quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

CLOUD ATLAS - Atlas das Nuvens


Autor: David Mitchell

Título original: Cloud Atlas


David Mitchel diz-nos que cada um de nós é uma gota no oceano. Mas não é um oceano, um conjunto de gotas? Então estamos todos ligados...
6 pequenas histórias... O primeiro ponto a focar é o esquema do livro. 6 histórias são lidas cronologicamente (da 1ª até à 6ª) e interrompidas as primeiras cinco, deixando o leitor apenas a conhecer a 6ª história até ao seu fim. Depois, vamos regressando ao passado (da 6ª à 1ª) e, consequentemente, o livro acaba na mesma pequena história onde começou.

Cloud Atlas é um livro único. A sua mistura entre ciência e filosofia faz com que cada pessoa tenha a sua interpretação, pois a carga filosófica e científica é tão marcante, que ficamos perante um enorme conjunto de razões possíveis para o que acabámos de ler. Mas a mensagem inicial, aquilo que liga as seis histórias e consequente razão do qual o livro trata, essa é universal... é a ligação entre a matéria, viva ou morta. É a ligação que torna tudo eterno? Aquilo que agora compõe o meu corpo, já antes esteve noutro ser vivo e voltará a outro depois de mim... mas poderá transmitir algo mais do que "massa"? poderá transmitir sentimentos ou conhecimento? Ou será a alma o fator eterno que nos molda e define?

Quando acabei esta obra, pensei que não há nada igual ao trabalho que este autor deixou nestas páginas. As 6 histórias apresentam-se em diferentes eras, desde o nosso passado até um futuro distante e nada risonho, e enquanto viajamos pelo tempo e espaço, a narrativa muda, tornando esta obra num conjunto de 6 livros que apresentam géneros diferentes. Thriller, ficção-científica, comédia, etc... David Mitchell acaba por criar um género ousado e que será, certamente, ligeiramente copiado no futuro.

Num olhar científico, a Terceira Lei de Newton diz-nos que para qualquer ação, existirá sempre uma reação de igual força. Num olhar filosófico, Descartes diz-nos "Penso, logo existo"... o fantástico deste livro é a forma como, ao mesmo tempo, apoia e destrói estes dois olhares. E a partir daqui, cada leitor terá uma experiência única e que deve ser lida.

Não é um livro fácil e pede-se algum ritmo na leitura. Se olharmos com atenção, há muitos momentos que são iguais nas várias histórias, pequenos pormenores que mostram a ligação, e estes momentos serão mais facilmente descobertos se lermos o livro a uma boa velocidade. Também não será um livro que agrade a todos, mas é preciso termos consciência para o que iremos ler. Este livro é, como já disse, científico, filosófico, e nada definitivo. Mas é também um livro sobre a ganância pessoal e empresarial que poderá destruir a moralidade que muitos lutaram para construir.

Posto isto é óbvio dizer-se que o conjunto das seis histórias é muito mais do que cada uma individualmente, pois é a ligação que faz a diferença. E no fim perguntamos o que é uma ligação? O que é existir? O que é um sentimento? O que é sonhar?


Muitos leitores não irão apreciar, outros irão adorar. No meu caso: um dos melhores livros que li este ano, e que um dia voltarei a ler, encontrando, certamente, novos significados.

Para os interessados deixo o link da editora e também o do livro, com mais informações e o trailer da adaptação cinematográfica.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

OS MISERÁVEIS


Autor: Victor Hugo

Título original: Les Misérables


Agarrar e ler este livro é quase um ato de coragem. Mais de 1200 páginas é o que precisamos de ler para conhecermos a imortal obra de Victor Hugo. Felizmente a qualidade é tão grande quanto o próprio livro.

É verdade que o tamanho do livro mete "respeito" mas nunca foi uma leitura difícil, principalmente porque não precisamos de muitas páginas para perceber a genialidade da escrita de Victor Hugo: uma escrita pausada, que tem tanto de lógica como de apaixonada, que tem tanto de metódica como de sonhadora... e que constantemente nos faz pensar enquanto nos abre portas a novas formas de ver a vida.

Não é preciso muito até se tornar óbvio estarmos perante um livro obrigatório. Demora a ser lido e apresenta um ritmo baixo, mas trata-se essencialmente de uma obra marcada pela filosofia e pensamentos de um fantástico autor que nos leva a questionar o que é essencial, enquanto vemos um retrato lento e marcante da decadente sociedade francesa. Tudo isto misturado numa história de amor e injustiças, narrada com grande realismo.

Valjean é a grande personagem deste livro e com ela são abordados os mais variados temas, levando-me a não conseguir definir a sua personalidade em duas ou três características. Bondoso e responsável, estamos perante um homem física e mentalmente destruído, mas, tal como Victor Hugo nos diz, até a mais negra noite encontra o seu fim e o sol nasce.  A questão será quando... Valjean é, sem qualquer dúvida, das melhores personagens alguma vez criadas.

Com personagens marcantes, como Fantina, Cosetta, Javert e Valjean, Os Miseráveis é uma história de amor, de sacrifício, ódio, e essencialmente, miséria... quer seja a miséria no bolso ou na mente. Tudo começa com um olhar, principalmente esse sentimento que é "amar". Nada se compara à sensação de sermos amados, e pior do que morrer, é viver sem sermos amados. E muitas das personagens desta história, nunca o foram, e portanto, nunca viveram. A vida matou o sonho...

Devemos reeducar as pessoas, ou castigá-las eternamente?

Envolta em fortes convicções políticas, a história é manipulada pelos que têm poder e pelos que não conseguem desistir, quer seja para fazer o bem, ou o mal. Mas a realidade, e a mensagem que o autor nos passa é que não ser ouvido não é razão para nos calarmos. Como podem, perante o caminho da felicidade, algumas pessoas voltarem para trás, por acharem que certos obstáculos são intransponíveis?

Quantas vezes sonhámos com um Deus misericordioso?

Victor Hugo diz que não há meio termo para o amor... ou te destrói, ou te salva. O livro é igual. Devido ao seu tamanho e ao pormenor que o autor oferece na sua narrativa, algumas pessoas deixarão o livro a meio, mas acredito plenamente que quem acabar esta obra, terá sido marcado pelas palavras deste autor.
Eu adorei o livro e para mim é obrigatório. É um dos melhores livros de sempre e a minha humilde crítica não fará justiça a tamanha obra. Aliás, para mencionar rapidamente todos os temas alcançados pelo autor, teria de escrever muito mais...

Custa, mas vale a pena cada minuto! Leiam-no!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

TERCEIRO GRAU


Autor: James Patterson

Título original: 3rd Degree


Após um bom começo de saga e de um segundo livro que não conseguiu estar ao nível, este terceiro livro é sem grande dúvida o melhor da série. 

E porquê? Porque Patterson arrisca. Em primeiro lugar temos um grupo de terroristas  com motivações interessantes, e o enredo vê-se envolto num tema polémico e atual. A crítica social está presente, mas o mais provável é só darmos por ela quando acabarmos o livro, tal é o ritmo a que a leitura se desenrola. Tudo isto torna o livro mais coerente e com maior qualidade.

Outro ponto a favor é o facto de pela primeira vez sentirmos que as personagens principais estão em risco e aquele sentido de proteção dada pelo autor desaparece, tornando o livro muito mais realista, levando a saga para um caminho que não consigo antever.

A fórmula é a mesma: ritmo elevado, personagens que são aprofundadas um pouco em cada livro e uma enorme necessidade de continuar a ler até ao fim. Mas este livro, para além de mais polémico, é também o mais surpreendente de todos. Imprevisível em muitos momentos, não é muito difícil descobrir a identidade do mestre por detrás do grupo terrorista, mas este é também o primeiro livro da saga em que identificar o vilão não é o mais importante... e quem ler, irá perceber o que quero dizer.

Capítulos pequenos, rápidos como sempre, com finais que nos obrigaram a ler mais umas páginas, e espaço apenas para os detalhes que façam avançar a história, Patterson traz-nos o livro visualmente mais leve da série, desaparecendo um pouco o olhar macabro dos anteriores vilões, mas tal não faz este livro ser menos interessante. Lindsay continua a ser a personagem principal mas perde alguma da sua preponderância, e agora temos alguns capítulos das restantes amigas. Esta adição é muito agradável e apenas se pedia que em certos momentos a narrativa fosse mais lenta para termos uma melhor noção dos sentimentos de quem estamos a seguir.

Tal como sempre, Patterson faz um livro dentro da sua fórmula. Não esperem obras-primas, nem narrativas complexas e belas. Isto é uma série de ação, para ser lida em poucos dias, para colar o leitor às suas páginas e entreter até à última linha. Não há grandes descrições nem grande filosofia ou pensamentos profundos. O que há, é uma enorme necessidade de continuar a ler, se este género vos agradar. James Patterson é um nome a seguir! E quem gostar do autor, não deverá perder este livro.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

AS BRUMAS DE AVALON - A Rainha Suprema


Autor: Marion Zimmer Bradley

Título original: The Mists of Avalon - Book Two: The High Queen


Após um primeiro livro que serviu para introduzir personagens, religiões e "máquina política", este segundo livro é, tal como o nome indica, marcado pela Rainha Suprema e sua evolução. Gwen, que mostra uma forte transformação durante o livro, é a personagem que faz a história avançar, pois é ela a face da verdadeira batalha deste enredo. Uma batalha que é muito mais do que escudos e espadas.

Como se destrói uma ideia? Como se apaga uma religião, uma fé, uma necessidade de acreditar em algo?
Com uma nova fé? Por palavras ou espada? Com compreensão ou desprezo? Estas perguntas, facilmente identificadas neste livros, foram a realidade (e provavelmente ainda são) do nosso passado, da evolução das civilizações e da manipulação, consciente ou inconsciente, daqueles que tinham a capacidade de argumentar e influenciar... ou simplesmente o poder da decisão. E todas as sociedades do planeta foram limitadas pela sua própria religião.

Gwen, a Rainha Suprema que nunca será feliz por acreditar que transporta dentro de si o verdadeiro pecado, é a fraca e manipulável pessoa com a qual acabamos por sentir simpatia, mas que muitas vezes me deixou de boca aberta pela sua incapacidade de pensar por si mesma e aceitar as diferenças... As pessoas têm medo do que não compreendem e do que é diferente.
E o facto de me ter ligado (para o bem e para o mal) com esta personagem, demonstra a fantástica qualidade da autora em nos levar a atravessar as brumas e entrar nesta história. Um caso raro de qualidade. 

"Mas em perfeita verdade, penso que serão os cristãos a ter a última palavra"

No geral, e olhando apenas à qualidade da obra, este livro está ao nível do primeiro, o que é excelente, com personagens bem construídas e coerentes, com ideais vincados e um mundo que se sente a respirar. Mas o aprofundar da trama e de algumas personagens, torna-o muito mais viciante (também por não necessitar da introdução obrigatória no primeiro livro), e facilmente nos vemos dentro deste mundo.

É verdade que o livro peca por não apresentar nenhum "momento de cortar a respiração", sendo mais uma obra de evolução de personagens, muito graças aos saltos temporais que dá, mas é esta evolução, de todos os seus componentes, que me prende a esta saga. MZB criou um mundo sólido e credível como poucos conseguiram, e em apenas dois livros (que nem sequer são muito grandes).

Morgaine é a minha personagem preferida (apesar de Igraine ter tido o grande momento do livro) e provavelmente terá muito a dizer até ao fim da história, e confesso que me agradou um momento muito particular no qual a autora mostrou que esta mulher também é humana, e como tal, susceptível de errar, tal como todas as outras personagens.

Recomendado? Sim. Ainda estou apenas a meio desta saga, mas a qualidade de MZB está presente desde a primeira linha, e facilmente se percebe o enorme sucesso da saga. Faltam ler dois, e fico à espera de um final arrebatador a esta história sobre a qual não falo para nada revelar.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Passatempo: Uma Morte Súbita - Vencedor

PASSATEMPO

Uma Morte Súbita
de J. K. Rowling


E chegou ao fim mais um passatempo em parceria com a Editorial Presença. É o regresso da escritora que nos deu Harry Potter. 

Desde já, obrigado a todos os que participaram! Recebemos centenas de participações, a grande maioria com resposta bem grandes, em que deixaram a vossa opinião sobre esta autora e a sua grande saga, indicando o que mais gostaram em Harry Potter (a resposta não influenciava o sorteio). 

Uma vez mais obrigado!

E o vencedor é: 

Maria Guadalupe Miguel

Parabéns à vencedora!

Mais passatempos em breve, por isso não deixem de participar!

Para os interessados, podem procurar por mais informações sobre o livro neste link, ou consultar a minha opinião ao livro neste link.

Boa sorte para a próxima!