quinta-feira, 11 de julho de 2019

O PERIFÉRICO


Autor: William Gibson



Sinopse: Num mundo dominado pelo virtual, qual é o valor da realidade? Flynne e o seu irmão Burton vivem numa América onde os empregos que não estão relacionados com o negócio da droga são raros.
Burton sobrevive com os apoios concedidos aos veteranos devido a danos neurológicos que sofreu quando fazia parte de uma equipa de elite do exército. Mas o dinheiro é sempre curto e por isso Burton faz alguns biscates a testar jogos de computador.
Certo dia, Flynne aceita substituir o irmão no teste de um novo e misterioso jogo. E a sua vida nunca mais será a mesma.
Não só o ambiente do jogo parece mais realista do que qualquer outro que já experimentara, como Flynne pensa ter presenciado um homicídio. E se é apenas um jogo… porque é que agora a sua vida corre risco?


William Gibson é o famoso autor de Neuromancer, um dos melhores livros de sempre no seu estilo, mas aqui com "O periférico" tem, provavelmente, o seu segundo  livro mais adorado e aclamado pela crítica, vencedor de todo o tipo de prémios para literatura fantástica e ficção científica. O autor que é considerado o pai do Cyberpank tem uma grande variedade de trabalhos e este é, provavelmente, o livro que mais gostei de Gibson.

O que é a realidade? Qual o seu valor? A realidade é subjetiva a cada um de nós? Tendo com base estas questão filosóficas, o autor explora a tecnologia, até onde ela irá, o quanto nos irá enganar e moldar a nossa forma de viver e de ver o mundo, não só como sociedade, mas também como realidade.

O enredo é forte, misterioso e com um ritmo que vai crescendo sem nunca deixar que o leitor se aborreça, porque o autor vai abrindo aos pouco esta realidade que criou, respondendo a perguntas e criando outras novas que nos empurram para as páginas seguintes. No entanto, apesar de o livro se focar bastante no mundo, nas regras e sua coerência, o autor não perde o foco na história principal e na investigação que leva o leitor a fazer. Estamos sempre a procurar falhas, a tentar testar e questionar se o que estamos a ler é a realidade do livro ou não e aos poucos somos, tal como o personagem principal, alguém que não sabe o que é real ou não.

Com uma história coerente e que no fim faz sentido, Gibson teve aqui uma ideia forte, bem explorada, bem concretizada e que apesar da sua complexidade, não é difícil de ler e compreender. Os diálogos são bons, raramente senti que algo estava a ser forçado e a história agarrou bastante porque a parte tecnológica mistura-se muito bem com a parte filosófica. Não é um livro para qualquer leitor, devido às questões que levanta, mesmo que indiretamente, mas se apreciam o género, então provavelmente será um dos melhores livros que irão ler nos próximos tempos. Totalmente recomendado!

Luís Pinto



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