sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

JARDINS DA LUA


Autor: Steven Erikson

Título original: Gardens of the Moon




Sinopse: Quebrado pela guerra, o vasto império Malazano ferve de descontentamento. Os Queimadores de Pontes do Sargento Whiskeyjack e Tattersail, a feiticeira sobrevivente, nada mais desejam do que chorar os mortos do cerco de Pale. Mas Darujhistan, a última das Cidades Livres, ainda resiste perante a ambição sem limites da Imperatriz Laseen.
Todavia, parece que o Império não está sozinho neste grande jogo. Sinistras forças das trevas estão a ser reunidas à medida que os próprios deuses se preparam para entrar na contenda…
Concebido e escrito a uma escala panorâmica, Jardins da Lua é uma fantasia épica da mais elevada qualidade, uma aventura cativante da autoria de uma excecional nova voz.



Para aqueles que não sabem, este é o primeiro de uma saga de dez livros. 
Para aqueles que não sabem, esta saga é considerada, de forma quase unânime, uma das melhores sagas de fantasia de sempre.
Para aqueles que não sabem, este é considerado por todos como o livro mais fraco dos dez.
E para aqueles que não sabem, fiquem a saber, este livro é muito bom...

Vamos começar pelo óbvio: querem um bom livro de fantasia para este natal? A escolha é este. É difícil, sem revelar nada, conseguir identificar os pontos altos deste livro, até porque são vários mas todos eles ligados diretamente à história. Começando pelo mundo, Erikson criou um universo bastante coerente e vasto. Apesar de só estarmos no primeiro livro, facilmente se percebe que o universo é vasto, cheio de História e com personagens que encaixam muito bem neste mundo. Flora e fauna são explorados de forma suave, mas sublime em alguns momentos, tornando este mundo credível. 

Outro grande aspeto está ligado ao passado deste mundo e destas personagens. Existe uma história anterior que molda de forma inteligente o que está a acontecer nestas páginas, demonstrando em vários momentos que o autor sabe o que está a fazer e sabe para onde vai. Aos poucos o enredo torna-se coerente e a ligação com os personagens é criada com facilidade. Por outro lado as dúvidas aumentam mas o autor não nos dá todas as respostas de imediato, apenas as que nos levam a querer ler ainda mais.

Destaque também para as raças criadas. Gostei da forma como o autor sustentou as raças, com as suas magias, costumes, traumas e objetivos. Tudo faz sentido neste primeiro livro apesar das muitas dúvidas que ficam no ar. O enredo está muito bem conseguido e a narrativa é um ponto alto pela forma como "salta" mas também pela suavidade com que toca alguns temas bem reais num mundo de fantasia. pelo meio, personagens carismáticas, bons momentos de ação e diálogos que nos dizem sempre algo. 

O resultado final é um livro onde tudo parece encaixar bem. Nota-se claramente que o enredo está apenas a aquecer e também se percebe que há muito que não sabemos (algo que se torna óbvio quando sabemos que ainda faltam 9 livros). Li este livro à velocidade da luz mas sempre com o espírito crítico necessário para parar e perceber se o que estava a ler fazia sentido ou era forçado. Agora que já o li, não quero falar sobre o enredo para não vos estragar a surpresa. O que posso dizer é que este é um livro muito bom, e se é considerado, de forma unânime, o mais fraco de toda a saga, então de certeza que irei ler os próximos assim que possível.

Depois destas páginas é fácil perceber o porque de Erikson estar ao lado dos grandes nomes da fantasia, como Sanderson, George Martin, Tolkien ou Feist. Totalmente recomendado e só espero que os próximos não demorem muito a chegar.

Luís Pinto

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Passatempo: As receitas de Natal do Jamie Oliver - Vencedor!


PASSATEMPO

As receitas de Natal do Jamie Oliver

Vencedor!



Acabou mais um passatempo. Em primeiro lugar, agradeço à Porto Editora por esta oportunidade e em segundo, agradeço a todos os que participaram e deram visibilidade a este passatempo. 

Aos que não ganharam, espero que participem nos próximos passatempos que terei até ao Natal. Boa sorte a todos!

O vencedor é:

Maria Alice Santos

Parabéns à vencedora!

FELIZ NATAL

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

A MEMÓRIA DA CHUVA


Autor: Sandra Freitas




Sinopse: Pode o tempo mudar um amor destinado a existir e a perdurar? Pode um amor antigo sobreviver ao presente e à doença?Inês e Jorge viveram, na sua juventude, um namoro idílico, invejado e admirado por muitos, amando-se profundamente. Quando o destino se encarrega de os separar, por circunstâncias indesejadas e mal interpretadas, Jorge parte em busca da realização das suas ambições, tornando-se num respeitado e conceituado cirurgião cardiotorácico. Inês fica onde sempre esteve, revelando-se uma profissional dedicada e mãe extremosa, demasiado ligada a tudo o que não seja ela própria.Doze anos depois, tudo muda. Jorge regressa, precipitando Inês numa espiral de emoções contraditórias, à medida que ambos reavivam sentimentos e revoltas antigas. No entanto, agora existe Sofia, uma menina perfeita e dócil que encanta e confunde Jorge desde o primeiro momento e que Inês resguarda com o velo de uma mãe impetuosa.É neste contexto que Inês descobre que está gravemente doente, com um cancro da mama. E, ao mesmo tempo que luta entre um amor que nasceu para ser eterno e um conjunto de dúvidas e amarguras que a perseguem desde há muito tempo, começa a lutar também pela sua sobrevivência, descobrindo que a vida nos pode trazer muito sofrimento mas também algumas surpresas



Este primeiro livro da autora Sandra Freitas é um misto de sentimentos. Por um lado tem bons momentos que tornam esta obra em algo bom, noutros momentos parece afundar-se um poucos. Mas vamos por partes. O ponto mais negativo do livro é, provavelmente, a existência de alguns erros ortográficos. Já tive como trabalho fazer correções e sei que não é fácil, mas é sempre pena quando aparecem num livro. Pondo de lado esta situação, olhemos para o enredo. O livro parece bastante grande, talvez demais para um romance, mas a história flui com facilidade. O ritmo está bem conseguido e os capítulos estão divididos nos momentos certos para que fique sempre a vontade de continuar a ler.

Sendo um puro romance, a autora consegue criar uma narrativa interessante e que resulta numa boa mistura entre a o romance em si e as vidas profissionais dos personagens, dando um equilíbrio que harmoniza o livro e o torna mais coerente. Infelizmente senti que o livro não sai da sua zona de conforto em termos de espaço, não existindo aqueles detalhes que gostamos de ver num livro passado em Portugal. As referência aos locais onde o enredo se passa não nos ajudam a identificar aqueles locais que conhecemos das nossas cidades. Este aspeto em nada retira qualidade ao livro, mas gostava que tivesse sido melhor explorado.    

Voltando ao romance, estamos perante um livro que tenta ganhar a sua identidade, mas que está preso a certos clichés dos quais é difícil fugir. Aliás, muitos autores famosos nem o tentam fazer. Aqui a autora consegue embalar a narrativa de forma a que tenhamos de imediato ligação com algumas personagens. Claro que algumas reviravoltas foram  previsíveis, mas também é verdade que apesar de óbvias, foram coerentes com o passado e personalidades das personagens. 

O final é arriscado, com um objetivo claro que acredito que a autora consegue atingir. No global este não é um livro que nos marque, mas é uma leitura fácil e interessante para quem gostar do género. É uma narrativa com falhas mas a construção das personagens e o detalhe das suas vidas profissionais leva a que os pontos mais fracos sejam atenuados. Não é um livro fantástico, mas é uma interessante estreia de uma autora que criou aqui um enredo com profundidade e consistência.

Luís Pinto

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

OS ESPIÕES DO PAPA


Autor: Mark Riebling

Título original: Church of spies




Sinopse: A suposta impassividade do Vaticano perante as atrocidades dos nazis na Segunda Guerra Mundial continua a representar uma das maiores controvérsias da atualidade. A história apelidou Pio XII de «O Papa de Hitler» e considerou-o conivente com a política e ideologia nazi. Contudo, mais do que manter-se distanciado ou cúmplice dos acontecimentos ocorridos num dos períodos da história mais negros, o Papa teve um papel fundamental nos eventos que levaram à derrota nazi.
O historiador Mark Riebling, baseado em documentos recentemente abertos pelos arquivos secretos do Vaticano e pelo British Foreing Office, apresenta a versão que ao longo de décadas foi encoberta, abrindo as portas do Vaticano para revelar factos surpreendentes na história do pontificado.
Os Espiões do Papa lê-se como um romance policial baseado na figura do espião alemão Josef Müller, embora seja um relato histórico rigoroso. Mais uma obra magistral na coleção Biblioteca do Século, que vem contribuir para uma nova visão da história.



Aqui está a mistura de dois temas que gosto bastante de ler: espionagem e Segunda Guerra Mundial. Assim que vi este livro nas prateleiras das livrarias decidi que tinha de o ler. Depois de ter lido vários livros sobre a WWII, sempre me questionei sobre o papel delicado que o Vaticano teve durante aqueles anos. Agora posso ler um pouco mais, porque não estamos perante um simples romance, mas sim um forte trabalho de investigação. E é com base nesta investigação que o livro ganha qualidade. 

Claro que este é um romance, um thriller, com muitas personagens fictícias nos papeis principais. No entanto, o enredo, bom e cheio de suspense, não é o ponto forte do livro. Mas já lá vamos. Olhando para o enredo, é fácil começar a ler a grande velocidade. O ritmo é elevado e o mistério adensa-se rapidamente, ao ponto de na fase inicial do livro já estarmos totalmente dentro da trama. Claro que para isso muito ajuda o conhecimento que o leitor pode ter do tema. No entanto, quem não seja grande conhecedor de alguns factos históricos acabará por receber essa informação do próprio livro. Como disse antes, a investigação histórica está muito bem conseguida, com o autor a misturar ficção e realidade com mestria e ensinando constantemente o leitor. 

Gostei de algumas surpresas e reviravoltas, e também apreciei algumas personagens que me surpreenderam com algumas decisões que mais tarde se tornaram coerentes. Todavia, na parte do enredo o trunfo está na mistura de espionagem e política que é este jogo que alguns personagens tentam jogar, mas que nem todos conseguem. Mas, tal como já disse, o trunfo deste livro não é o enredo em si, mas antes a investigação feita pelo autor e que é a base do próprio enredo.

Com uma narrativa inteligente na cadência com que no dá factos históricos e os mistura com as revelações da ficção, este é um livro que se lê de forma compulsiva se gostarem do estilo e do tema. Se olharem para este livro e vos despertar a atenção pela sua base, então acredita que vale mesmo muito a pena ler. Recomendado.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

AS PRIMEIRAS QUINZE VIDAS DE HARRY AUGUST


Autor: Claire North

Título original: The First Fifteen Lives of Harry August 




Sinopse: Harry August não é um homem normal. Porque os homens normais, quando a morte chega, não regressam novamente ao dia em que nasceram, para voltarem a viver a mesma vida mas mantendo todo o conhecimento das vidas anteriores. Não interessa que feitos alcança, decisões toma ou erros comete, Harry já sabe que quando morrer irá tudo voltar ao início. Mas se este acumular de experiências e conhecimento podem fazer dele um quase semideus, algo continua a atormentar Harry: qual a origem do seu dom e será que há mais pessoas como ele?
A resposta para ambas as perguntas parece chegar aquando da sua décima primeira morte, com a visita de uma menina que lhe traz uma mensagem: o fim do mundo aproxima-se.
Esta é a história do que Harry faz a seguir, do que fez anteriormente, e ainda de como tenta salvar um passado que não consegue mudar e um futuro que não pode deixar que aconteça.



Será que posso fazer uma análise a dizer "Recomendado" e nada mais? Neste livro é o que apetece... dizer a alguém para o ler, sem ideias, sem expectativas... mas como devo fazer uma análise ligeiramente mais aprofundada do que com apenas uma palavra, aqui vou eu, tentar explicar-vos o porquê de este ser um dos livros do ano...

Imaginem que podem repetir a vossa vida, sabendo o que vai acontecer. Decidem tomar decisões diferentes? O que mudam? O que muda sem que vocês queiram? Qual é sequer o objetivo de mudar algo durante a vossa vida se depois a vão repetir? o que ganham e o que perdem...?

A primeira metade do livro demonstra a inteligência da autora e serve como fase de adaptação do leitor a um livro que vai dando saltos de forma a que seja possível ver as quinze vidas do personagem principal. Harry August foi um personagem que fui apreciando aos poucos. No início não tive qualquer ligação com ele e muito se deve ao facto de estar perante uma personalidade totalmente moldada pelo peso que suporta. As dúvidas, os medos... a tristeza de ver que uma pessoa que o adorava numa vida, noutra nem o conhece. O peso de sentir os efeitos das suas escolhas, a capacidade de ver o quanto uma pequena escolha pode fazer tão grande diferença. A noção de quando irá morrer, e de quando as pessoas que gosta irão morrer...

Depois chega a segunda metade do livro. A trama está lançada e atinge um novo patamar. As dúvidas de Harry são as nossas dúvidas e a cada página questionamos o que faríamos nós naquele instante. Mas, acima de tudo, quando fechamos o livro, pensamos sobre o que faríamos se tivéssemos tal poder. O que vale a pena ser mudado? Algo apenas nosso? Ou devemos melhorar o mundo? Para quem volta sempre a viver, qual é o risco de morrer? Até que ponto a morte condiciona cada minuto da nossa vida? Ou ainda mais importante...  de que vale a pena fazer algo bom, se depois tudo começa do zero? 

E é com todas essas perguntas que nos imaginamos naquela situação, a melhorar a vida de quem amamos porque sabemos o que temos de fazer. E reviver, decidir e sentir que o poder é demasiado para alguém ter. E é tudo isso que este livro tem. Ao início parece um bom livro com uma base original, no fim é algo que fica connosco e que nos faz questionar algumas decisões, o que teria sido diferente.

Este é um livro único. É algo que sai das páginas e nos agarra, transportando-nos para um outro mundo onde a nossa mente está presa ao que um autor escreveu. Sentimos algo com as palavras de uma autora que não conhecemos. Sabemos que nada daquilo é real, vivemos aqueles momentos como se fossem. É isto que um livro deve ser. Claro que este também é um livro com falhas, com momentos forçados ou menos coerentes, e, no final, não é uma obra prima... mas está perto. E é, claramente, um dos melhores livros que li este ano. Totalmente recomendado.

Luís Pinto