sexta-feira, 9 de novembro de 2018

OS IRMÃOS KARAMÁZOV


Autor: Fiódor Dostoiévski



Sinopse: Os Irmãos Karamázov foi um dos últimos livros escritos por Dostoiévski e é uma das suas obras primas. Considerado por muitos um romance filosófico, nesta apaixonante história o autor explora as questões existenciais da fé religiosa e da dúvida, do livre-arbítrio e da moralidade.
Com a família Karamázov, através dos seus dramas, mistérios e triângulos amorosos, Dostoiévski retrata a Rússia do século XIX naquela que foi a idade de ouro e um ponto de viragem trágico na cultura russa.



Este não é um livro para todos os leitores. Começo com este facto, porque realmente não é um livro para todos. Este é um livro lento, duro, angustiante, grande, memorável, capaz até de alterar a nossa forma de ver a literatura enquanto obra de arte. Considerado como um dos melhores livros de sempre, a sua leitura é, ao mesmo tempo, um esforço e um prazer.

Tentar falar sobre este livro não é fácil. São poucos, muito poucos, os livros que exploram a mente humana como esta obra. Numa fase inicial percebemos que a história é sobre os Karamázov onde suspense, mistério e romance estão ligados de forma suave, por vezes quase dissimulada, mas capaz de explorar as personagens enquanto desenvolve a história. É, tal como se espera, um livro lento, detalhado, focado nos detalhes que mais tarde se tornam importantes na construção da personagem, pois cada momento é um momento de aprendizagem, de definição de personalidade, com peso, com impacto no futuro.

E, aos poucos, torna-se em algo mais do que uma história sobre uma família. É uma viagem ao que nós somos. É um aprofundar ao que é a sociedade, ao que somos, como vivemos, o que pensamos. Mas é ainda mais... é uma luta pela constante procura de significado, de razão para viver ou morrer. É o constante questionar, mesmo que indireto, do que somos, para onde vamos, o que existe para além de nós. Porque estamos aqui? Porque morremos, porque decidimos, porque nem sempre fazemos o que é melhor para nós e também para todos? Porque é que a ganância, a inveja e a vingança são tão apelativas... E no fim percebemos, que este livro, esta obra prima, este livro intemporal, não é sobre os Karamázov... é sobre nós.

Luís Pinto


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