terça-feira, 20 de novembro de 2012

OS FILHOS DE KRONDOR - O Corsário do Rei


Autor: Raymond E. Feist

Título original: The King's Buccanneer



Após quatro livros da saga O Mago, no qual Feist elevou, e muito, a qualidade da literatura fantástica, o quinto livro (e primeiro desta saga) virou-se para os jogos políticos e intriga de bastidores sempre presente na realeza e nas relações entre nações vizinhas. Este livro, 6º do mundo de Midkemia e 2º da saga Filhos de Krondor, deixou um pouco para trás esta tendência e regressa à fantasia/magia que vimos nos primeiros livros.

Na minha opinião, e olhando para a qualidade do livro como um todo, este livro ainda não está ao nível dos primeiros quatro, mas consegue estar acima do anterior, e porquê? Essencialmente porque consegue ser melhor em tudo o que é essencial a este género literário.

Em primeiro lugar temos as personagens, melhor construídas, com uma relação entre principais e secundárias que tornam o livro fácil e divertido de ser ler. Nicholas, personagem principal (terceiro filho de Arutha), conseguiu convencer-me muito mais do que Borric e Erland no anterior livro, principalmente por se mostrar mais humano, com altos e baixos, coragem e medo, sabedoria e ignorância.
O regresso de Pug é muito bem-vindo e o autor consegue manipular bastante bem as suas ações, por forma a limitar a influência no enredo de um personagem tão poderoso e que faria a história acabar muito mais depressa. Mas é Nakor o grande trunfo deste livro. Ganhando importância, responde a algumas questões que deixara no livro anterior e levanta muitas mais, tornando-se num dos catalisadores do desvendar da trama.

O livro começa com um bom ritmo, abrandando a meio, onde começamos a ver as movimentações de algumas peças, para voltar a acelerar no fim. Feist continua com o seu sentido de humor e diálogos convincentes, e não deixando o leitor perceber tudo o que se passa. Todavia, é notório desde o início, que este livro tem uma maior ligação com a saga O Mago do que tinha o livro anterior (O Príncipe Herdeiro), com o autor a criar mais civilizações, expandindo o seu universo cada vez mais, com coerência e sempre com detalhes que as distinguem entre si.

No entanto, este livro também fica marcado pelo revelar de algumas "leis" da magia presente neste mundo. É verdade que fica muito por explicar, mas temos uma noção suficiente para vermos onde este universo nos pode levar e quais as limitações da fantasia criada por Feist.

Num livro com um bom final e uma trama central bem conseguida, Feist mostra-se mais cruel em relação ao destino das suas personagens (apesar de algumas ainda mostrarem a proteção do autor à sua volta) e também em relação à crueldade presente no mundo. Considerado o grande escritor da fantasia depois de Tolkien, e um dos que mais influenciou o género, Feist consegue mais um grande livro, mesmo não estando ao nível da primeira saga. É divertido, é fantástico e é certamente a rampa de lançamento para a próxima saga (pelo menos é o que o nome SerpentWar indica). Ao fim de seis livros, Feist confirma, cada vez mais, que o seu universo tem de ser lido.

Entrevista ao blog Rute Canhoto


Hoje trago-vos uma pequena entrevista que dei à Rute Canhoto para o seu blogue e deixo-vos aqui o link a todos os que estiverem interessados em lê-la, mas também em conhecer este blog caso nunca tenham passado pelas suas páginas.

Uma vez mais obrigado à Rute por me ter convidado e espero que continue com esta iniciativa por muito tempo, divulgando um pouco a história de outros blogues!


Espero que gostem e aproveitem para ver outras entrevistas no blogue da Rute!







sexta-feira, 16 de novembro de 2012

O REGRESSO DO ASSASSINO

Autor: Robin Hobb

Título original: Fool's Errand: The Tawny Man



Fitz regressa numa nova saga e as expectativas são altas. No meu caso, a vontade de ler estes novos livros era ainda maior, pois adorei o final da saga anterior (um sentimento que nem todos os leitores partilham), graças ao facto de Fitz ser o Sacrifício.

Muitos anos se passaram e as primeiras páginas são o reencontro de Fitz com antigos amigos, enquanto a autora nos vais mostrando o que se passou neste salto temporal entre as duas sagas.
Hobb é, uma vez mais, fantástica a explorar sentimentos e aprendizagens, e este livro fica marcado pela grande mudança de Fitz. Se na saga anterior víamos uma personagem com grande tendência para a imaturidade e muito improviso, agora temos um Fitz muito mais maduro, e esta diferença suporta todo o livro, dando-lhe uma grande coerência e tornando o livro mais maduro e agradável de ler.

Claro que voltar a ler sobre algumas personagens que adoramos, é excelente. Fitz, Bobo, Olhos-de-Noite, Breu... estão todos bem conseguidos e entramos na história facilmente, com as personagens já bem definidas e sem necessidade de introduções, e como tal, esta saga será muito melhor para quem tenha lido a anterior. Hobb parte de imediato para o desenrolar da história e começamos aos poucos a perceber todo um novo "quadro" político e social. Este é um dos grande trunfos deste livro. Hobb não se limitou a criar uma nova história num mundo já existente: ela redefine esse mundo, ajustando-o ao enredo, e algumas das questões que ficaram por esclarecer na saga anterior, são agora respondidas, dando início a novas questões! Esta sensação de que o mundo não ficou estático, mas também evoluiu, é bastante importante nestas situações.

O ritmo do livro é talvez o seu maior ponto negativo, pois na grande maioria das páginas, é lento (apesar de não tanto como no último livro da saga anterior) e por vezes sentimos que o livro é demasiado grande e se arrasta. É verdade que nunca foi maçador, mas nota-se o grande objetivo da autora em baixar o ritmo para nos "mostrar" mais sobre a Manha. Este aspeto dá a noção de toda uma preparação para os livros seguintes, e acredito que esta saga seja baseada nesta preparação que é dada ao leitor. No entanto gostava que o livro fosse mais "rápido" e acredito que alguns leitores fiquem desiludidos com este aspeto.

O enredo é muito bom, apesar de a trama central ser previsível tal como as ações de algumas personagens, mas nada disto retira a qualidade ao livro. Hobb melhora todas as suas personagens, torna-as mais reais e desenvolve bastante a ligação entre Fitz e o seu lobo, sendo esta ligação o grande trunfo do livro. Pelo meio há alguns momentos marcantes e que irão definir o futuro da saga, e admiro a autora pela sua coragem.

Resumindo, no geral este livro apresenta mais qualidade que os anteriores, notando-se até que a autora está cada vez melhor na forma como transmite certas sensações. Este é o meu livro preferido das histórias de Fitz, e se para alguns poderá ser desilusão, para mim este livro é um fantástico início de saga, da qual não poderia já pedir todas as respostas nem toda a ação que terá de ficar para os livros seguintes. Este livro é o início e faz o seu papel na perfeição, mas o leitor terá de encarar esta obra como o início de algo e não como uma continuação!

Podia falar muito mais sobre as personagens, forma de escrita ou sobre as expectativas que tenho, mas vou esperar pelos próximos livros. Para já digo-vos: gostei muito, mesmo muito, e recomendo-o totalmente a quem apreciar este género... e assim que tiver oportunidade, voltarei para continuar! 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Passatempo: Aristides de Sousa Mendes - Vencedor!

 
PASSATEMPO

 
Aristides de Sousa Mendes
Um Herói Português

 
Vencedor!
Chegou ao fim mais um passatempo que teve muitas participações! Desde já, um obrigado a todos os que participaram e espero que este passatempo vos tenha dado mais vontade de ler o livro!
 
 
Para os que não ganharam, desejo-vos boa sorte para a próxima e uma vez mais, obrigado!
 
 
 
Este foi mais um passatempo em parceria com a Editorial Presença, à qual agradeço, e para os curiosos, podem encontrar mais informações sobre o livro neste link, e a minha opinião neste link.


E o vencedor é:

Teresa Maria Valente de Carvalho

Parabéns à vencedora!

Mais passatempos em breve!

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

ARISTIDES DE SOUSA MENDES - Um Herói Português


Autor: José-Alain Fralon

Título original: Le Juste de Bordeaux


Nós Portugueses, sempre conseguimos, na generalidade, esquecer ou não dar mérito a nós próprios, preferindo muitas vezes, admirar os feitos daqueles que não nasceram no nosso país.
Na ciência, na cultura, no desporto... ou em qualquer outro ramo, somos, quase sempre, levados a desvalorizar o que temos, talvez por ignorância ou até construção social. Todos o fazemos...

Aristides de Sousa Mendes é um dos casos mais gritantes. Como pode este homem, ser mais admirado "lá fora" do que no país onde nasceu?

Este livro tenta destruir um pouco o esquecimento construído, e por vezes imposto, sobre os feitos de um dos grandes heróis do nosso povo, mas também do mundo. Aristides, seria certamente, um homem que ao morrer, sabia que a sua vida tinha sido mais do que respirar. Quantas pessoas conseguiram dar tamanho significado a uma vida?

Falando um pouco sobre o livro em si, o autor consegue cativar desde o início, não só por ser um tema interessante à partida, mas também porque a linguagem é fácil e objetiva, sem lugar a momentos de grande monotonia. Em termos de investigação, não tenho, obviamente, a capacidade de saber até que ponto o trabalho do autor é bem feito, mas tenho de elogiar a capacidade que o autor teve em ligar certos factos e acontecimentos, ajudando a que o leitor nunca se sinta perdido. No geral, este parece-me um relato bastante completo que nos mostra toda a vida de um homem.

Mas esta obra tem como objetivo mostrar a dimensão que foi a vida deste Consul. Fralon consegue, e com facilidade, vincar a personalidade de Sousa Mendes, e este é para mim um dos pontos mais importantes: compreender os motivos, as convicções e a fé deste homem, para perceber o porquê de nunca ter desistido. Quantos conseguiram não desistir, mesmo perante a sua própria destruição?
A obra mostra-nos a educação de Aristides e seu irmão gémeo César, e imediatamente começamos a ver pequenos traços que mais tarde serão os pilares da obra deste homem, tornando toda a obra mais pessoal e interessante.

Com uma convicção impressionante e enorme noção do que estava a fazer e qual seria o seu futuro, Aristides terá sido, certamente, uma personalidade fascinante e à qual deveríamos dar muito mais mérito, e dar a conhecer. Eu, um simples rapaz, tudo o que já sabia sobre este homem, soube por iniciativa própria, e tal facto é chocante! As ações serão sempre mais fortes do que as palavras, então mostrem as ações deste homem! Contem-nas aos nossos adolescentes, estudem-nas na escola, e com orgulho, mostrem à humanidade que alguns não se limitaram a ver o mundo arder.

Numa opinião onde as minhas palavras nunca farão justiça a um homem que deu tudo e morreu na miséria, apenas posso aconselhar qualquer pessoa a ler esta história, a conhecer mais sobre esta época e sobre os homens que fizeram a diferença, mostrando-nos que os extremos estão muitas vezes a atuar ao mesmo tempo, e é nos momentos de maior crueldade que vemos aparecer a maior bondade.

Para os interessados, podem ver mais sobre o livro neste link da editora.