quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Novidade: Novo livro de Richard Zimler

A Sétima Porta, de Richard Zimler

Nova edição de um dos grandes romances do autor americano radicado em Portugal.

Depois de A Sentinela e O Último Cabalista de Lisboa, a Porto Editora publica, a 7 de março, A Sétima Porta, um dos quatro romances de Richard Zimler inspirados nos manuscritos do cabalista Berequias Zarco que o autor encontrou em Istambul.

Com a Alemanha dos anos 30 como pano de fundo, a história deste livro é protagonizada por Sophie Riedesel, uma jovem ariana, católica e com um forte carácter. À sua volta, encontramos diversas personagens, umas mais caricatas, outras mais frágeis, e ainda as que, a seu tempo, serão consideradas de “raça impura”. Com a ascensão de Hitler ao poder, ela vai lutar contra a perseguição de que os seus amigos e família são vítimas e revoltar-se contra os que, sem força, se juntam ao regime.

SINOPSE

Em 1990, Richard Zimler encontrou, numa cave de Istambul, sete manuscritos do século XVI escritos pelo cabalista Berequias Zarco. Um deles narrava o pogrom de Lisboa e o autor utilizou-o para cenário do seu livro O Último Cabalista de Lisboa. Mas, o que revelavam os outros seis manuscritos?
Em Berlim, na década de trinta, Isaac, um descendente de Berequias Zarco e detentor dos manuscritos, está determinado a descobri-lo. Convencido de que o pacto entre Hitler e Estaline anuncia uma profecia apocalíptica prestes a concretizar-se, Isaac Zarco procura arduamente descodificar aqueles textos cabalísticos medievais para assim salvar o mundo.
Passado durante a ascensão de Hitler ao poder, e coincidente com o período da perseguição nazi aos portadores de malformações físicas, A Sétima Porta junta Sophie Riedesel – uma jovem ousada, sonhadora e ambiciosa – a um grupo clandestino de ativistas judeus e antigos artistas de circo liderado por Isaac Zarco, numa luta contra as políticas antissemitas. Mas quando uma série de esterilizações forçadas, estranhos crimes e deportações dizimam o grupo, Sophie ergue-se num combate solitário contra aqueles que ameaçam destruir tudo o que ela mais ama na vida.
Um romance emocionante carregado de simbolismo e uma verdadeira lição de História e de humanidade sobre as muitas vítimas sem rosto de um dos regimes mais implacáveis de todos os tempos.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

A QUEDA DE ARTUR


Autor: J. R. R. Tolkien

Título original: The Fall of Arthur



Não existe nenhum livro de Tolkien onde a sua genialidade não se sinta. Neste caso, estas quase 250 páginas, com a versão original e a traduzida, são uma obra de arte de Tolkien ao pegar na lenda de Artur e a tornar numa poesia que consegue ser, ao mesmo tempo, vibrante e calma.

Não sendo grande apreciador de poesia, nem grande conhecedor do género, este não foi um livro fácil de ler, sendo recomendado a quem gostar do género ou esteja curioso para ver como Tolkien sai do seu mundo de fantasia para moldar à sua imaginação a lenda do Rei Artur.

O enredo está perto do que conhecemos, mas Tolkien oferece-lhe um toque épico que o torna único, um ambiente fantástico, tantas vezes presente nas suas outras obras, e que torna esta leitura portentosa. No entanto, esta leitura leva tempo a quem não esteja habituado a poesia. No meu caso, foi uma leitura agradável, apesar de lenta, e devo enaltecer a qualidade da tradução, que, certamente, não foi fácil. Todavia, é no inglês que está a magnífica obra que Tolkien começou e infelizmente não terminou. Não sendo um conhecedor profundo de inglês antigo para perceber todos os significados sem ter de pesquisar na internet, a verdade é que é notório a mestria de Tolkien no domínio da língua e na forma como consegue produzir uma sonoridade que até eu, um português, conseguiu sentir ao ler alguns versos.

De enaltecer ainda todo o texto criado pelo seu filho, Chris Tolkien, para nos explicar muito do que Tolkien fez, como este livro foi reorganizado e possíveis explicações para vários factos sobre o livro, sendo um deles a necessidade de tentar perceber o porquê de Tolkien nunca ter acabado este livro.

Sempre gostei bastante da lenda do Rei Artur e foi um prazer lê-la desta forma. Provavelmente, sendo poesia, não o teria feito se não fosse obra de Tolkien, mas valeu a pena. Mas, tal como disse antes, não é um livro que recomende a todos os leitores. Com Artur e Mordred bem recriados, Tolkien centra-se no enredo que é suportado por estas duas personagens e sua rivalidade. Pelo meio, tal como um grande poema épico, Tolkien descreve cenários com uma paixão que se sente, e novamente dou os parabéns à tradução que na maioria dos casos consegue transmitir essa emoção que, certamente, Tolkien gostaria que todos os leitores sentissem.

Tolkien foi um daqueles génios que quando nos deixou, o mundo ficou mais pobre. A sua genialidade é tão palpável que torna a sua obra obrigatória, mesmo para quem não aprecie fantasia. Neste caso, Tolkien está fora do mundo que criou mas conseguiu agarrar-me, mesmo conhecendo a história. Não é um livro fácil, nem é para todos, mas a sua qualidade é inegável.  

Luís Pinto

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

VIDA ROUBADA


 Autor: Adam Johnson

Título original: The Orphan Master's Son



Sinopse: Vida Roubada segue a vida de Pak Jun Do, um jovem no país com a ditadura mais sombria do mundo: a Coreia do Norte.
Jun Do é o filho atormentado de uma cantora misteriosa e de um pai dominante que gere um orfanato. É nesse orfanato que tem as suas primeiras experiências de poder, escolhendo os órfãos que comem primeiro e os que são enviados para trabalhos forçados. Reconhecido pela sua lealdade, Jun Do inicia a ascensão na hierarquia do Estado e envereda por uma estrada da qual não terá retorno. Considerando-se “um cidadão humilde da maior nação do mundo”, Jun Do torna-se raptor profissional e terá de resistir à violência arbitrária dos seus líderes para poder sobreviver. Mas é então que, levado ao limite, ousa assumir o papel do maior rival do Querido Líder Kim Jon Il, numa tentativa de salvar a mulher que ama, a lendária atriz Sun Moon.
Em parte thriller, em parte história de amor, Vida Roubada é um retrato cruel de uma Coreia do Norte dominada pela fome, corrupção e violência. Mas onde, estranhamente, também encontramos beleza e amor.



O que é "liberdade"? Um conceito? Um ideal? Um direito? Uma realidade ou uma miragem? Este é um livro sobre a liberdade que alguns nunca terão, simplesmente porque não nasceram no sítio certo. Este é um livro que demonstra, de forma atroz, o quanto estamos cego e a facilidade com que nos esquecemos. Nós vemos, transtornados, o que outros povos sofrem... comentamos, achamos injusto, questionamos como certas coisas ainda podem acontecer no nosso tempo, e depois, esquecemos. Outras pessoas não esquecem, porque vivem nesses locais.

Com uma linguagem que consegue ser, simultaneamente, bela e aterradora, o autor mostra-nos uma realidade inquietante sobre um país que não conhecemos. A forma como a manipulação de massas é feita, é, na realidade, apenas uma parte do problema, e aqui fica bem exposto como se consegue convencer as pessoas, usando uma teia demasiado vasta para ser explicada em poucas palavras. Expondo um pouco esta realidade, o autor cria um livro que vence por ser ambicioso e audaz, enquanto nos envolve num romance que demonstra o poder que o amor tem... capaz de vergar o que parece inquebrável. 

Apresentando-se com uma primeira metade mais próxima da mente do personagem principal, vemos como governo e povo se ajudam, de forma natural e automática, a sustentar esta forma de vida, como se fosse natural, talvez por desconhecimento do que está para lá da fronteira, talvez por resignação, certamente por medo. A nossa personagem principal é mais um dos que vive, sem na realidade viver mais do que o lhe é permitido, e é pelos seus olhos, que lentamente se abrem, que vemos as barreiras levantadas à volta de uma nação, que não deixam espaço para sonhar. 

No entanto, podemos sempre questionar até que ponto certos acontecimentos podem ser reais, mas a forma segura com que Johnson as descreve leva-nos a aceitar a realidade deste livro, porque, aos poucos, tudo faz sentido neste enredo inteligentemente sustentado e coerente. E pelo meio, enquanto nos sentimos rodeados por uma narrativa que vai crescendo de intensidade, quase nos esquecemos que esta obra tem um objetivo que é mais forte do que expor um regime, e esse objetivo é mostrar o melhor e o pior de quem habita o mesmo mundo que nós. E no fim, os dois extremos tocam-se neste enredo, mostrando o ódio e o amor que o ser humano pode sentir, e talvez seja isso que nos faz humanos. 

Adam Johnson criou um dos melhores livros dos últimos anos e os prémios que venceu são a prova. A forma detalhada com que descreve os vários locais e etapas da vida da sua personagem leva-nos a perceber a escala da máquina que controla um país, e, simultaneamente, a enorme discrepância entre os que controlam e os que são controlados, mesmo sem terem essa noção. No início pode existir alguma confusão, devido aos saltos que a narrativa dá entre narradores e espaço temporal, mas a escrita é simples o suficiente para nos canalizar a atenção para o que é importante, e a partir do momento que nos agarra, é difícil resistir a este livro que deve ser lido.

Tentando não falar nem uma linha sobre a história, pois este é um enredo que deve ser lido sem qualquer revelação, tudo o que eu possa enumerar não é mais do que pequenos detalhes num livro que respira qualidade em todas as suas páginas. Ainda é cedo para dizer se será o melhor livro de 2014 lido por mim, mas será, certamente, um dos melhores do ano. Vencedor do Prémio Pulitzer em 2013, este livro é mesmo muito bom. Inteligente, forte, marcante, revelador... totalmente recomendado.

Luís Pinto

Podem saber mais sobre o livro no site da editora, aqui.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Novidade: Isabel Allende - novo romance


A 21 de fevereiro, chega às livrarias portuguesas O Jogo de Ripper, o
novo e muitíssimo aguardado romance de Isabel Allende. 

A chilena é uma das escritoras mais populares do mundo, tendo já ultrapassado os 60 milhões de livros vendidos.
Autora de êxitos incontornáveis, como A casa dos espíritos, Eva Luna e Paula, Isabel Allende oferece aos leitores o primeiro policial da carreira. O sucessor de O Caderno de Maya é um romance surpreendente, narrado com a prosa única que deu fama a Isabel Allende.

O JOGO DE RIPPER

Indiana e Amanda Jackson sempre se apoiaram uma à outra. No entanto, mãe e filha não poderiam ser mais diferentes. Indiana, uma bela terapeuta holística, valoriza a bondade e a liberdade de espírito. Há muito divorciada do pai de Amanda, resiste a comprometer-se em definitivo com qualquer um dos homens que a deseja: Alan, membro de uma família da elite de São Francisco, e Ryan, um enigmático ex-navy seal marcado pelos horrores da guerra.
Enquanto a mãe vê sempre o melhor nas pessoas, Amanda sente-se fascinada pelo lado obscuro da natureza humana. Brilhante e introvertida, a jovem é uma investigadora nata, viciada em livros policiais e em Ripper, um jogo de mistério online em que ela participa com outros adolescentes espalhados pelo mundo e com o avô, com quem mantém uma relação de estreita cumplicidade. Quando uma série de crimes ocorre em São Francisco, os membros de Ripper encontram terreno para saírem das investigações virtuais, descobrindo, bem antes da polícia, a existência de uma ligação entre os crimes. No momento em que Indiana desaparece, o caso torna-se pessoal, e Amanda tentará deslindar o mistério antes que
seja demasiado tarde.
 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

O JOGO


Autor: Anders de la Motte

Título original: Geim


Este livro começa de forma rápida, indo direto ao que será o tema base do livro: um rapaz encontra um telemóvel que lhe pergunta se quer jogar um jogo. Este jogo tornar-se-á perigoso e descontrolado, levando o jogador e o leitor num ritmo alucinante até ao final.

As duas personagens principais, HP (o jogador) e Rebecca, não são personagens com as quais tenha simpatizado no início, mas no fim percebemos que a forma como o autor as criou está bem pensada e encaixa no que o enredo precisava. A isto junta-se o grande trunfo do livro, que é o ritmo. Aqui o autor, que ganhou com este livro o prémio de Melhor Livro pela Academia Sueca de Escritores, usa um ritmo sempre elevado, sem grande tempo para descrições desnecessárias, pois aqui todas as palavras do autor servem para desenvolver personagens e enredo. E assim, com este ritmo elevado e uma ideia base interessante, o livro agarra-nos com facilidade, principalmente porque queremos saber qual é o objetivo de quem criou o jogo.

Fazendo parte de um trilogia, o livro teria de nos deixar suspensos no enredo, e consegue-o. Fiquei com bastante vontade de ler os próximos e espero que o autor mantenha o ritmo neste nível, porque é a sua escrita simples e direta que me fez continuar facilmente. No entanto, este ritmo elevado, graças a descrições mais rápidas e objetivas, também leva ao pior que este livro tem, e que são as coincidências. Existe uma grande parte do enredo, tanto no que acontece como nas decisões das personagens, que tornam o livro forçado. São vários decisões tomadas e que o autor não explora o porquê de as terem feito. A isto juntam-se os acontecimentos que parecem forçados, levando-nos até ao final sem questionar nada. Este facto no entanto pode ser atenuado nos próximos livros, onde o autor terá de explicar o porquê de vários acontecimentos que claramente nos levam até a este final de primeiro livro e que apresenta boas reviravoltas.

Destaque ainda para as personagens secundárias, que aqui apresentam boa qualidade, com momentos interessantes e coerência fácil de se identificar tendo em conta que estamos perante um livro tão rápido. O enredo é o principal deste livro, porque nos mantém em constante suspense, mas como disse antes, parece forçado e precisa de explicações nos livros futuros. Todavia, este é um livro que os fãs do género irão gostar bastante e que irão ler à velocidade da luz. Pelo meio algumas decisões complicadas para as personagens, algumas reviravoltas inesperadas e um final que abre muitas portas para o futuro da saga.

Sendo um livro agradável, não estamos perante uma obra prima nem algo revolucionário, mas também não é o que os leitores costumam procurar neste género. Queremos divertimento e um livro que nos vicie. Se gostam do género e de uma leitura de ritmo elevado, este livro é uma boa escolha, mostrando o porquê de ter ganho os prémios que ganhou.  

Luís Pinto