sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

STAR WARS - Ajuste de contas na Lua dos Contrabandistas





Sinopse: Depois de descobrir o diário do velho mestre Jedi OBI-WAN KENOBI, Luke Skywalker parte para Nar Shadaa, a lua dos contrabandistas no seu caminho para tentar converter-se num Jedi. Segundo volume da saga STAR WARS em BD, uma série centrada nas personagens clássicas da saga: Luke Skywalker, Princesa Leia, Chewbacca, C-3PO, R2-D2 e restante Aliança Rebelde



Neste segundo livro da saga Skywalker, a qualidade continua bastante alta. Em primeiro lugar, parabéns à editora Planeta por continuar a optar por um livro de capa dura e com toda a qualidade de folhas e impressão que esta saga merece. Em seguida é fácil admirar a qualidade gráfica da banda desenhada. Em cada página o detalhe é elevado a um nível que poucas bandas desenhadas conseguem atingir, e nota-se como a mistura de Disney e Marvel confirma esse selo de qualidade. Em cada desenho existe algo que nos transporta para este universo. Os desenhos estão fantásticos, os cenários e os detalhes estão fielmente recriados dentro do que já conhecemos dos livros ou do que imaginamos ser este universo.

A tudo isto junta-se a história e o desenvolver das personagens. O enredo foca-se principalmente em Luke e na sua busca pelos ensinamentos Jedi, mas também sem nunca perder o contacto com Leia e Solo, levando a que este livro seja bastante abrangente sem baixar o ritmo. 

Coerente e inteligente, este foi um livro que adorei ler e que recomendo a todos os fãs de Star Wars. A evolução de Luke é o foco, para percebermos como sem ajuda foi conseguindo evoluir nas suas capacidades jedi, mas também temos o lado interessante de ver a evolução da relação entre Solo e Leia e os acontecimentos que levaram a que Han Solo não conseguisse voltar a Tattoine para pagar a dívida a Jabba. É verdade que no global não consegue ter o impacto que teve o livro anterior, por lhe faltar uma revelação tão forte, mas continua a ser bastante bom.

Tudo o resto que vos posso dizer seria apenas para revelar algo que não devo. Nos próximos dias nova opinião a uma banda desenhada de Star Wars, e acreditem que é mais uma que vai valer a pena. Recomendado!

Luís Pinto

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

O AMOR NOS TEMPOS DE CÓLERA




Espaço Leitor


Hoje tenho o prazer de trazer mais um texto da Margarida Contreiras que já várias vezes nos enviou as suas opiniões sobre livros que vai lendo.


Autor: Gabriel García Márquez




Sinopse: Um livro para toda a vida.Prémio Nobel da Literatura 1982. A estória de amor vivida por Florentino Ariza e Firmina Daza é contada com toda magia do realismo fantástico de Gabriel. É um livro envolvente, que cativa o leitor do começo ao fim e que acaba torcendo pelo final feliz. As reflexoes sobre a vida, o amor e a morte, temas constantes em García Márquez, sao explorados de forma maestral neste livro. Um livro para toda vida!



Florentino e Firmina são os peões desta história de amor presumivelmente passada na Colômbia oitocentista e definitivamente em tempos de cólera.

A história começa com o remate final de uma declaração de amor que quebra a ação, rebobinando-a num flashback de cinquenta anos que vai progredindo até apanhar o momento inicial. Os amantes, quando jovens, são separados pela família, como manda a tradição, e, ao crescerem, pelo amor unidirecional. Surge um terceiro vértice, que cria o triângulo e toda a frustração de Florentino, que tenta, também ele, criar os seus vértices temporários e insatisfeitos. Firmina, indecisa e insegura, delicia-se numa ascensão social em pompa e circunstância que constantemente se sugere ser teatral ou efémera. Entretanto, o leitor vai tentando resolver se está a ler sobre o amor de Florentino por Firmina ou de Florentino e Firmina. 

Há uma certa previsibilidade neste enredo convencional, o que não leva o leitor a abandonar o livro, mas, antes pelo contrário, dá-nos vontade de o querer saborear no presente sem a pressa de querer chegar ao fim. O seu sonante título concretiza-se apenas na primeira parte, já que este amor se passou em tempos de cólera como se poderia ter passado em tempos de qualquer outra epidemia. A cólera e os seus efeitos colaterais servem mais como referência cronológica do que como motor de ação ou impedimento de um caso amoroso, como poderia sugerir o nome do livro. No entanto, a cronologia tem pouco vulto para a história e pouco peso na narração, como atestam as escassas referências espácio-temporais. Com efeito, o espaço e o tempo são pouco explorados, o que dificulta o encaixe da história na encenação imaginária do leitor. Por outro lado, isso enfoca-o na problemática emocional do enredo. 

Um dos temas abordados é a nostalgia, já que as emoções da personagem central estão constantemente condicionadas por locais, cheiros e cores do passado. O próprio livro reflete isso, ao ser composto por um grande flashback. Esta expressão nostálgica remete o leitor para um passado marcadamente remoto, marca dos velhos tempos empoeirados, reforçada pela escassez de diálogos, que nos dá a impressão de folhearmos um velho álbum de fotografias monocromáticas com olhares profundos. 

Evidentemente, o grande tema desta história é o amor ou, mais especificamente, um caminho para o amor não correspondido mas eterno. O leitor sente a angústia de Florentino enquanto ser não amado, quase literalmente abandonado, e desespera por ele, desespera pela sua obsessão semelhante a uma doença em estado terminal interminável. Contudo, as expressões da personagem são muito mais impassíveis do que se poderia esperar, sendo precisamente as suas ações e as consequências delas que nos levam tantas vezes a sentir pena dele. 

O compasso arrítmico da história parece um pouco desajustado. O autor não se apressa em desenvolver a narração pois, mesmo em alturas de maior suspense, como é a reta final da história, introduz um assunto que vem a propósito mas que não acrescenta nada ao enredo, dando-nos a sensação de estarmos a ouvir alguém apenas por boa educação como preço a pagar para ler um livro de qualidade. Por outro lado, em alguns assuntos de desfecho ou causadores de um ponto de viragem, demora-se tão pouco tempo que o leitor só lhes dá a importância devida nos acontecimentos futuros por eles causados ou não lhe dá importância nenhuma e não entende a origem de certas novas atitudes.

A história e a narração são realmente pouco cativantes mas a expressão escrita é tão apelativa que poderá, por vezes, desfocar o leitor do texto para o fazer constatar “que bela escolha de palavras!”. A escrita é incrivelmente íntegra e acessível, embora esteja longe de se considerar simples. Trata-se de uma espécie de linguagem popular projectada num nível erudito, que resulta num discurso que soa bem. Aliás, é a sua complexidade que o torna tão coeso. Contudo, é necessária alguma atenção aos pronomes para compreender se ainda estamos no sujeito ou no seu primo em segundo grau, arriscando-nos a ter que recuar constantemente algumas linhas para retomar a lógica do discurso. 
A descrição crua da natureza humana, em particular no seu pendor sexual não tem romantismo nem pudor, o sexo é longamente descrito em todos os seus fetiches ou estranhezas que não glorificam a beleza humana mas, ao contrário, a ridicularizam. Não quer isto dizer que as acções do mundo íntimo sejam particularmente importantes na totalidade da história e a prova disso é que o autor conta com o mesmo detalhe o entusiasmante momento do primeiro encontro sexual de Firmina com o seu marido e a lista infindável de leques e plumas que ela trouxe da Europa. Curiosamente, ao contrário do que seria de esperar de todo este realismo, o amor nestas páginas de tempos de cólera, é um amor lavrado mais ao jeito do romantismo: único, arrebatador e perpétuo, mas nunca totalmente extenuante. As personagens não são realistas, apesar da crueza com que a realidade é representada: estas são personagens que recitam “versos de amor contra o vento, chorando de júbilo até amanhecer”.

A qualidade deste livro é indubitável. É claro desde o início que estamos perante um escritor com uma expressão escrita totalmente amadurecida e individualizada de quem domina a sua palavra em todos os ângulos. O enredo não é, contudo, o mais empolgante da história da literatura; são antes as suas personagens contrastantes em si mesmas que nos causam a curiosa emoção de simultaneamente nelas nos perdermos e encontrarmos. Este não é um livro para devoradores de livros inexperientes, é um livro para leitores atentos e pensadores. Não é um livro para apreciar unicamente a estória no seu encadeamento de acontecimentos, é um livro para saborear a escorrência da sua narrativa e a palavra de Gabriel Garcia Marques.


Muito obrigado à Margarida Contreiras por este fantástico texto.




terça-feira, 13 de dezembro de 2016

O ESPIÃO DA SIBÉRIA


Autor: Lionel Davidson






Sinopse: MONTES KOLIMÁ, SIBÉRIA. Enterrada nos gelos eternos esconde-se uma estação científica tão secreta que nem sequer existe oficialmente. Quem lá entra, nunca mais sai. Mas Efraim Rogachev tem um plano.
UNIVERSIDADE DE OXFORD. O pacato professor Lazenby recebe uma mensagem encriptada. O autor é um brilhante cientista soviético desaparecido há décadas sem deixar rasto.
LANGLEY, SEDE DA CIA. Os satélites americanos captam uma explosão num bunker siberiano até ali desconhecido; as imagens são aterradoras.
Nos serviços secretos soam os alarmes. É preciso infiltrar um agente nos Montes Kolimá, um inacessível inferno de glaciares onde a temperatura ronda os 50 ºC negativos. Só um homem parece apto para a missão: Johnny Porter, poliglota, antropólogo, professor universitário e da etnia Gitksan. Os gitksan partilham com os nativos siberianos a mesma língua, a mesma cor de pele, a mesma sobre-humana resistência ao frio. E só um nativo conseguirá atravessar quilómetros de gelo, fintar tribos hostis, chegar ao coração do mistério.



Quando se pensa que o ano já não nos surpreende mais em relação a novos livros, leio esta pérola. Que grande livro!

Como talvez saibam, sou um grande fã de espionagem. Já li vários livros e isso aumenta a exigência que tenho em relação ao género. Este livro situa-se mais ou menos a meio entre os dois extremos da espionagem. Num extremo temos a espionagem pura, muito usada nos livros sobre a guerra fria, onde a acção à base de armas é quase nula e o jogo de bastidores é total. No outro extremos temos James Bond. Posto isto, este livro situa-se mais ou menos a meio, mas mais focado nas táticas de espionagem do que na acção pura. A escrita do autor adapta-se totalmente ao género de livro, demonstrando conhecimento na espionagem e também na forma como molda a narrativa, dando os detalhes no momento certo para que o enredo seja mais fácil de se seguir.

Claro que sendo um enredo de espionagem, terá reviravoltas, mas todas elas são coerentes. Algumas são mais óbvias, outras são surpreendentes. A questão está na coerência que o autor vai mantendo desde o início, dando pequenas pistas, moldando a nossa percepção do enredo e de algumas personagens. A isso juntam-se personagens bem construídas e com várias camadas, tal como se pede num livro de espionagem.

No entanto o ponto forte é novamente a coerência das mesmas, quer nas suas personalidades, atitudes ou mesmo nos diálogos, onde existem várias pistas que um leitor mais desatento poderá não perceber. Destaque para a inteligência de alguns diálogos. O ritmo vai acelerando na proporção certa. A narrativa começa mais lenta, apesar de ter acontecimentos na fase inicial que rapidamente nos agarram ao livro, mas na segunda metade a narrativa acelera para acabar de forma surpreendente.

Outro aspeto positivo está no facto de o autor escrever este livro para qualquer leitor, tanto um veterano na leitura de romances de espionagem, como para alguém que nunca leu. O autor enquadra tudo muito bem, explicar muito do que está a acontecer e faz um bom enquadramento histórico, que torna o enredo mais coerente e ajuda a criar o ambiente sufocante que iremos sentir na fase final. E assim, aos poucos, começamos a entrar na pele dos personagens principais e a sentir a pressão. São vários os momentos em que sentimos que o final não vai ser risonho, e é com essa ideia que a leitura avança, enquanto começamos a sentir que estamos a ser enganados.

Quando acabei este livro ficou a sensação que li um excelente thriller. A história está criada e desenvolvida com inteligência e tudo bate certo. Este livro foi uma verdadeira surpresa e entra, claramente, para a lista dos melhores do ano. Se procuram um bom thriller bastante focado em espionagem, esta é a escolha certa para este Natal. Totalmente recomendado!

Luís Pinto

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

A GUERRA SECRETA


Autor: Max Hastings

Título original: The secret war



Sinopse: Os espiões e as mensagens em código tiveram um papel crucial na Segunda Guerra Mundial, sendo explorados por todas as nações envolvidas no conflito, para tentar obter conhecimento privilegiado dos inimigos e gerar o caos nos bastidores. Em Secret War, o conhecido jornalista e historiador Sir Max Hastings apresenta um conjunto vasto de personagens fundamentais da Segunda Guerra Mundial, de praticamente todos os países envolvidos, bem como das sagas de informação, resistência e ataque em que se envolveram, com isso revelando uma nova perspetiva sobre o maior conflito da História.



Este é o segundo livro que leio do autor Sir Max Hastings e novamente adorei o livro. Tal como no primeiro livro, também este me ensinou imenso mesmo tendo em conta que já tinha lido muito sobre este tema. 

Este livro foca-se totalmente na espionagem e contra-espionagem durante a segunda guerra mundial, dando uma visão do que foi feito nas sombras, com vários serviços de inteligência a lutarem pelo poder da informação. Com a encriptação de dados e transmissões a ganharem um grande relevo (quem conhecer a história de Turing pode imaginar do que falo), este torna-se num livro essencial para percebermos melhor muito do que aconteceu. Aliás, o autor faz um excelente trabalho em mostrar-nos os resultados de algumas missões e o quando elas influenciaram decisões, movimentações, políticas ou militares.

Com uma escrita que nos ensina regularmente, este foi um livro grande, mas no qual não me senti perdido. O ritmo é lento, pedindo ao leitor para perceber tudo o que está a ser explorado. No entanto, devido ao seu foco na parte da espionagem, esta não é uma leitura que todos possam gostar. No meu caso, sendo um tema sobre o qual gosto muito de ler, esta foi uma leitura muito interessante. 

Gostei da forma como o autor explorou como os espiões atuavam, quais os seus objetivos, o quanto se infiltraram em comunidades e pequenas guerrilhas, e o quanto uma informação errada deu em resultados catastróficos. Pelo meio o autor apresentou uma escrita direta e forte, que nos leva a sentir o desespero e o ambiente pesado daquela época. 

Esta foi uma época de mudança na espionagem. A chegada do "computador" foi a viragem numa altura em que qualquer informação poderia definir a vida ou a morte de vários soldados. No final, foi a espionagem um dos aspetos mais importantes para a vitória dos aliados. Se quiserem ter uma imagem mais coesa do muito que se fez nos bastidores desta guerra, este é o livro a ler. Muito bom!

Luís Pinto

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Passatempo: Os espiões do Papa


PASSATEMPO

Os espiões do Papa



Em parceria com a Editorial Presença, temos mais um passatempo de Natal.
Deste vez irmos oferecer um exemplar do livro: Os espiões do Papa, que já analisei no blog.

Obrigado à Editorial Presença por mais este passatempo!

Para se habilitarem a ganhar, basta preencherem o formulário e responderem a uma pergunta.

Apenas é permitida uma participação por pessoa.

O passatempo termina dia 16 de dezembro

Boa sorte a todos!



Sinopse: A suposta impassividade do Vaticano perante as atrocidades dos nazis na Segunda Guerra Mundial continua a representar uma das maiores controvérsias da atualidade. A história apelidou Pio XII de «O Papa de Hitler» e considerou-o conivente com a política e ideologia nazi. Contudo, mais do que manter-se distanciado ou cúmplice dos acontecimentos ocorridos num dos períodos da história mais negros, o Papa teve um papel fundamental nos eventos que levaram à derrota nazi.
O historiador Mark Riebling, baseado em documentos recentemente abertos pelos arquivos secretos do Vaticano e pelo British Foreing Office, apresenta a versão que ao longo de décadas foi encoberta, abrindo as portas do Vaticano para revelar factos surpreendentes na história do pontificado.
Os Espiões do Papa lê-se como um romance policial baseado na figura do espião alemão Josef Müller, embora seja um relato histórico rigoroso. Mais uma obra magistral na coleção Biblioteca do Século, que vem contribuir para uma nova visão da história.