Autor: Douglas Adams
Título original: The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy
Sinopse: Segundos antes da Terra ser destruída para dar lugar a uma auto-estrada inter-galáctica, o jovem Arthur Dent é salvo pelo seu amigo Ford Prefect, um alienígena disfarçado de actor desempregado. Juntos, viajam pelo espaço na companhia do presidente da galáxia (ex-hippie, com 2 cabeças e 3 braços), Marvin (robot paranóico com depressão aguda), e Veet Voojagig (antigo estudante obcecado com todas as canetas que comprou ao longo dos anos). Onde estão essas canetas? Porque nascemos? Porque morremos? Porque passamos tanto tempo entre as duas coisas a usar relógios digitais? Se quer obter estas respostas, estique o polegar e apanhe uma boleia pela galáxia.
Este livro é famoso, muito famoso. Mas não em Portugal… reparem: esta saga de Douglas Adams, sendo este o primeiro livro, é a grande saga de humor dentro do género fantástico e tal nota-se quando pesquisamos na net e vemos algumas votações.
- 4º lugar no top 100 de livros favoritos de FC, no site Sci-Fi Lists.
- 2º lugar no top 100 dos livros favoritos de fantástico, do site NPR
- 4º na lista The Big Read da BBC
Em Portugal o livro é publicado em 2005 por uma editora que estando nos primeiros anos de vida ainda não tinha a projecção de outras. Depois o filme em Portugal passa completamente ao lado do público, não está ao nível do livro (uma adaptação completamente falhada na minha opinião visto que nem o consegui ver até ao fim) e terá certamente ajudado a que muitos fugissem destas páginas de Adams. Resultado? O livro ainda só deve ter uma edição e eu não conheço pessoalmente ninguém que o tenha lido. Vamos tentar mudar este facto.
Claro que vocês podem dizer: “Votações não confirmam a qualidade de um livro, apenas o fanatismo de alguns leitores”. Correcto. Passemos então à qualidade do livro.
À Boleia pela Galáxia é daqueles livros que na minha opinião só pode causar duas reacções: ou detestamos e nem o acabamos, ou simplesmente adoramos. Eu faço parte do segundo grupo.
Douglas Adams escreve um livro genial, “um clássico” como a crítica o apelidou. Cheio de um humor fantástico, por vezes britânico, por vezes negro, outras vezes simplesmente parvo (parabéns à tradução por não destruir esse humor), personagens incríveis, momentos de enorme estupidez e factos no mínimo improváveis. Este é o livro ideal para quem goste de fantástico, de leituras leves e de rir com o que lê. Eu li o livro sempre com um sorriso nos lábios e por duas vezes chorei de tanto rir (até contagiei o meu pai que estava na sala comigo), e que melhor sensação do que essa quando estamos a passar uma fase em que nos encontramos cansados e psicologicamente mortos? Uma lufada de ar fresco!
As personagens são muito boas e Marvin torna-se instantaneamente uma personagem a reter na nossa memória, pois o seu estado depressivo é de tal forma genial que nos fará rir ao imaginarmos aquele robot cabisbaixo. Os diálogos são o ponto forte, simplesmente fabulosos dentro do género, e que encaixam na perfeição em tudo o que Adams inventa. A forma como Adams escreve também é de assinalar. Com humor e ironia, satiriza no seu Universo o que existe na realidade Terrestre: Governos, Religião, Filosofia, etc… falando desde pessoas que tentam ser intelectuais passando por ricos que compram coisas caras sem sentido, apenas para impressionar outros ricos. Podia estar aqui o dia todo...
No fim ficarão a saber o porquê de uma toalha ser o mais importante objecto a levar numa viagem, para onde vão todas as canetas que existem, quem é afinal o ser mais inteligente da terra… só não saberão o significado do número 42. Mas como diz o livro na sua primeira página: NÃO ENTREM EM PÂNICO! A realidade é que no fim, se pensarem, perceberão que este livro é muito mais inteligente do que parece.
Se apreciarem este género literário, em Portugal mais famoso pelas mãos de Pratchett e Gaiman, então este livro é simplesmente obrigatório. Não poderia recomendá-lo mais pois é o que mais gostei dentro do humor fantástico. Agora é esperar até ter o segundo livro e podem contar com nova crítica!
Agradecimento especial à editora Saída de Emergência por ter publicado este livro quando mais nenhuma o fez. Afinal de contas o livro já tinha mais de 25 anos quando chegou finalmente ao nosso país. Este junta-se às sagas O Mago, Duna e Guerra de Tronos; livros em que ninguém queria apostar.
Este planeta tem (ou melhor, tinha) um problema que era o seguinte: a maioria das pessoas que nele vivia andava infeliz a maior parte do tempo. Muitas soluções foram sugeridas mas a maior parte estava relacionada com o movimento de pequenos pedaços de papel verde, o que é estranho porque, na verdade, não eram os pedaços de papel verde que andavam infelizes.
Este planeta tem (ou melhor, tinha) um problema que era o seguinte: a maioria das pessoas que nele vivia andava infeliz a maior parte do tempo. Muitas soluções foram sugeridas mas a maior parte estava relacionada com o movimento de pequenos pedaços de papel verde, o que é estranho porque, na verdade, não eram os pedaços de papel verde que andavam infelizes.


