terça-feira, 11 de novembro de 2014

TRASH - Os rapazes do lixo


Autor: Andy Mulligan

Título original: Trash



Sinopse: Num país do terceiro mundo, num futuro não muito distante, três rapazes tentam sobreviver nas montanhas de lixo nos subúrbios de uma metrópole. Num dia de sorte e azar, Raphael encontra algo muito especial e misterioso. Tão misterioso que decide guardar, mesmo que a polícia da cidade ofereça uma bela recompensa pela sua devolução. Essa decisão traz terríveis consequências, e em breve os rapazes do lixo vão ter de usar toda a sua astúcia e coragem para escapar aos seus perseguidores.


Trash foi uma das surpresa mais agradáveis que li nos últimos tempos. No início pareceu-me uma interessante história para jovens, mas aos poucos tornou-se em algo mais. Trash é um daqueles enredos que não podemos resumir a um objetivo. O que temos aqui poderá parecer uma história sobre sonhos de infância, ou sobre desejar ter uma vida melhor do que aquela que a sociedade à nossa volta nos pode dar, porque nascemos no sítio errado. Ou pode parecer que estamos perante um grito de revolta, um libertar que leva à mudança de rumo de uma sociedade corrupta em que nenhum valor moral está acima do dinheiro.

É por não se focar em nenhum aspeto em particular, mas sim numa mistura de vários, que Trash ganha a coerência que o torna num bom livro, com várias questões morais e muitas lições a retirar. É inevitável sentir que o autor nos tenta dar a noção que mesmo no local mais corrupto e sem esperança, podem existir pessoas com valores, pessoas que não são egoístas, e é por isso que este é um livro focado no público jovem, porque tem valores que devem ser transmitidos.

E é assim que este conjunto de rapazes demonstra um lado da humanidade que nem sempre vemos, e que raramente aparece quando existe dinheiro envolvido. Mulligan escreve de forma simples, com um ritmo interessante, essencial para que um público mais jovem, que possa não ter um ritmo natural de leitura, aqui consiga seguir a história com relativa facilidade. A isto junta-se o facto de o enredo ser interessante, primeiro porque nos ligamos rapidamente aos rapazes, e segundo porque o que eles descobrem no lixo é a metáfora para qualquer acontecimento em que a nossa vida pode mudar para sempre, sendo que à partida pode parecer uma mudança melhor, mas existem sempre fatores que podem levar a acontecimentos indesejados. Nenhum acontecimento pode apenas ser positivo... talvez esta seja uma das mensagens do livro, mas a verdade é que os rapazes, tal como nós leitores, sentimos o entusiasmo da descoberta.

Sendo um livro com grande foco na amizade, existe aqui um braço de ferro em relação à justiça social e às oportunidades que as pessoas têm na vida. Todavia, o livro tem algumas falhas, não por erros em si, mas porque não explora algumas personagens que poderiam oferecer muito mais ao enredo. No entanto, esta opção entende-se, porque de outra forma a narrativa perderia o ritmo que agarra o público adolescente, e acredito que o autor fez uma boa escolha.

Trash é um livro adolescente que transmite valores e ideias interessantes. É uma luta sobre a sobrevivência física e moral num mundo que nem sempre o permite. É, acima de tudo, um livro que demonstra a determinação de alguns e a ganância de muitos, levando ao choque moral pelo qual vale a pena ler este livro. Em certos momentos choramos, noutros sorrimos, noutros ficamos preocupados, tal como na vida. Muito recomendado ao público adolescente, mas não só, porque a moral e a amizade existem em todas as idades.

Luís Pinto 

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Passatempo: Pack Saída de Emergência

 
PASSATEMPO
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O blog Ler y Criticar tem o prazer de vos trazer um passatempo em parceria com a editora Saída de Emergência e o blog Morrighan.


Iremos oferecer um pack com três livros da editora Saída de emergência, e para se habilitarem a ganhar, basta seguir os seguintes passos:


- Ser fã no facebook dos dois blogs: Ler y Criticar e Morrighan
- Ser fã no facebook da editora Saída de Emergência
- Preencher o formulário com os vossos dados


 O passatempo termina dia 24 de novembro

Apenas é permitida uma participação por pessoa
Apenas podem participar por um dos blogs para que não existam repetições





sexta-feira, 7 de novembro de 2014

UM, DÓ, LI, TÁ


Autor: M. J. Arlidge

Título original: Eeny Meeny



Sinopse: Uma jovem rapariga surge dos bosques após sobreviver a um rapto aterrador. Cada mórbido pormenor da sua história é verdadeiro, apesar de incrível. Dias mais tarde é descoberta outra vítima que sobreviveu a um rapto semelhante.
As investigações conduzem a um padrão: há alguém a raptar pares de pessoas que depois são encarcerados e confrontados com uma escolha terrível: matar para sobreviver, ou ser morto.
À medida que mais situações vão surgindo, a detetive encarregada deste caso, Helen Grace, percebe que a chave para capturar este monstro imparável está nos sobreviventes. Mas a não ser que descubra rapidamente o assassino, mais inocentes irão morrer?


Não será fácil, para mim, fazer uma análise a este livro sem revelar certos momentos, mas vamos tentar...

Este livro começa de forma intensa, rápido, inteligente. Estas três palavras acompanham-nos durante toda a leitura, tornando-o num thriller com qualidade mas que poderá não agradar a todos. Começando pela personagem principal, Grace, estamos perante uma personagem muito bem construída. É, sem qualquer dúvida, um dos pontos fortes do livro e é também um dos pontos em que o leitor não se ligará ao livro. Grace, apesar de ser a detetive e de querermos que tenha sucesso, apresenta uma personalidade com a qual não é fácil simpatizar. Este facto dá brilhantismo ao livro porque não nos afeiçoamos mas não conseguimos parar de ler, porque Grace tem a determinação para resolver o caso e somos contagiados por essa determinação.

Outro ponto que que agarra o leitor é a inteligência do vilão. Aqui é difícil analisar sem dar exemplos, mas a forma como o vilão atua está muito bem explorada e encaixa na montagem do enredo. Se olharmos para o enredo e para a narrativa, vemos capítulos curtos, com diferentes pontos de vista e que em certos momentos nos dão uma segunda visão do mesmo acontecimento. Esta montagem da narrativa parece que não convence no início, porque estarmos a ler, mesmo que apenas esporadicamente, o mesmo acontecimento, parecendo que quebra o ritmo da leitura, mas oferece uma compreensão que facilita no final em que é preciso compreender como tudo aconteceu.

Um dos melhores aspetos de um thriller é manter o equilíbrio entre não nos dar tempo para respirar, mas dar o tempo necessário para que também façamos a nossa investigação. Muito do prazer de ler um thriller é tentar adivinhar quem é o vilão ou como o conseguiremos apanhar. Este livro, de forma muito subtil, oferece este equilíbrio. O problema do enredo poderá estar no final, que não irá agradar a alguns leitores pela forma repentina como tudo é resolvido. Sinceramente, gostei da forma como tudo acaba, mesmo tendo em conta que ficaram no ar algumas perguntas menos importantes. A forma como o enredo para é um risco, mas é feito de forma inteligente. No entanto, como disse, não agradará a todos.

Todavia, as pequenas falhas que o livro tem conseguem ter esquecidas graças a um bom ritmo, a uma personagem principal muito boa e a uma montagem inteligente e diferente que nos leva a manter um ritmo mas sem perder o que é importante. Pelo meio o livro leva-nos, indiretamente, a questionar o que nós faríamos em certos momentos e até que ponto nos sacrificaríamos. Até onde poderá chegar o sacrifício que fazemos por alguém que amamos? E é nesses momentos, em que temos de decidir o que sacrificar, que o leitor se aproxima do livro, tornando a leitura muito melhor.

Um, Dó, Li, Tá não é uma obra prima nem revoluciona o género, mas tem tudo o que um fã de thrillers procura numa leitura. Enquanto leitor, agradou-me imenso a ténue linha moral que Grace constrói durante todo o livro e que nos oferece uma sensação mais realista, porque as personagens principais não têm de ser imaculadas para conseguirem prender os vilões. Se gostam do género, este livro é uma boa escolha e que não esquecerão tão cedo.

Luís Pinto 

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Ler y Criticar nomeado no Top Blogs Awards


O blog Ler y Criticar foi nomeado nos prémios TOP BLOGS AWARDS para a categoria de Melhor Blogue - Literatura.

Neste momento a data de votações ainda não está anunciada, mas convido-vos a visitar o blog onde a votação será feita e nomeiem os vossos blogues favoritos antes que comecem as votações.

Assim que tiver mais novidades, aviso!

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL


Autor: John Keegan

Título original: The First World War



Neste livro terão pela frente 600 páginas de leitura numa "letra bastante pequenina". O que também terão pela frente é um fantástico livro sobre o que foi este conflito que mudou o mundo.

Este é, quase de certeza, o livro mais completo que alguma vez li sobre a Primeira Guerra Mundial. No entanto isso não vale de muito, pois não li assim tantos livros sobre o assunto, mas a crítica internacional considera este o melhor livro introdutório ao tema e, como tal, acredito que o seja.

O que temos neste livro é um olhar sobre os grandes aspetos que levaram ao conflito, o que mudou durante o conflito e as consequências do mesmo nos anos que se seguiram. No início temos uma abordagem bastante política sobre o que levou a europa a entrar em conflito, com um olhar atento sobre os movimentos e objetivos de alguns países, quais os seus interesses económicos e como a população via o início de algumas ações que poderiam levar a um conflito que acabou por ganhar proporções avassaladoras.

O grande trunfo deste livro, aliado ao enorme conhecimento que o autor tem, é a escrita. O livro está escrito e montado de forma muito inteligente por forma é ser fácil, a qualquer pessoa que pouco saiba sobre este conflito, perceber o essencial. Foi este aspeto que mais apreciei, o facto de o autor levar como adquirido que o leitor poderá não ter conhecimentos no início da leitura, e o autor oferece-os.

Depois de termos o conhecimento político e social que levaram ao conflito, começamos a ver as reações dos diversos países e o que fizeram para enfrentar ou evitar o conflito. Estratégias militares estão aqui bem exploradas e um dos pontos que mais apreciei foi a forma como o autor aprofunda o desenvolvimento industrial que dispara com esta guerra, levando países a produzir tudo o que é necessário, tentando depender o menos possível de outras nações para a produção de mantimentos, armamento e acessórios necessários à manutenção da guerra, quer seja roupa para soldados ou loiças necessárias para que os mesmos consigam comer nos campos de batalha.

A isto junta-se, mais tarde, o aprofundamento do tema Estados Unidos da América, que se tornam aqui uma potência mundial, devido a vários fatores e estratégias politico económicas. Por fim, e após termos um relato muito interessante sobre os 4 anos de conflito, vemos o que mudou. O autor explora a divisão da europa central, a forma como a União Soviética tenta ganhar o seu espaço na conjuntura política, o crescimento do movimento nazi e alguns pontos sociais que levarão, mais tarde ao segundo conflito mundial.

Não existe muito que possa analisar neste livro. Este não é um romance onde personagens, mundo criado e enredo sejam determinantes. Aqui o importante é o conhecimento que o autor nos oferece e a forma como o faz. Os pontos que foquei nesta análise são apenas a ponta do iceberg que o autor explora. No fim, após 600 páginas, sinto que o meu conhecimento sobre este conflito melhorou bastante, mesmo após já ter lido outros livros do tema. O detalhe sobre questões políticas e sociais é muito conseguido e a única coisa que posso fazer é recomendar este livro a todos os que queiram saber mais sobre este tema, pois trata-se de uma fantástica leitura e mesmo muito completa. Totalmente recomendado!

Luís Pinto