quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

O PRISIONEIRO DO CÉU


Autor: Carlos Ruiz Zafón

Título original: El prisionero del Cielo




Sinopse: Barcelona, 1957. Daniel Sempere e o amigo Fermín, os heróis de A Sombra do Vento, regressam à aventura, para enfrentar o maior desafio das suas vidas. Quando tudo lhes começava a sorrir, uma inquietante personagem visita a livraria de Sempere e ameaça revelar um terrível segredo, enterrado há duas décadas na obscura memória da cidade. Ao conhecer a verdade, Daniel vai concluir que o seu destino o arrasta inexoravelmente a confrontar-se com a maior das sombras: a que está a crescer dentro de si. Transbordante de intriga e de emoção, O Prisioneiro do Céu é um romance magistral, que o vai emocionar como da primeira vez, onde os fios de A Sombra do Vento e de O Jogo do Anjo convergem através do feitiço da literatura e nos conduzem ao enigma que se esconde no coração do Cemitério dos Livros Esquecidos.


Sem dúvida um dos melhores livro deste autor. Tal como todos os outros livros do autor, também este pode ser lido sem conhecimento das histórias anteriores, mas o conhecimento que os anteriores livros da saga nos dão é essencial para que nos seja possível perceber todos os detalhes que o autor espalha pelo enredo. Atentos, percebemos quando os livros se aproximam, vemos as ligações e tudo fica mais coeso, mais completo, com maior significado.

Neste livro, Zafón cria um grupo muito interessante de personagens e adiciona alguns já conhecidos, como Daniel, o personagem fulcral deste enredo. Aos poucos, enquanto o enredo é desvendado, vemos como Daniel é o catalisador do enredo, o homem que, sem querer, faz toda a trama avançar, desvendar-se e surpreender o leitor. Com uma narrativa dentro do seu estilo, Zafón acelera um pouco mais do que no livro anterior, agarrando o leitor de imediato, mostrando-lhe que a surpresa irá aparecer, e aparece.

No entanto, apesar de o ritmo ser mais alto, o autor não deixa de usar o seu estilo metódico, cheio de significado, por vezes quase incompreensível no imediato, criando no leitor uma sensação de que não estamos a ver tudo, que algo nos está a falhar. 

O que me surpreendeu mais neste enredo é o facto de ele se tornar muito mais psicológico do que eu estava à espera nas primeiras páginas. É verdade que o autor é mestre em levar o enredo para uma área sombria, enevoada, em que a parte psicológica dos personagens se revela, e aqui Zafón tem um dos seus melhores trabalhos no género, e tal é conseguido porque não vemos apenas o personagem a questionar-se... nós também nos questionamos. No fim, quando tudo se revela, as ligações são feitas, os livros encaixam, e sentimos que estamos no final da saga, que o plano de Zafón foi este e foi alcançado com grande qualidade. 

O que Zafón oferece aqui é um livro muito bom que torna toda a saga ainda melhor. É verdade que tem alguns momentos que parecem forçados, outros que são previsíveis, mas nada que retire qualidade a um livro que explora muito bem as suas personagens e transporta o leitor para um mundo sombrio com grande facilidade. Totalmente recomendado a quem gostar do género. Muito bom!

Luís Pinto

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Passatempo: Pack Sylvia Day - vencedor!


PASSATEMPO

Pack Sylvia Day

Feitiço
Pecado


Chegou ao fim mais um passatempo aqui no blog, com muitas participações, e, novamente, devo agradecer aos que tornaram este passatempo possível e a todos os que participaram.

Muito obrigado a todos. Infelizmente apenas podemos oferecer um pack. A todos os que não ganharam, não percam a oportunidade de participar em outros dois passatempos ativos no blog neste momentos.




E o vencedor é:

Marta R. da Cruz Oliveira

Parabéns à vencedora!

Estejam atentos a novos passatempos!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

EU, ALEX CROSS


Autor: James Patterson

Título original: I, Alex Cross




Sinopse: Um crime macabro. Alex Cross acaba de prometer à família que irá estar mais presente nas suas vidas quando recebe a notícia chocante de que a sua sobrinha foi barbaramente assassinada. Determinado a descobrir o criminoso, depressa percebe que ela estava envolvida num esquema de acompanhantes de luxo que concretizavam as fantasias dos homens mais poderosos de Washington, DC. E ela não foi a única vítima.
Um assassino infiltrado no poder. A caça ao assassino leva o detetive e a sua companheira, a detetive Bree Stone, a entrarem num mundo a que só os mais ricos e poderosos têm acesso. À medida que se aproxima da verdade, Alex Cross descobre segredos que poderão fazer tremer o mundo inteiro. Uma coisa é certa: quem está nesse círculo restrito tudo fará para manter os seus segredos bem guardados.



Este foi uma das minhas leituras favoritas deste autor. "Eu, Alex Cross" é mais pessoal do que a maioria dos livros de Patterson e oferece uma mistura do melhor que o autor já nos ofereceu. Curiosamente, é estranho sentir que este livro poderia ser ainda mais rápido, pois tens sub-enredos que pouco oferecem à narrativa principal e à construção de personagens. Mas, podendo ser já uma intro para próximos livros (pois o autor raramente "enche" os seus livros), não o posso criticar até ver o que estes sub-enredos irão oferecer no futuro. 

Aqui Patterson mistura vários temas. A política tem agora um peso maior no enredo e mistura-se nos problemas pessoais das personagens principais. O que Patterson tenta alcançar neste livro é a demonstração que certos acontecimentos podem acontecer a qualquer momento. A vida é mesmo isso... de repente algo pode acontecer. Aqui Patterson tenta colocar Cross nessa situação, em que o "controlo" da sua vida lhe foge devido ao aglomerar de alguns acontecimentos. 

Como sempre, o autor prende-nos com a mesma fórmula, e continua a resultar. A verdade é que facilmente conseguimos identificar os aspetos essenciais desta fórmula vencedora: capítulos curtos em que no final de cada fica a vontade de ler o próximo, ritmo elevado, sem parar para descrever algo que não seja fundamental, e ainda alguns saltos entre "bons" e "maus" para que seja possível perceber o porquê, levando a que não seja necessário receber toda a informação no fim. O problema é que apesar de a fórmula estar estudada, muito poucos a conseguem reproduzir com qualidade, mas Patterson é o mestre do seu peculiar género. 

Com a fórmula usada, Patterson explora o mundo secreto que apenas o dinheiro consegue comprar e manter, criado de imediato uma aura de secretismo na narrativa, pois estamos a ver a descrição de um mundo ao qual não temos acesso, dando ao autor a liberdade para criar, e a nós a liberdade de especular sobre as possibilidades. A isto Patterson alia uma trama mais próxima de Cross e o livro torna-se, tal como o livro anterior, num enredo mais pessoal, ideal para se explorar a família de Cross e os traumas do detetive. 

Tudo o resto que possa aqui analisar apenas irá estragar as surpresas que o autor nos reservou nestas páginas. Intenso, mesmo que mais lento do que os outros livro da série, este é o mais pessoal dos enredos e aquele em que conhecemos melhor Alex Cross, porque é nos piores momentos que nos revelamos realmente, e Cross não é exceção. Mais um livro dentro do nível que James Patterson nos habituou e um dos que gostei mais, principalmente porque ao ir conhecendo o personagem principal, vou apreciando melhor as suas decisões, os seus medos, levando-me a apreciar mais o enredo.

Luís Pinto

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

AS LUZES DE SETEMBRO


Autor: Carlos Ruiz Zafón

Título original: Las luces de septiembre



Sinopse: Um misterioso fabricante de brinquedos que vive em reclusão numa gigantesca mansão povoada de seres mecânicos e sombras do passado... 
Um enigma em torno de estranhas luzes que brilham entre a neblina que rodeia a ilhota do farol. Um ser de pesadelo que se oculta nas profundezas do bosque... 
Estes e outros elementos tecem a trama do mistério que unirá Irene e Ismael para sempre durante um mágico Verão em Baía Azul. Um enigma que os levará a viver a mais emocionante das aventuras num labiríntico mundo povoado de luzes.
Um livro fascinante de intriga, fantasia, mistério e amor com uma tensão e um suspense que aumenta à medida que avançamos na história. E sempre envoltos numa atmosfera ameaçadora.



O fim da trilogia Neblina é o ponto mais alto da mesma. Este terceiro livro da famosa trilogia de Zafón é mais adulto, mais negro, mais intenso, e mesmo sabendo que o livro nos irá surpreender, iremos ficar surpreendidos.

Para mim, este é dos melhores livros juvenis que li nos últimos tempos. Muito mais maduro, o enredo leva-nos por ambientes sombrios e onde o terror ganha um novo peso. A escrita de Zafón consegue ser fascinante, consegue abraçar-nos e levar-nos para uma casa que aos poucos nos arrepia e seduz. E é neste ambiente, magnificamente criado, que a narrativa nos leva a conhecer os personagens principais. Acreditando que cada leitor crie as suas próprias ligações, a minha ligação mais forte neste livro foi com Ismael. A isto se deve o facto de o autor explorar mais estas personagens do que fez nos anteriores livros da saga, tornando o enredo em algo mais pessoal e que tem como base as próprias pessoas.

É esse o grande trunfo do livro, o facto de num ambiente de terror serem os traumas de cada personagem que nos levarão a continuar a ler, querendo saber o que acontecerá de seguida. E, lentamente, o que parece ser um livro de thriller/terror, transforma-se num livro psicológico, onde as personagens e os seus segredos me surpreenderam, tornando, inevitavelmente, este enredo numa história sobre aqueles que se transformam devido a um acontecimento: o abrir dos olhos para a realidade em que vivemos, ou a perda da inocência que nos altera para sempre o caminho que na juventude traçamos para a nossa vida.

Com uma escrita inteligente e cheia de significado, Zafón leva-nos pelos corredores de uma casa que não queremos conhecer, e esses corredores não são mais do que as próprias vidas dos seus personagens, demonstrando que devemos continuar em frente, mesmo que o caminho seja o mais difícil. No final, seremos surpreendidos, e as ligações entre os três livros é feita de forma ténue, mas perfeita. 

Com uma trilogia adolescente, Zafón cresce e leva o leitor a crescer. O leitor mais adulto pode estranhar algumas personagens mais juvenis, alguns momentos mais óbvios, mas no global, a trilogia tem a qualidade que este género de livro deve ter. Rápido, intenso e inteligente, esta é uma trilogia para qualquer idade desde que se goste do género, e acredito que a grande maioria dos fãs do autor gostem muito, porque a magnífica escrita de Zafón está aqui bem presente, dando um toque de qualidade que poucos autores alcançam.

Luís Pinto

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Passatempo: O Bicho-da-Seda


PASSATEMPO

O Bicho-da-Seda
de Robert Galbraith


Hoje começa, em parceria com a Editorial Presença, mais um passatempo que me deixou bastante entusiasmado. Depois de um primeiro livro que gostei bastante, Cormoran Strike está de volta.

Para participarem basta responderem a uma pergunta e preencherem o formulário.

O passatempo termina dia 30 de janeiro e apenas é permitida uma participação por pessoa.

Podem encontrar a resposta à pergunta na sinopse do livro.

Boa sorte a todos!


Sinopse: Quando o escritor Owen Quine desaparece, a sua mulher contrata os serviços do detetive privado Cormoran Strike. De início pensa que o marido se ausentou por uns dias - como já acontecera anteriormente - e recorre a Strike para o encontrar e trazer de volta a casa. No decorrer da investigação, torna-se claro que o desaparecimento do escritor esconde algo mais. Quine tinha acabado de escrever um romance onde caracterizava de forma perversa quase todas as pessoas que conhecia. Se o livro fosse publicado iria certamente arruinar algumas vidas - pelo que haveria várias pessoas interessadas em silenciá-lo. E quando Quine é encontrado, brutalmente assassinado em circunstâncias estranhas, começa uma corrida contra o tempo para tentar perceber a motivação do cruel assassino, um assassino diferente de todos aqueles com quem Strike se tinha cruzado... 

Robert Galbraith é um pseudónimo de J. K. Rowling, a autora dos livros da série Harry Potter e de Uma Morte Súbita, também publicados em Portugal pela Editorial Presença.