Autor: Alexandre Dumas
Título original: Le Comte de Monte-Cristo
Quando li pela primeira vez esta obra-prima de Dumas, fiquei maravilhado. Era uma história espectacular, como nunca tinha lido. Não demorou muito a voltar a lê-lo, afinal de contas não era um livro assim tão grande e eu simplesmente adorava-o. No entanto foram anos mais tarde que me apercebi, que o livro que tinha era apenas um resumo de quatrocentas ou quinhentas páginas. O livro em nenhuma parte indicara ser uma versão resumida. Era então tempo de ler a versão integral. 1200 páginas!
Se não tivesse lido antes a versão resumida, talvez as 1200 páginas fossem um entrave psicológico, mas eu já sabia o que esperar do livro, conhecia e sua qualidade e como tal a leitura começou. Quase não dei pelo tempo passar.
O Conde de Monte Cristo é indiscutivelmente um dos melhores livros que já li. Uma verdadeira obra-prima que qualquer pessoa deve ler, um dos meus livros favoritos, estando muito acima de qualquer adaptação cinematográfica que tenha visto. A personagem principal, Edmond Dantés, mostra-se desde o início como aquele homem cheio de honra, ingénuo por achar que tal moralidade vence no mundo e acima de tudo é um homem realmente bom, preocupado, voluntário para tudo, ajudando o próximo.
Claro que a grande maioria já ouviu falar da história. Dantés, acusado e preso injustamente regressará da prisão onde passou mais de uma dezena de anos, e executará a sua vingança. Esta é a vingança perfeita, durante anos planeada, possibilitada pelo dinheiro e consequente poder. A cada página que lemos mais sorrimos ao ver o progresso de Dantés, o prazer da sua vingança, a perfeição com que a executa, deixando para trás qualquer sentimento que possa atrapalhar. Nós leitores, contamos, um, dois, três... e sorrimos de felicidade ao vermos esta personagem a vencer, mas a vingança nunca preenche totalmente.
As personagens completas, profundas, quase reais, são do melhor que já li, capazes de obrigar qualquer leitor a gostar ou odiar, aproximando-nos tanto do livro que o parecemos viver. Pelo menos foi o que eu senti.
É difícil “arranjar” um tema para este livro. Há quem diga que é sobre amor, outros sobre vingança. Há quem fale que se trata de um livro que busca a prova da existência de Deus, ou de algo que empurra Dantés para a sua vingança. Há ainda quem diga que é a inveja que move este livro, a inveja de pessoas que já têm tanto mas que simplesmente são infelizes por invejar o próximo. Pessoalmente não me sei decidir. Este livro tem tudo o que enumerei antes, e muito mais. Talvez este livro seja a busca da razão na mente de Dantés. Talvez seja a necessidade de ele arranjar um motivo, talvez divino, para o que faz, tornando-o inocente aos seus próprios olhos. A loucura da vingança cega-nos, destrói-nos o sentido de lógica ou moral, e Dumas mostra-nos isso como ninguém.
Qual é o limite que nos obriga a parar? O que precisamos de alcançar numa vingança para nos sentirmos satisfeitos, vencedores? Conseguirá Dantés sentir que recuperou os anos perdidos na prisão? Poderá alguém sentir tal coisa?
Qual é o limite que nos obriga a parar? O que precisamos de alcançar numa vingança para nos sentirmos satisfeitos, vencedores? Conseguirá Dantés sentir que recuperou os anos perdidos na prisão? Poderá alguém sentir tal coisa?
Estas 1200 páginas serão difíceis de ler no início, talvez nas suas duzentas ou trezentas páginas iniciais, o ritmo não seja o mais apelativo para alguns, mas trata-se da construção para o que virá, e no fim percebemos que cada página deste livro não está a mais. depois, quando começamos a sentir a injustiça, torna-se impossível de parar. Recomendo absolutamente este livro, como um dos que mais gostei de ler. Uma verdadeira obra de génio de Alexandre Dumas, um verdadeiro clássico, uma leitura obrigatória para qualquer tipo de leitor. Se gostarem tanto deste livro como eu, então garanto-vos que o voltarão a ler e terá sempre um lugar especial na vossa estante.
De realçar ainda como um livro tão antigo consegue parecer tão actual. As suas personagens, as suas motivações, tudo antigo e actual ao mesmo tempo. A natureza humana mantém-se.
De realçar ainda como um livro tão antigo consegue parecer tão actual. As suas personagens, as suas motivações, tudo antigo e actual ao mesmo tempo. A natureza humana mantém-se.





