segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

CENTURIÃO


Autor: Simon Scarrow

Título original: Centurion






Sinopse: No primeiro século d.C., o Império Romano enfrenta uma nova ameaça do seu inimigo de longa data, a Pártia. Os partos disputam com Roma o controlo por Palmira, um reino neutro e próspero. A casa real de Palmira encontra-se à beira da revolta, e Cato e Macro assumem o comando de uma missão perigosa para defender o rei e a sua guarda. Mas quando a Pártia descobre que as legiões romanas se preparam para um confronto, juntam os seus exércitos para a guerra. A coorte de Macro tem que marchar contra o inimigo e penetrar no coração do território traiçoeiro. Se querem evitar que Palmira caia nas mãos da Pártia, terão que derrotar números superiores num cerco desesperado. A conquista de paz nunca foi tão difícil, ou crítica, para o futuro do Império.


Uma vez mais regresso a esta enorme e viciante saga sobre o Império Romano, onde Cato e Macro são os personagens em destaque. O que me tem agradado nesta saga é a consistência do autor, apresentando novos desafios, ambientes e personagens que ajudam a que a saga nunca pareça demasiado repetitiva. O estilo permanece igual, com um ritmo elevado durante a grande maioria do tempo, com grande foco para a vida política de Roma mas também para o dia a dia dos soldados romanos. Esta mistura entre as duas classes sociais ajuda a que o autor continue a aumentar a sua visão sobre o império e o que o sustenta, sendo, inevitavelmente o que também o fará cair.

O autor continua a explorar de forma bem conseguida algumas personagens que não irei aqui revelar e que ajudam a que o enredo seja mais coeso, não sendo tão focado nas personagens principais como era no início da saga. A escrita mantém o seu estilo e agarra o leitor. Claro que é preciso gostar do tema e querer saber mais sobre a História deste império para se ler uma saga que no final terá mais de dez livros. No meu caso, ler esta saga de seguida acabaria por destruir a própria saga e o bom trabalho do autor, mas voltando aos poucos faz-me querer continua a ler e saber mais sobre como estas pessoas viviam, pois esse é um dos trunfos do autor, conseguir explorar a vida naquela época, como se viva nos acampamentos, como se preparavam as batalhas nos mais diferentes cenários de guerra.

Simon Scarrow tem aqui uma saga que é divertida mas que consegue ser pesada quando é preciso. A capacidade do autor de explorar os melhores e os piores aspectos de Roma é um grande trunfo que se mistura com o choque de culturas entre o império e os chamados povos bárbaros. Tudo isto, aliado a personagens cativantes, fazem-me continuar a ler. E é o que farei. Tal como já disse outras vezes, se gostam de histórias sobre o Império Romano, então esta saga deve ser lida.

Luís Pinto

Top Imprensa Awards 2016


TOP REVIEW AWARDS 2016 

Ler y Criticar nomeado para Melhor Blog de Literatura
 

O grupo Top Imprensa Awards está de regresso, como tem acontecido sempre no início de cada ano, com a iniciativa Top Review Awards 2016.

Como sempre trata-se de uma iniciativa que tem como objetivo promover o que se faz no mundo dos blogs em Portugal, nomeando os que consideram ser os melhores nas mais diversas categorias, pelos mais variados motivos.

Este ano o Ler y Criticar volta a estar nomeado e as votações já estão a decorrer. Para saberem tudo sobre esta iniciativa e votarem nos vossos blogs favoritos, deixo-vos aqui o link onde o podem fazer.

As votações estão abertas até ao fim do mês e todos os que votarem ficam habilitados a ganhar prémios.

Agora vá toca a votar nos vossos favoritos!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

PRÍNCIPE DOS ESPINHOS


Autor: Mark Lawrence

Título original: Prince of Thorns






Sinopse: Com apenas 9 anos, numa emboscada planeada pelo inimigo para erradicar a descendência real, o príncipe Jorg Ancrath é atirado para dentro de um espinheiro, onde fica preso, com espinhos cravados na sua carne, a ver, impotente, a mãe e o irmão mais novo a serem brutalmente assassinados.
De alma destruída, sedento de sangue e de vingança, Jorg foge da sua vida luxuosa e junta-se a um bando de criminosos e mercenários, a quem passa a chamar de irmãos. Na sua mente há apenas um pensamento, matar o Conde de Renar, o responsável pelas mortes da mãe e do irmão, pelas suas cicatrizes e pela sua alma vazia.
Ao longo de quatro anos, Jorg cresce no seio de batalhas sangrentas, amadurece em guerras impiedosas, torna-se um guerreiro cruel e vai ganhando o respeito dos seus irmãos até que se torna o seu líder. Agora, um reencontro vai levá-lo de volta ao castelo onde cresceu e ao pai que abandonou. O que vai encontrar não é o mesmo sítio idílico de que se lembra, mas o príncipe que agora retorna também não é mais a inocente criança de outrora, é o Príncipe dos Espinhos. 



Fazendo uma pausa em livro mais factuais, decidi regressar à fantasia para começar a ler esta saga que tem dividido os leitores. Ao fim de ler este primeiro livro percebo essa divisão, pois o livro tem pontos fortes e outros fracos, mas já la vamos, pois no global é um livro bastante viciante.

Existem dois factores que distinguem este livro: a escrita do autor e o seu personagem principal. Começando pela escrita, o autor quer manter o ritmo sempre elevado e consegue, levando a que qualquer leitor acaba por agarrar-se à história e se entregue a uma leitura feroz. O problema é que o autor mantém o ritmo sempre elevado, mesmo nos momentos em que deveria travar e explorar mais um momento emocional ou os motivos de uma personagem. Existem, pelo menos, duas ou três vezes em que senti que o autor deveria ter abrandando e explorado melhor o que estava a acontecer, pois tinha a base para melhorar aquele momento.

Tirando a questão do ritmo, que tem tanto de benéfico como de prejudicial em alguns momentos, o autor consegue, e bem, criar um mundo bastante coerente, apesar de sempre sombrio, algo que poderá não agradar a todos os leitores mas que encaixa perfeitamente no ambiente do livro, principalmente porque estamos perante a visão de um personagem, e esse mundo sombrio é a forma como ele o vê.

E é essa personagem o trunfo do livro. O nosso Príncipe é um inteligente anti herói com uma linha mural questionável, pois os seu métodos são justificados pela necessidade de algo. Com este personagem, o autor consegue criar um livro que aos poucos é quase tão psicológico como é de fantasia. é este equilibro inteligente que nos faz continuar a ler, pois queremos ver como este rapaz evolui, até onde irá, onde irá falhar. É esta mistura em "O Príncipe" de Maquiavel e "O Conde de Monte Cristo" de Dumas que se equilibra e torna o livro bastante viciante.

Existem ainda outras personagens e uma história interessante e coerente na maioria das páginas, mas é este personagem que dá o toque de entusiasmo que um livro de fantasia deve ter. Sendo o primeiro livro de uma trilogia, muito fica por dizer, mas a base e a evolução da personagem, juntamente com algumas questões que ficam no ar, leva-me a acreditar que o próximo livro será melhor. Para já, estou a gostar e quero ler os próximos! 

Luís Pinto

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

OS FACILITADORES


Autor: Gustavo Sampaio





Sinopse: Ajustes directos, contratos swap, PPP (nos sectores da saúde, educação, águas, resíduos, vias rodoviárias e ferroviárias, etc.), privatizações de empresas públicas, concessões e subconcessões, contratos de exploração a meio século, auto-estradas com portagens virtuais, rendas excessivas no sector energético, mais-valias decorrentes da venda de gás natural não partilhadas com os consumidores, aumentos das taxas nos aeroportos nacionais, direitos adquiridos sobre pontes e aeroportos que ainda não foram construídos, indemnizações devidas por causa de projectos adiados, ou mudanças de sede fiscal para a Holanda ou para a Zona Franca da Madeira... Quase todos estes contratos, negócios e direitos adquiridos foram assessorados, intermediados, aconselhados, estruturados, facilitados pelas principais sociedades de advogados que operam em Portugal. As que mais facturam. Quer do lado do Estado, em representação do interesse público, quer do lado do sector privado, defendendo os interesses empresariais dos respectivos clientes. Ou em ambos os lados, muitas vezes em simultâneo, por entre indícios de conflitos de interesses. O jornalista Gustavo Sampaio, autor do bestseller Os Privilegiados, apresenta uma investigação jornalística rigorosa e inédita que, pela primeira vez, revela e sistematiza as listas de clientes das maiores sociedades de advogados, as interligações políticas e empresariais (desde o recrutamento de ex-políticos ou políticos no activo até à acumulação de cargos de administração em grandes empresas), as participações no âmbito da produção legislativa ou da actividade regulatória, entre outros elementos.



Esta foi mais uma leitura interessante dentro do seu género e que me fez questionar algumas coisas. Em primeiro lugar é preciso evidenciar que o autor faz um bom trabalho de investigação, principalmente ao ligar factos que à primeira vista podem parecer dispersos. Aliás, o principal trunfo deste livro está no facto de se basear em factos sem sustentar ideias que sejam apenas teorias. Com esta tendência o livro torna-se mais coerente, mesmo que possa ser menos entusiasmante em alguns momentos.

Sendo um livro de investigação que tenta ligar acontecimentos e pessoas, não é, nem pode ser, um livro de ritmo elevado. A verdade é que apesar de ser um livro pequeno, pode não ser fácil de se ler de seguida, no entanto em nada isso é prova de o livro não ser bom, é apenas o resultado de uma investigação meticulosa. A forma como o autor explora os vários temas e factos está bem conseguida, principalmente porque consegue ir explicando e aprofundando alguns conhecimentos necessários a uma melhor compreensão e que o leitor poderá não ter.

Tendo já lido outros livros que roçaram este tema, mas que nunca o aprofundaram como este, é impossível não afirmar que aprendi bastante com este livro, principalmente porque não há muita investigação sobre estes temas. A escrita é acessível e o livro está bem estruturado, sendo fácil ir percebendo o próprio desenrolar da investigação e os factos de forma cronológica. Sobre a investigação em si não vou revelar nada, mas vale a pena ler. Se procuram um livro dentro deste género e se a sinopse vos deu interesse, então vale a pena ler estas páginas e saber um pouco mais sobre como alguns negócios são feitos em Portugal.

Luís Pinto

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

UMA FORTUNA PERIGOSA

ESPAÇO LEITOR

Hoje regressamos ao Espaço Leitor com mais uma opinião da Margarida Contreiras a quem agradeço imenso este texto. A todos os restantes leitores que também já enviaram textos com as suas opiniões, lamento o atraso, mas irei publicá-las aos poucos.



Autor: Ken Follett



Sinopse: Inglaterra, 1866. O verão anuncia-se quente e, numa tarde de maio, um jovem morre afogado numa pedreira inundada de água. O incidente ocorre em Windfield School, uma escola frequentada por rapazes oriundos de classes abastadas, permanece encoberto em mistério conduzindo a uma trágica saga de amor, poder e vingança que envolve sucessivas gerações de uma família de banqueiros.
A história decorre entre a riqueza e a decadência de uma Inglaterra vitoriana, entre a City londrina e colónias distantes. O leitor acompanha a família Pilaster durante o período áureo do império britânico. Ken Follett inspirou-se num caso real de bancarrota ocorrido no século XIX para escrever este romance extraordinário.




Uma Fortuna Perigosa é um romance da segunda metade do século XIX, passado no mundo da banca inglesa. A família Pilaster, proprietária do banco homónimo, era uma das mais bem reputadas de Londres, quer em termos financeiros, quer no contexto da sociedade elitista, cujo seio criava, naturalmente, divergências da mais variada natureza.

Hugh Pilaster, filho de um banqueiro falido e herdeiro dessa desventurosa reputação, é também sobrinho do núcleo familiar mais influente. Sonha tornar-se um dos sócios do banco Pilaster e concentra todos os seus esforços nessa tarefa. Sensato, honesto e trabalhador, Hugh é também quem toma constantemente a posição oposta à maioria, normalmente mais para sua frustração do que contentamento.

Simultaneamente, deriva a lembrança de um crime na juventude de Hugh, no qual ele e os seus amigos estiveram envolvidos, e que assombra a história desde o início. Aliás, a ação do livro alimenta-se também da história dos amigos de Hugh, que acabam, direta ou indirectamente, por se envolver nos negócios do banco, barrando o seu caminho para o consórcio por entre namoricas, jogos, bailes, casas de alterne, trafulhices e até assassínio.

A intriga, sedução e oportunismo de que é feito este livro contam-nos episódios de ascensão e descensão social a par das oscilações da banca londrina oitocentista. Porém, o enredo é demasiado aborrecido para aspirar a uma história surpreendente e não é caricato o suficiente para uma coletânia de episódios de época. Estamos perante uma verdadeiro romance quase ao nível de novela mexicana na medida em que encontramos aqui todas as personagens que já vimos vezes sem conta: a má da fita manipuladora, bela e rica, juntamente com a sua marioneta imbecil, obediente e de fraco punho; o bom da fita honesto, renegado e subestimado que ama a rapariguinha apetecível, boazinha e injustiçada; o mauzão estrangeirado, esperto e sedutor, entre tantas outras personagens enfadonhas cujo nome esquecemos por já terem tido tantos.

Podemos adjectivar esta história de numerosas maneiras, no entanto tudo se resume a uma previsibilidade proeminente que se destaca de forma bastante negativa. Não é necessária muita perspicácia do leitor para saber amiúde o que vem na página seguinte, quer seja porque o autor se denuncia através da demasiada evidenciação de aparentes detalhes, quer porque já lemos esta história algures com outro título.

Como já é hábito em Ken Follett, a pesquisa histórica está de louvar, e não precisamos de ser entendidos na época para o perceber, visto que é evidente o à vontade do autor em abordar destemidamente todos os hábitos, trajes e éticas do espaço e do tempo. Continuamos a ter momentos de suspense bem apimentados que acabam por nos prender ao livro e, em certos excertos, é até possível denotar a tendência do autor para as estratégias de narração típicas dos romances de espionagem que avultam na sua obra. Com efeito, a exposição da história é feita de modo bastante acessível, até porque vamos tendo constantes resumos de poucas linhas que nos permitem acompanhar a narração a bom ritmo.

Para os verdadeiros apreciadores de romances, este é um livro interessante mas não tão notável assim. Não satisfaz as medidas de um leitor de Ken Follett, que espera algo mais insólito. Podemos corriqueiramente dizer que é um livro de ler e deitar fora por ter uma estrutura narrativa bastante coerente, o que torna a história aceitável, mas que não arrisca mais do que isso e que, sobretudo, fica muito aquém do símbolo que se tornou o seu autor.

Entretém mas não surpreende.

Uma vez mais, obrigado à Margarida Contreiras por esta opinião!