quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

O REI VEADO


Autor: Marion Zimmer Bradley

Título original: The Mists of Avalon - Book Three: The King Stag



Este terceiro livro da saga As Brumas de Avalon é, provavelmente, o que mais gostei até agora. Em termos de qualidade, está ao nível dos anteriores, e cada vez mais sinto que, ao ler esta saga, estou a ler um único livro, onde a qualidade e ritmo são constantes, a forma narrativa está igual e nada parece forçado ou arrastado.

O que me faz gostar mais deste livro são os temas que agora têm o controlo da história. A autora continua a tocar, sem qualquer receio, em temas controversos, como a religião, a manipulação de massas ou a homossexualidade, tudo isto misturado numa invisível hipocrisia, que por vezes, nem o leitor descortina à primeira. Este é ainda, o livro onde o fanatismo religioso ganha maiores contornos, cegando as personagens e desculpando os seus atos e ignorância. A esta fórmula ganhadora junta-se agora a dúvida de algumas personagens sobre os seus atos e motivos, e por isto tudo, digo que é impossível para mim dizer se este livro é melhor ou pior que os anteriores (pois todos são muitos bons), mas foi o meu favorito.

As personagens continuam fantásticas e Morgaine volta a ser genial, e, para além de nos fazer pensar, também nos ilude, tornando a leitura melhor. No entanto, estes pequenos pormenores ajudam a demonstrar um dos grandes trunfos desta saga: as personagens são reais, têm falhas, têm vergonha e têm medo, e esta história nunca seria tão marcante se não estivéssemos perante um grupo de personagens bastante credível e que nos deixam uma mistura de sentimentos.

Gwen e Arthur são o ponto central deste livro, e facilmente consigo gostar do Rei e detestar a Rainha. Não é difícil perceber no que estas personagens se tornaram, nem porquê. Existe uma forte luta entre religiões que incendeia a política, mas principalmente a mente e os objetivos das pessoas. Fazer a vontade de Deus poderá ser a mais fácil desculpa para muito do que se faz, mas isso dependerá da forma como usamos essa desculpa. Onde está afinal o limite? Será que temos consciência que estamos a usar a religião apenas como uma desculpa para implementar a nossa vontade?
Em termos psicológicos, Arthur é quem demonstra ao autor esse limite, sendo a personagem que questiona a sua vida por não estar preso a fanatismos. E com ele vemos que cada homem, em algum momento da sua vida, questionará o que deixou neste mundo e também as razões para muito do que fez.

Apesar de num ou noutro momento sentir que a autora poderá ter exagerado na forma como o homem é demasiado fraco dentro do jogo de intrigas, e que o seu lugar na corte se deve apenas à força física, percebo que o mundo e todo o seu contexto leve a tal ideia. É verdade que gostava de ver um homem a ter a capacidade de andar pelos bastidores e jogar as suas cartas, mas este é, um livro onde a luta pela moralidade e religião imperam, e um homem que passou uma vida apenas a olhar para a guerra, não consegue criar a teia de interesses para sobreviver neste mundo.

Falta-me apenas um livro para terminar esta fantástica saga e por isso vou deixar uma melhor apreciação para o fim. Para já, vou vendo onde a história me leva, mas novamente a ideia persiste: esta saga é consistente, onde mundo, personagens, diálogos e história, estão ao mesmo nível (altíssimo), dando uma sensação de plenitude que poucas sagas oferecem. E por isso estamos perante uma saga tão famosa no seu género.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

UMA CASA DE FAMÍLIA


Autor: Natasha Solomons

Título original: The novel in the viola


Na primavera de 1938, a ameaça nazi paira sobre a Europa.

Em Viena, a família Landau vê desaparecer muitos dos seus amigos e teme pela sua segurança. Decidem fugir do país mas não poderão partir juntos. Elise, a filha mais nova, é enviada para Inglaterra, onde a espera um emprego como criada de uma família aristocrática. É a única forma de garantir a sua segurança. Para trás deixa uma vida privilegiada.


O que me agradou neste livro foi a sua base de partida e não me desiludiu. Esta obra é sobre o início da Segunda Guerra Mundial e como uma parte da sociedade tentou adaptar-se sem saber o que estava para vir. Os Judeus tentam manter-se em segurança, a restante sociedade não sabe como os encarar, se os deve ajudar ou manter-se afastada. Como sempre, uns preocupam-se, outros não.

O livro apresenta um ritmo que oscila. Por vezes é rápido, por vezes é lento, mas no global é um livro que vai acelerando enquanto a história se desenrola e os locais ficam na nossa memória. Olhando ainda para a escrita da autora, não se trata de uma prosa fascinante mas consegue "oferecer-nos" a história com qualidade e facilmente sentimos o que a autora nos tenta transmitir. Esta qualidade está, essencialmente, presente nas descrições de locais, e sentimos que estamos presentes no mundo que a autora descreve.

Elise é uma personagem principal bem construída, e é com ela que o livro ganha uma forte carga emocional por nos aproximarmos de uma rapariga que perdeu tudo e deixou para trás tudo o que conhecia, procurando apenas a sua sobrevivência, e torna-se fácil simpatizar com esta personagem. Menciono ainda os pais de Elise, que apesar de estarem ausentes do centro narrativo, dão um forte contributo à história com pequenas ideias e simbolismos quase sempre presentes.

A ideia base é, como já tinha dito, muito interessante, e está bem conseguida. No entanto, também devo assinalar que a autora junta um toque de preconceito (sobre as origens das pessoas) que me agradou, e que dificultam toda uma vida que já não se apresenta fácil. Ainda dentro da visão de cada pessoa, vemos várias "visões" sobre a guerra. Uns admiram os heróis, outros choram os mortos, mas aqueles que voltam e são aplaudidos, conseguem apagar da memória da generalidade do povo a morte dos restantes, e novamente vemos que, na maioria das vezes, apenas choram os que são próximos. Os outros rapidamente esquecem.

O final foi, provavelmente, o que menos me agradou. Percebo a decisão da autora e, olhando para toda a história, a base foi construída para que este final fosse possível, e de certeza que muitos leitores gostarão da forma como a autora acabou estas páginas.

Tentando não revelar nada, esta opinião é sobre um livro que não está no topo do seu género mas que é um bom livro. Tem pormenores de grande qualidade e quem goste do género ou do tempo em que a história se passa (início da Segunda Guerra Mundial), terá aqui uma boa escolha, assente numa história de amor e solidão, onde várias personagens ficam na memória. 

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Passatempo: Jamie Oliver - vencedor!


PASSATEMPO

Jamie Oliver
Refeições em 15 minutos


Chegou ao fim mais um passatempo, desta vez um bem diferente, pois oferecemos um livro de receitas!

Obrigado a todos os que participaram e divulgaram este passatempo, e se não ganharam, desejo-vos boa sorte para a próxima!

E o vencedor é:

Carlos Henriques Sousa

Parabéns ao vencedor!

Mais passatempos em breve! Continuem a participar e boa sorte!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

OS DILEMAS DO ASSASSINO


Autor: Robin Hobb

Título original: Golden Fool: Book 2 of The Tawny Man




Após ter lido o primeiro livro desta nova saga (O Regresso do Assassino), e de ter sido, na minha opinião, o melhor livro da autora neste mundo de fantasia, havia o problema de as minhas expectativas estarem muito altas.

A verdade é que o livro sofre com a sua divisão ao meio, não em termos de qualidade, mas em relação a momentos marcantes. No global, este livro tem a mesma qualidade que o anterior: personagens coerentes, bons diálogos, boa intriga (bem estruturada e montada nos momentos certos) e os pensamentos de Fitz a moldarem a narrativa e seu ritmo. No entanto, ao estar dividido (não que eu condene a divisão) este livro torna-se exclusivamente no criar de uma nova intriga, e para a desvendar, teremos de ler o próximo.

A história começa onde acaba o anterior e agora Fitz terá de se adaptar a uma nova realidade enquanto sofre as recentes perdas. A partir desta base estaremos perante, tal como o título indica, os dilemas de Fitz sobre vários temas: a forma como educará Zar, o treino com o Príncipe, o seu novo papel na corte, etc... (não vou revelar mais, mas existem mais alguns dilemas que seguramente ajudarão a agarrar o leitor até ao fim da saga).
Com esta carga mais emocional, e com menos ação, o ritmo do livro volta a baixar tal como a autora já tinha feito na saga anterior, em que o segundo livro é a definitiva construção da base na qual o resto da saga se irá apoiar.

Sendo assim, este criar da intriga pode ser menos viciante, mas será, certamente, muito importante para o futuro, e isso será notório quando mais tarde olharmos para certas personagens e também culturas (a noiva do príncipe e a sua cultura deverá ser o exemplo mais marcante). 
Falando ainda sobre culturas, a autora, uma vez mais, expande o seu mundo, dando a cada livro uma visão mais alargada sobre este mundo onde estão os Sete Ducados. Para já, e apesar de pouco ter sido revelado, o pouco que se nota de novo, identifica-se como algo diferente do que foi apresentado até aos livros anteriores, e a sensação de repetição não existe.

Um dos aspetos mais interessantes é o desvendar de algum do passado dos dragões e também da personagem Bobo. Por um lado, temos uma nova visão sobre o aparecimento e o desaparecimento dos dragões, que nos ajuda, não só a tentar adivinhar o que está para vir, mas principalmente a perceber alguns fatores que ficaram por esclarecer na saga anterior, e este detalhe ajuda a juntar ainda mais as sagas. E por outro lado temos o Bobo... sempre reservado e calculista, esta personagem raramente responde diretamente, e como tal, raramente temos uma resposta definitiva. Sendo assim, qualquer informação sobre o passado deste personagem é imediatamente absorvido pelo leitor, desejoso de saber mais sobre este amigo de Fitz, e neste aspeto, este livro é talvez o que mais informações dá, sem dar nenhuma em concreto, e como tal, podemos dizer que este livro cria mais perguntas do que responde e nos mostra que ainda existirão muitas revelações!

Por último, uma pequena referência para o desvendar (finalmente) da personalidade de Breu. É verdade que não temos muito, mas nota-se que a autora quer aproximar o leitor desta personagem, talvez para mais tarde criar um momento de maior carga emocional, mas é claro que a história ganha com o aprofundar de mais uma personagem da qual sabemos muito pouco.

Com Fitz a amadurecer e a autora a manter a qualidade que nos habituou, esta saga prende-me como poucas conseguem. Muitas perguntas ficam no ar e não existe nenhuma revelação conclusiva, existindo sim, várias "dicas" por parte da autora ao nos mostrar que certa noção está errada, ou certo diálogo não nos mostrou tudo o que deveríamos saber. 
Há várias personagens novas (estou bastante curioso em relação a algumas), todas elas de culturas diferentes, e as últimas páginas iniciam acontecimentos que, certamente, me farão ficar colado às próximas páginas.

Para já, há muito que gostaria de dizer sobre este livro mas guardarei para o próximo. O que posso dizer é que Robin Hobb escreveu uma saga que me prende como poucos conseguiram, e é a par de sagas como O Mago e A Guerra dos Tronos, uma das poucas que me faz querer ler imediatamente o próximo. Não se destaca em nenhum dos aspetos mais importantes da fantasia (personagens, mundo, magia, etc...), mas no global, está muito acima da média! 

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Do livro à tela: várias adaptações 2

DO LIVRO À TELA

2º bloco de textos



Hoje trago-vos mais uma compilação de textos sobre adaptações que fiz na minha rubrica "Do Livro à Tela" no site Magazine HD.



Foi um final de ano com várias adaptações e que se tornaram em grandes filmes, cheios de nomeações e sucesso nas bilheteiras. 

Ficam aqui os links de cada opinião.


Dêem-me as vossas opiniões!










  





 

  E para 2013, que adaptações querem ver?

Digam as vossas sugestões!