terça-feira, 30 de setembro de 2014

Passatempo: Maze Runner - vencedor!


PASSATEMPO

Maze Runner

Vencedor!


Chegou ao fim mais um passatempo em parceria com a Editorial Presença, a quem agradeço esta excelente oportunidade. Foi mais um passatempo com um bom número de participações. Infelizmente apenas um participante receberá este livro em casa.

A todos os que não ganharam, estejam atentos, que vamos ter uma boa leva de passatempos nos próximos tempos!



E o vencedor é:

Lúcia Fernandes Rodrigues Neto.

Parabéns à vencedora!




Sinopse: Thomas percebe então que se encontra num elevador e que chegou a um lugar estranho, um espaço que se abre entre muros altíssimos e que o enche de pânico. Lá fora, como se estivessem à sua espera, uma pequena multidão de rapazes adolescentes como ele. As suas vozes saúdam-no com piadas juvenis, proferidas numa linguagem que lhe parece estranha. Dizem-lhe que aquele lugar se chama a Clareira e ensinam-lhe o que sabem a respeito daquele mundo. Tal como acontece com Thomas, não se lembram da sua vida anterior, mas ali estão perfeitamente organizados, cumprindo preceitos que ninguém deve quebrar. No fim desse primeiro dia de Thomas naquele lugar, acontece algo inesperado — a chegada da primeira e única rapariga, que traz uma mensagem que mudará todas as regras do jogo. Uma série de grande sucesso, que agradará tanto aos fãs de Jogos da Fome como a todos os apreciadores do género fantástico ou de distopias apocalípticas. A sua versão cinematográfica estreia brevemente em Portugal.




sexta-feira, 26 de setembro de 2014

A PRIMEIRA REGRA DOS FEITICEIROS


Autor: Terry Goodkind

Título original:Wizard's first rule 




Este é um livro de fantasia adolescente, que muitos leitores irão gostar, mas sofre de alguns problemas neste primeiro livro, e que poderá resolver nos seguintes. Vejamos então o que torna este livro bom, mas ligeiramente inconstante.

Em primeiro lugar este livro sofre com a sua divisão em relação ao livro original e, como tal, o final recente-se, ficando a sensação de que falta algo mesmo tendo em conta que termina num momento importante para o enredo. Todavia, o problema não está na divisão em si, mas no facto de existirem muitas perguntas que ficam por responder e que faria sentido terem respostas neste primeiro livro. Quando começamos a perceber alguma da trama e a ter um maior conhecimento das personagens, o livro acaba. 

No entanto o livro tem bastante pontos positivos. Em primeiro lugar a escrita simples do autor, que apesar de ser repetitiva em alguns momentos, é rápida e claramente direcionada para um público adolescente, mas apresentado temas adultos dentro de um universo que ainda tem muito para ser explorado.

Começando pelo enredo, o autor cria a base normal para este género, com as várias etapas da criação do herói da história. Vemos a sua evolução e as suas falhas, algo que me agradou bastante, pois estamos perante um homem que em muitos aspetos foge do herói tradicional. Por vezes surpreendeu-me, por vezes pareceu incoerente, mas aos poucos, enquanto o vamos conhecendo, mas percebendo que existe uma personalidade muito interessante neste personagem. Existem ainda outras personagens que nos agarram, mas que ainda não tiveram "tempo" para se desenvolverem ao ponto de sentirmos que as conhecemos, mas acredito que o autor faça um bom trabalho neste aspeto.

Outro ponto que me agradou foi a possibilidade de lermos alguns capítulos sobre o ponto de vista do vilão, ajudando a criar suspense, pois sabemos alguns detalhes do seu plano, mas principalmente porque vai de encontro ao que o autor tenta passar durante grande parte do livro: de que qualquer vilão, à sua maneira, acredita estar a fazer o correto e a praticar a justiça. Este é, para mim, o ponto mais interessante do enredo, apesar de ainda pouco explorado, pois o autor tem a possibilidade de nos dividir com este aspeto, e se nunca vamos aceitar as ações horrorosas do vilão, vamos tentar compreendê-las, abrindo a visão do autor para o que acontece neste mundo.

Todavia, o livro sofre com alguns clichés que vão aparecendo e com surpresas que não são, na realidade, surpresas. Todos esses momentos marcam a nossa foram de ler, mas são esquecidos pelo facto de o ritmo do livro ser alto, empurrando-nos para as páginas seguintes enquanto desenvolve o seu mundo e a magia que o preenche. A questão é que o autor demonstra estar a criar um mundo gigantesco e diversificado, mas ainda não teve páginas suficientes para mostrar alguns aspetos essenciais, e ficamos ao nível do personagem principal, um homem que pouco sabe do mundo para lá das fronteiras da sua região e que agora terá de explorar. 

O enorme sucesso desta saga é o seu atestado de qualidade, principalmente se tivermos em conta que se trata de uma saga bastante grande e que não perdeu leitores, e comprovado no facto de ter sido adaptada para a televisão. Do meu ponto de vista (de quem apenas leu metade do livro original), esta saga tem tudo para ser algo bom e viciante. Nunca perdi a vontade de ler e as várias perguntas que ficam fazem-me querer continuar a ler, porque estou muito curioso. Ainda não me fascinou, mas acredito que o faça nos próximos livros.

Luís Pinto

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

A OESTE NADA DE NOVO


Autor: Erich Maria Remarque

Título original: All quiet on the Western front




Este é considerado o melhor, ou pelo menos um dos melhores livro algumas vez escritos sobre a Primeira Guerra Mundial.

Quando há dois anos li o seu livro "Uma noite em Lisboa" (podem ler a minha opinião aqui), soube que, mais cedo ou mais tarde, teria de ler a obra prima de Remarque e não fiquei desiludido. Remarque tem uma escrita que nos marca, com descrições diretas, sem problemas em chocar-nos para nos mostrar a realidade, com momentos que, acredito, nunca mais irão esquecer. 

No que difere este livro dos outros? A grande diferença é que todo o livro apenas se foca no lado humano, deixando política e estratégia militar fora do enredo. Sem fazer foco a nenhum acontecimento histórico em particular dentro da guerra em si, Remarque leva-nos pelo olhar de um soldado alemão de 19 anos, que se alista cheio de sonhos, orgulho e força, para depois nos mostrar as suas transformações, físicas e psicológicas, durante a guerra, passando de seguida um olhar por aqueles que sobreviveram, mas que nunca mais serão os mesmos.

Remarque irá chocar o leitor, não pelas fortes descrições visuais, mas pelo olhar que consegue oferecer do que estes soldados vêem, do que sentem, do que perdem e do que ganham. É uma visão aterradora, tal como o é a própria guerra feita por aqueles que estão atrás de secretárias, e aos poucos toda a moral se perde,  toda a justiça ou noção de dever. É apenas a luta pela sobrevivência daqueles que poderiam ter outra vida e que não tinham noção do que os esperava. Poderá alguém, por mais filmes ou documentários que tenha visto, por mais livros que tenha lido, estar minimamente preparado para o que a guerra lhe irá oferecer?... não. E no fim, a única coisa que se conseguiu, foi sobreviver, e digo "única" porque tudo o resto se perdeu.

Este não é um livro que nos tente agarrar com uma história, mas sim mostrar a realidade. Nesse aspeto, Remarque conseguiu-o melhor do que qualquer outro livro que tenha lido sobre o tema. A psicologia explorada ao máximo. O que nos faz matar, o que pensamos quando o fazemos, o que sentimos entre as batalhas enquanto o corpo descansa? O que custa perder o amigo ao nosso lado...

Claro que nenhum livro é perfeito, mas nunca tinha lido um livro tão bom sobre a 1ª Guerra Mundial. Existem momentos e diálogos que não esquecerei tão cedo e no fim fica a sensação que esta obra apenas está ao alcance de um grande escritor que viveu aqueles momentos. E por isso digo que há livros que todos devemos ler, e este é um deles. Para quê? Para sabermos o que somos capazes de fazer para sobreviver e o quanto esses momentos limite nos mudam para sempre, porque certos acontecimentos são mais do que a nossa mente consegue suportar. 

Este livro ficou de tal forma comigo que enquanto escrevo este texto, recordo aquele rapaz de 19 anos, os seus sonhos e orgulho patriótico em contraste com a seguida compreensão da realidade da guerra, e acredito que a sua história foi verdadeira, pois muitos jovens terão passado pelo mesmo. É esse soco no estômago que não se esquece e que me fará voltar a ler este livro quando for mais velho, provavelmente com outro olhar sobre alguns temas, mas, no fim, com a mesma sensação de que o Homem é mesmo capaz do mais puro ato de amor, mas também do extremo oposto, e pelo meio, uns apenas tentam sobreviver.

Luís Pinto  

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

ATÉ QUE SEJAS MINHA


Autor: Samantha Hayes

Título original: Until you're mine




Tentando resumir a base desta história, temos três mulheres com diferentes obsessões, sendo que o foco vai para Zoe e Claudia, sendo Zoe o catalisador de toda a história com a sua obsessão em relação à maternidade. 

A partir do momento em que Zoe se torna a ama dos filhos de Claudia  percebemos a tensão a aparecer no enredo e para isso muito contribui a narrativa, focada nos pontos de vista destas três mulheres. Esse será, provavelmente, o grande trunfo do livro: a narrativa por três pontos de vista, capaz de nos focar os problemas psicológicos de cada personagem, desvendando, aos poucos, os objetivos e os motivos de cada uma. 

E em poucas páginas somos prisioneiros desta tensão criada pelo desvendar psicológico de personagens que temos noção... irão ter ações para lá da lógica, apenas próprias dos obcecados que não conhecerão limites para alcançarem o desejado. É quando ganhamos essa noção que deixamos de conseguir fechar o livro. Até onde irá cada uma destas personagens? Até que ponto o seu ponto de vista é credível com o que realmente está a acontecer? Até que ponto o que parece lógico na narrativa da personagem, realmente é?

Mantendo sempre um ritmo elevado, a autora sabe cativar o leitor. Revela aos poucos, e apesar de existirem alguns momentos incoerentes, tal não rouba a qualidade que o livro tem e que em grande parte se deve à forma como o enredo é contado. O final, realmente surpreendente, não explica tudo, mas fica perto, deixando algumas perguntas para o próximo livro que contará com outros pontos de vista.

Pessoalmente o que gostei mais foi a forma como a autora explorou uma questão sensível, que é a necessidade, e por vezes dificuldade que envolve a maternidade. A autora explora, e bem, tanto a obsessão de quem não consegue ter uma "relação saudável" com a segurança/insegurança dos seus filhos, e por outro lado temos a obsessão de quem não consegue ser mãe.

Não querendo revelar momentos ou até outras personagens ou temas catalisadores desta história, devo apenas dizer que a autora consegue criar tensão desde o primeiro momento. Existem alguns momentos que parecem incoerentes com a personalidade de uma personagem, mas tudo isso é esquecido num livro que me fez ler sem parar. Um verdadeiro thriller psicológico, bem montado, com muitos momentos inteligentes e muitas pontas soltas para que tentemos adivinhar o fim. E provavelmente ficarão surpreendidos.

Se gostam do género, é claramente um livro a ler e no meu caso foi uma leitura surpreendente. Venha o próximo!

Luís Pinto

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

O AMIGO ANDALUZ


Autor: Alexander Soderberg

Título original: Den Andalusiske Vannen



Sinopse: Sophie Brinkmann é uma viúva que leva uma vida tranquila nos subúrbios de Estocolmo até conhecer Hector Guzman, um homem sofisticado e elegante. Ela não faz ideia de que sob o charme daquele homem se esconde algo sinistro. Hector é o cabecilha de uma organização criminosa. Ele está habituado a obter tudo o que quer, e o que ele agora quer é aniquilar os seus rivais.
Antes de se aperceber do verdadeiro mundo em que Hector se move, Sophie vê-se enredada numa implacável teia. Com a casa sob vigilância e a família em risco, em quem poderá ela confiar, quando a própria polícia é tão perigosa quanto os criminosos?
Neste primeiro volume da trilogia Brinkmann, Alexander Söderberg presenteia-nos com um magnífico romance sobre o mundo sórdido do tráfico de armas e droga, dando-nos ao mesmo tempo um retrato magistral da fragilidade humana.




Os policiais nórdicos estão na moda. Não o podemos negar, e as editoras apostam no género porque irá vender. Uns são bons, outros nem por isso. Este livro de Soderberg, autor que já vendeu milhões, começa com uma complexidade acima da média, principalmente graças a um número elevado de personagens para o que estamos habituados dentro dos thrillers policiais. O resultado é um início lento, onde temos de colocar as peças com cuidado por forma a sentirmos que estamos a perceber o que estamos a ler.

Facilmente percebemos que o autor arrisca ao criar um enredo confuso nas primeiras páginas, mas também percebemos que o objetivo desta aparente confusão é deixar-nos em pé de igualdade com a personagem principal que se vê envolta num cenário de mistério em que personagens aparecem e desaparecem sem que seja possível percebermos quem são, porque estão presentes, o que querem, o que são capazes de fazer.

E assim, tal como Sophie, tentamos ler estas personagens que o autor teima em enublar, desvendando aos poucos, levando-nos a perceber as decisões deste ou daquele homem.  Esta é a beleza do livro pois a sua base encaixa na narrativa. A base é simples e resume-se ao facto de precisarmos de muito tempo para conhecermos totalmente uma pessoa. Há segredos que demoram anos a revelarem-se e por vezes confiamos na pessoa errada. Confiar em alguém é um passo que devemos dar, umas vezes acertamos, outras não, e na maioria das vezes não decidimos, de forma consciente, confiar ou não numa pessoa. É algo que nos ultrapassa.

Este é um enredo em que Sophie confia no seu paciente e mais tarde descobre que não é quem aparenta ser. Nós, leitores, sentimos o mesmo em relação às restantes personagens e a beleza é essa, e se por um lado o livro estranha-se e demora a arrancar, por outro agarra-nos porque queremos saber o que a narrativa ainda não nos disse.

Sendo uma trilogia, o enredo tem margem para ser complexo e para nos deixar com várias perguntas que apenas serão respondidas nos próximos livros. Como tal, deixo o enredo "de lado" nesta crítica e foco-me no melhor deste livro: o leque enigmático de personagens. Apresentam falhas, apresentam segredos, e apesar de a grande maioria ser dona de decisões morais questionáveis, aos poucos percebemos essas decisões e notamos que são intervenientes com a complexidade exigida para uma boa saga, dando a clara sensação que se trata de um enredo que tem uma boa base para se tornar ainda melhor nos próximos livros.

Sendo um thriller não quero tocar na história, que é interessante e tensa. O livro tem como grande qualidade as suas personagens e a narrativa que consegue tornar enublado o que queremos saber, desvendando aos poucos, agarrando-nos para a página seguinte. Tem falhas e aspetos que deve melhorar, tem outros aspetos que percebemos que estão "escondidos" para serem revelados nos próximos livros. Resumindo, um bom início de saga, que não sendo deslumbrante, agradará aos fãs do género. Irei ler os próximos, pois fiquei muito curioso sobre que caminho o autor irá avançar.

Luís Pinto