro.
À Boleia pela Galáxia é daqueles livros que na minha opinião só pode causar duas reacções: ou detestamos e nem o acabamos, ou simplesmente adoramos. Eu faço parte do segundo grupo.
Douglas Adams escreve um livro genial, “um clássico” como a crítica o apelidou. Cheio de um humor fantástico, por vezes britânico, por vezes negro, outras vezes simplesmente parvo (parabéns à tradução por não destruir esse humor), personagens incríveis, momentos de enorme estupidez e factos no mínimo improváveis. Este é o livro ideal para quem goste de fantástico, de leituras leves e de rir com o que lê. Eu li o livro sempre com um sorriso nos lábios e por duas vezes chorei de tanto rir (até contagiei o meu pai que estava na sala comigo), e que melhor sensação do que essa quando estamos a passar uma fase em que nos encontramos cansados e psicologicamente mortos? Uma lufada de ar fresco!

As personagens são muito boas e Marvin torna-se instantaneamente uma personagem a reter na nossa memória, pois o seu estado depressivo é de tal forma genial que nos fará rir ao imaginarmos aquele robot cabisbaixo. Os diálogos são o ponto forte, simplesmente fabulosos dentro do género, e que encaixam na perfeição em tudo o que Adams inventa. A forma como Adams escreve também é de assinalar. Com humor e ironia, satiriza no seu Universo o que existe na realidade Terrestre: Governos, Religião, Filosofia, etc… falando desde pessoas que tentam ser intelectuais passando por ricos que compram coisas caras sem sentido, apenas para impressionar outros ricos. Podia estar aqui o dia todo...
No fim ficarão a saber o porquê de uma toalha ser o mais importante objecto a levar numa viagem, para onde vão todas as canetas que existem, quem é afinal o ser mais inteligente da terra… só não saberão o significado do número 42. Mas como diz o livro na sua primeira página: NÃO ENTREM EM PÂNICO! A realidade é que no fim, se pensarem, perceberão que este livro é muito mais inteligente do que parece.

Se apreciarem este género literário, em Portugal mais famoso pelas mãos de Pratchett e Gaiman, então este livro é simplesmente obrigatório. Não poderia recomendá-lo mais pois é o que mais gostei dentro do humor fantástico. Agora é esperar até ter o segundo livro e podem contar com nova crítica!

Agradecimento especial à editora Saída de Emergência por ter publicado este livro quando mais nenhuma o fez. Afinal de contas o livro já tinha mais de 25 anos quando chegou finalmente ao nosso país. Este junta-se às sagas O Mago, Duna e Guerra de Tronos; livros em que ninguém queria apostar.


Este planeta tem (ou melhor, tinha) um problema que era o seguinte: a maioria das pessoas que nele vivia andava infeliz a maior parte do tempo. Muitas soluções foram sugeridas mas a maior parte estava relacionada com o movimento de pequenos pedaços de papel verde, o que é estranho porque, na verdade, não eram os pedaços de papel verde que andavam infelizes.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

HARRY POTTER e a Ordem da Fénix

Autor: J. K. Rowling

Título original: Harry Potter and the Order of the Phoenix



Quando comecei a ler este livro já há muito tempo o Harry Potter era a minha saga de eleição. Devorara os livros anteriores, esperara impacientemente por este e no fim o sabor foi uma mistura entre ter gostado porque é um Harry Potter, e não ter gostado porque era um Harry Potter.
Passo a explicar: Rowling deixara-me maravilhado com o livro anterior. Voldemort estava de volta, a história estava mais negra, mais madura e agora a saga aproximava-se do fim. As expectativas eram altas para este livro e a verdade é que o devorei como qualquer outro. No entanto, apesar de ter adorado ler mais páginas desta saga, o livro em si foi uma pequena desilusão (como já referi as expectativas eram muito altas).

Este livro não é mau, longe disso, mas tem pequenos problemas que o tornam o pior da saga na minha humilde opinião. Primeiro é um livro lento, algo que nunca acontecera na série. Depois há ali muita coisa que talvez não necessitasse de estar lá, e por fim há a questão de como a história é empurrada para um específico acontecimento final. É de tal forma notório como a autora nos empurra para esse acontecimento que fiquei deveras desiludido. Outro factor que me chateou foi o facto de Harry passar grande parte do livro chateado, de forma algo incongruente com a sua personalidade dos livros anteriores, pelo menos está exagerado. Depois percebemos que essa raiva é necessária para nos empurrar (desculpem por usar esta palavra tantas vezes) para os tais acontecimentos do fim do livro, o que deixa uma sensação ainda pior para quem lê.
No entanto também devemos perceber o que Rowling tenta passar com essa raiva: um rapaz com demasiada responsabilidade e que não a aguenta sozinho. Ninguém a aguenta sozinho, muito menos quando começa a notar que à sua volta ainda há quem não o aceite como alguém que deva ser ouvido, respeitado. Percebe-se, mas achei forçado todo o comportamento de Harry.

Não me interpretem mal, o livro continua a ser bom, viciante, cheio de magia, alegria, diálogos espectaculares como Rowling nos habituou, e com acontecimentos que serão de enorme importância no futuro… percebo ainda o final que Rowling nos dá, mas é a forma como leva Harry Potter até ele que me desagradou. Afinal Dumbledore simplesmente ficou parvo neste livro, perdendo toda a sua esplendorosa inteligência? Até eu, leitor, percebi que algo estava mal ali. O facto de Rowling ter “rebaixado” a genial capacidade da personagem Dumbledore, é o defeito central deste livro, algo que se agrava quando lemos os livros seguintes e reparamos na grandeza do plano do Director de Hogwarts. Plano esse que é a prova da genialidade de Rowling!

Mas tirando este pequeno detalhe, que peca por não ser consistente com tudo o resto, a verdade é que Rowling consegue manter esta série em grande. A “evolução na maturidade” continua presente, há um enaltecer dos interesses políticos que dão um ar refrescante à saga, temos o romance a aparecer em força, e  muito mais. Rowling mantém a sua capacidade de inovar, de inventar como poucos e novamente acaba o livro em grande, deixando-nos a ferver pelo próximo, ainda para mais ao notar-se como este livro é mais negro, dando uma ideia de como sombrio será o futuro, de que ninguém está a salvo.
Claro que podemos apontar o facto de Rowling apenas nos dar acontecimentos importantes no fim dos seus livros. Podemos ainda apontar o facto de as personagens serem logo à partida definidas entre boas e más, não existindo nenhuma, até agora, que esteja no meio termo… mas também nestes termos Rowling evolui neste livro, e tal irá notar-se ainda mais nos próximos. Rowling tem ainda aquela capacidade rara de nos fazer adorar e odiar personagens, e eu provavelmente nunca odiei tanto uma personagem como odiei a Dolores Umbridge!

No global este livro é o que demora mais a desenvolver, é o mais lento, mas também demonstra momentos muito importantes, sendo sempre um grande livro para qualquer fã da série. Rowling continua a melhorar o seu mundo mágico, a sua escrita continua viciante, continua a ter a sua magia, a ser Harry Potter, a saga que meteu o mundo a ler, e mesmo sendo o que menos gostei de toda a saga de 7 livros, é uma obra com excelentes momentos.
Como sempre digo: leiam esta saga!