sexta-feira, 31 de maio de 2013

Do Livro à Tela - várias adaptações - 3



 DO LIVRO À TELA


Hoje trago-vos mais um pack de artigos que escrevi para a Magazine HD sobre adaptações de livros para filmes, e desta vez, com jogos à mistura.


Ficam aqui os links:



God of War - diferenças entre livro e jogo


O Senhor dos Anéis e O Hobbit: curiosidades - um texto sobre as ligações entre as duas trilogias e que poderão passar despercebidas.

 Espero que visitem e leiam os textos, e que gostem. Mais textos sobre adaptações em breve!


quinta-feira, 30 de maio de 2013

O SEGREDO DE COMPOSTELA


Autor:  Alberto S. Santos


Sinopse: O dia 28 de janeiro de 1879 tinha tudo para ficar marcado na história da cristandade. Depois de dias suados de escavações na catedral de Compostela, foi encontrado o túmulo onde se acreditava que repousavam os ossos do santo apóstolo.
Mas... e se no destino final a que nos conduzem os místicos caminhos de Santiago se esconder um dos segredos mais bem guardados do Ocidente? Prisciliano, líder carismático do século IV e pioneiro defensor da igualdade das mulheres e dos valores do Cristianismo primitivo, é a figura preponderante neste enigma secular. Comprometido com a força da sua espiritualidade, viveu no coração os sobressaltos de um amor proibido, envolto em ciúmes e intrigas.
Ainda que aclamado bispo pelo povo, Prisciliano tornou-se no primeiro mártir da sua Igreja, a quem a História ainda não prestou o devido reconhecimento.
Depois de extraordinárias revelações, descubra neste fascinante romance respostas às inquietações que atravessam os tempos: Afinal, quem está sepultado no túmulo?
Qual o sentido atual das peregrinações a Santiago de Compostela?


Passado na fase em que o Império Romano começa a converter-se em grande escala ao Cristianismo,  o autor demonstra rigor e conhecimento histórico suficientes para criar um enredo coerente, apresentando detalhes interessantes, não só em termos religiosos, mas principalmente sobre o que é uma sociedade: costumes, mentalidade, hierarquia social, entre outros fatores.

Criar um romance histórico obriga sempre a um conhecimento da "Era" na qual o enredo acontece. Alberto Santos demonstra esse conhecimento, e todo o livro tem a capacidade de nos ensinar pequenos aspetos que tornam o livro mais sólido e o mundo mais coerente, levando também a uma maior coerência nas decisões/atitudes das personagens. A escrita do autor também ajuda a ficarmos "agarrados" ao livro e, apesar do ritmo nunca ser elevado, consegue prender o leitor graças à facilidade com que nos conta a história, nunca se prendendo em descrições que pouco dessem ao enredo.

Outro aspeto muito positivo é a montagem do próprio enredo. A narrativa vai dando saltos temporais sem nunca ser confusa, e ao fim de algumas páginas percebemos que se a narrativa avançasse cronologicamente, o livro iria parecer sem continuidade. Com estes saltos, sempre pequenos, o livro apresenta dinâmica, essencial para prender o leitor.

Prisciliano, personagem principal e que acompanhamos durante toda a sua vida, é quem se destaca pelas questões que indiretamente levanta. É verdade que a obra apresenta um bom conjunto de personagens, distintas, bem definidas e coerentes, mas é Prisciliano que nos dá algumas das ideias que o autor tenta transmitir. No entanto, é preciso salientar que o autor nunca nos obriga a seguir um caminho específico de pensamento, e senti-me livre para questionar as várias perspectivas e retirar as minhas conclusões.

Gostei bastante da história e do final que teve. Algumas personagens secundárias, mas muito misteriosas, criando uma necessidade de ler até ao fim e tentar desvendar o segredo. Num ou noutro momento foi previsível, mas nada que retire a grande qualidade que o livro tem. Afinal, o que nos faz acreditar "nisto ou naquilo"? O que nos dá, sequer, a necessidade de acreditar? Será uma necessidade biológica, ou estaremos perante uma construção cultural? Precisamos de acreditar em algum físico, ou a fé prende-se perante uma ideologia? Se visitamos um túmulo de um santo, fará diferença se essa mesma pessoa está nesse local? Ou o que realmente conta é o legado que essa pessoa deixou?

Esta obra de Alberto S. Santos está muito bem conseguida e aconselho-a a quem goste do género. Cada leitor tirará as suas conclusões e fará as suas perguntas, mas a qualidade será encontrada por todos os leitores, mesmo apesar de por vezes sentir que o livro é grande demais. Uma boa história sobre o crescimento de uma fé interior, a intolerância perante o que é diferente, e mais importante, é uma obra que nos mostra como um mesmo facto pode ser interpretado de formas diferentes, criando diferenças num efeito dominó que ainda hoje persiste. 

Tentarei ler os restantes livros do autor.

Luís Pinto

Se quiserem mais informações sobre os livros do autor, usem estes links:

O segredo de Compostela
A Escrava de Córdova
A profecia de Istambul

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Passatempo: O Deus das moscas - vencedor

PASSATEMPO

O Deus das moscas

Vencedor!

Chegou ao fim mais um passatempo, e desta vez o vencedor irá receber um exemplar da grande obra de William Golding, vencedor do Prémio Nobel da Literatura

Obrigado a todos os que participaram. E se não ganharam, desejo-vos melhor sorte para o próximo passatempo.


E o vencedor é:

David Moura

Parabéns ao vencedor.

A todos os que participaram, pediu-se que dissessem qual é o livro que aconselhariam a qualquer pessoa.
As respostas foram variadas, no entanto alguns livros foram repetidos bastantes vezes pelos vários participantes. Deixo-vos aqui uma pequena lista com os livros mais "nomeados":

Equador
Anjo Branco
O Conde de Monte-Cristo
A saga Harry Potter
A Guerra dos Tronos
Ensaio sobre a cegueira
Ratos e Homens
1984
O Principezinho
O meu pé de Laranja lima
A lua de Joana
O Alquimista
O Perfume
O retrato de Dorian Gray

Estes foram os mais votados numa enorme lista de participações. Alguns dos que estão aqui ainda não li, mas irei lê-los, assim que possível. Outro já li, mas ainda não consegui escrever sobre eles no blog... espero não demorar muito.

terça-feira, 28 de maio de 2013

CIVILIZAÇÃO


Autor: Niall Ferguson

Título original: Civilization

Se no ano de 1411 pudéssemos circum-navegar o mundo, ficaríamos deveras impressionados com as deslumbrantes civilizações do Oriente. A Cidade Proibida estava em construção na Beijing ming; no Próximo Oriente, os Otomanos cercavam Constantinopla. Devastada pela peste, pela falta de um sistema de esgotos e pela guerra incessante, a Inglaterra era, em contraste, um miserável charco de água estagnada. Os outros reinos conflituosos da Europa Ocidental – Aragão, Castela, Escócia, França e Portugal – estariam pouco melhor. Quanto à América do Norte, no século XV era uma região inóspita e anárquica comparada com os domínios dos Astecas e dos Incas. A ideia de que o Ocidente viria a dominar os Outros durante a maior parte da metade do milénio seguinte seria fantasiosa. E, porém, foi o que aconteceu.
O que caracterizava a civilização da Europa Ocidental e que consistiu num trunfo em relação aos aparentemente superiores impérios do Oriente? A resposta, segundo Niall Ferguson, é que o Ocidente desenvolveu seis “aplicações-chave” que os Outros não possuíam: competição, ciência, democracia, medicina, consumismo e ética de trabalho. A pergunta-chave hoje é se o Ocidente terá ou não perdido o seu monopólio nestas seis áreas. Se assim for, avisa Ferguson, podemos estar a viver o fim da ascendência ocidental.


A crítica internacional afirmou que este livro é uma obra-prima, e muitos outros dizem que Ferguson é um dos grandes historiadores do nosso tempo. Após ter escrito "A ascensão do dinheiro", o autor abre agora outro ponto de discussão: estará o Ocidente a perder o estatuto que teve nos últimos séculos? Estaremos perante o início da liderança Oriental? E se sim porquê?

Ferguson escreve todo o livro de forma a não existir qualquer dúvida sobre o que tenta transmitir. Metódico, tenta de forma simples mostrar o porquê das suas conclusões, quer seja com teorias, factos históricos, estatísticas, etc... No meu entender o trunfo do livro não será aproveitado pelo leitor que se limite a ler, mas sim por aquele que questione sobre estes temas, como se estivéssemos a argumentar com o autor. Nem sempre estive de acordo com o autor nas suas conclusões ou nas suas previsões, mas o importante será mesmo isso: tirarmos as nossas conclusões!

O autor leva-nos por cada um dos seis aspetos que ele considera chaves para o desenvolvimento de uma civilização e todos eles estão muito bem documentados. Portugal, Espanha e Inglaterra, enquanto grandes potências dos últimos séculos, têm um papel muito importante no início da civilização que conhecemos e o autor argumenta sobre assuntos muito interessantes, explicando diferenças, não só entre os povos ocidentais, mas também com os orientais. E confesso que nunca a leitura foi difícil ou lenta.

No entanto o fator que gostei mais neste livro, foi sentir que o autor olha para uma civilização como um todo e nada foi deixado de fora. Religião, educação, arte, desporto, política e leis bancárias são apenas um pouco de tudo o que Ferguson considera que ajudou à ascensão do ocidente e que agora poderá levar ao domínio oriental. E posto isto, o que devemos fazer para não sermos "esmagados" por uma China em enorme crescimento? Esta é uma das muitas perguntas que o autor tenta responder, mas existem outras: a nossa educação estará a trair-nos? Porque conseguiu os EUA desenvolver-se tanto e os outros países americanos, colonizados no mesmo espaço de tempo, não? Em que parte ajuda e prejudica a luta que vemos entre ciência e religião? E qual a política que ajuda mais o desenvolvimento de uma sociedade?

Gostei imenso deste livro mas apenas o recomendo a quem tenha interesse pelo tema. O livro deve ser lido de forma lenta e com espírito crítico, pois de outra forma, acredito que não tenha grande impacto. Muito interessante, muito bem montado e pensado, este livro ensinou-me muito e mais importante: ajudou-me a tirar algumas conclusões. Um autor a ter debaixo de olho.

Luís Pinto

terça-feira, 21 de maio de 2013

A JORNADA DO ASSASSINO


Autor: Robin Hobb

Título original: Fool's fate


Este livro deixou-me uma mistura de sensações: por um lado quero rapidamente acabar a saga, por outro parece que já sinto saudades por estar quase no fim. É um caso raro uma saga conseguir prender-me desta forma, mesmo ao fim de 9 livro já lidos, se tivermos em conta a saga anterior.

Neste 4º e penúltimo volume, a autora prepara tudo mas não nos oferece nada de conclusivo. O que quero dizer com isto é que vemos, sem grande dificuldade, a autora a preparar, com pequenos detalhes, o que irá acontecer no fim. Nota-se em alguma falas, em alguns olhares, em alguns pensamentos, e vemos que existem tantos fatores que podem decidir e tantas perguntas sem resposta... porque a autora está a guardar tudo para o fim sem que a viagem até lá seja frustrante.

A escrita da autora é a que já conhecemos. Vai ao detalhe, principalmente na construção das personagens, acelerando e diminuindo em certas ocasiões. No geral, este é um livro com um ritmo mais elevado do que o normal na saga, diminuindo em duas ocasiões, onde acho que a autora nos quis obrigar a não esquecer tal momento, para depois, no futuro, tal ser importante.

Sobre as personagens não há muito a dizer. Todas vão no sentido que esperava, mas existem três que ganham maior destaque e que se desenvolvem bastante: Teio, Urtiga e Veloz. Menciono-os porque acredito que venham a ser muito importantes. Neste desenvolvimento a autora não foge ao seu estilo e nenhuma me parece incoerente. O mundo também está agora mais exposto com a viagem do Príncipe a abrir a narrativa a novas culturas, no entanto o vislumbre é rápido e parece-me que a autora não nos quer dispersar quando há tantas questões ainda sem resposta. Aliás, Hobb faz questão de, muito indiretamente, nos mostrar todos aqueles pontos que nós queremos resolvidos.

Sobre Fitz não há muito a dizer. Gosto da personagem pelos sacrifícios que faz, mas principalmente pelas falhas que tem, sendo que a autora nos conseguem explicar o porquê das suas más decisões, e isso é muito importante, pois retira a sensação de que algo que corra bem ou mal, tenha sido forçado. Devo ainda salientar a personagem Obtuso. Para mim é uma das melhores e das que está melhor construída. Está bem explorada e apresenta detalhes que me surpreenderam, não por serem detalhes importantes, mas porque não o são, e mesmo assim a autora apresenta-os por forma a tornar a personagem mais coesa e preparando-a para o futuro, para que depois não se estranhe alguma reação da personagem.

Estou a escrever esta opinião e só me aparece partir já para a leitura do próximo livro. Esta saga é mesmo um caso raro na forma como me agarra e me obriga a não parar de ler. Onde está o seu segredo? Em vários fatores. Em primeiro lugar há ainda muito a explicar mas nota-se que a autora terá resposta a tudo. E em segundo são as personagens, e para mim este é o fator mais importante. Hoob conseguiu que me preocupasse com Fitz, com Breu, com Obtuso, etc... que sorria quando vencem, que fique triste quando perdem, e tal ligação não é fácil de se conseguir pelo papel a partir do momento em que o leitor passa quela fase mais mágica da adolescência. Se o final for tão bom como eu espero, seja ele alegre ou cruel, esta saga será memorável, porque a verdade é, que em 9 livros, ainda não tenho nada a apontar (a não ser o ritmo baixo mas que também oferece qualidade)!

Hobb fez um trabalho fantástico até agora! A pessoa que me aconselhou a começar esta saga disse-me: "não vais conseguir parar de ler..." e acertou. Vamos ver se o fim me faz sorrir...

Assim que acabar o próximo livro, deixo aqui a minha opinião, e ainda um olhar mais aprofundado a toda a saga.

Luís Pinto

domingo, 19 de maio de 2013

Novidades Publicações Europa-América


Um grande livro, inúmeras vezes adaptado ao cinema. Para quem queira saber a minha opinião, basta clicar aqui.


RELANÇAMENTO

Título: Grandes Esperanças
Autor: Charles Dickens
Colecção: Clássicos
Preço: 17.67€
Pp.: 464




Publicado pela primeira vez em 1860/61, Grandes Esperanças é um dos romances mais sérios de Charles Dickens. É impossível escapar ao poder de sedução desta obra poderosa e violenta — de onde não estão ausentes nem a sátira nem o humor. Tal como num romance policial, o mistério apodera-se da nossa atenção e a revelação da sua verdade psicológica e moral mantém-nos em suspenso até ao derradeiro momento. Hipnotizados pela voz de Pip e guiados pela sua memória, vamos desvendando o segredo das suas «grandes esperanças» e testemunhando o encontro de um homem consigo próprio.

Esta nova adaptação cinematográfica de Mike Newell, conta nos principais com Ralph Fiennes, Helena Bonhan Carter, Jeremy Irvine e Holliday Granger, entre outros.

Leia o livro. Veja o Filme.

Passatempo: O Deus das Moscas


PASSATEMPO

O Deus das Moscas


Para mim um dos melhores livros de sempre, e aclamado pela crítica como obrigatório... hoje trago-vos a oportunidade de ganharem um exemplar desta imortal obra.

Se quiserem ler a minha opinião a este livro, vejam-na aqui, num dos primeiros textos que fiz para este blog.



Para se habilitarem a ganhar basta serem fãs do blog no facebook ou seguidores. Preencham o formulário com os vossos dados e digam-nos qual é aquele livro que recomendam a qualquer leitor... aquele livro que para vocês é obrigatório.

O passatempo termina às 23:59h de 28 de maio de 2013

Boa sorte a todos!


Novidades Saída de Emergência


Novidades Saída de Emergência
Já está em pré-venda o 2º livro da saga DragonLance e que tenho bastante curiosidade de ler. E vocês estão a pensar começar ou continuar com esta saga?



Dragões de Uma Noite de Inverno, de Margaret Weis & Tracy Hickman

Sinopse: Os nossos heróis venceram uma batalha, mas não venceram a guerra pelo destino de Krynn. Os servos de Takhisis, a rainha dos Dragões, estão de volta e os povos de todas as nações precisam de lutar para salvar os seus lares e manter a própria liberdade. Mas há muito que as raças estão divididas pelo ódio e preconceito. Guerreiros elfos e cavaleiros humanos lutam entre si e a guerra parece estar perdida antes de começar. 

Forçados a separarem-se pelos acontecimentos, passará ainda algum tempo antes que os nossos heróis se reencontrem. Perseguidos por estranhos sonhos e profecias sinistras, o grupo parte em busca das misteriosas e lendárias orbe e lança do dragão.
Conseguirão, juntos, fazer frente às trevas? E será possível para um cavaleiro caído em desgraça, enfrentar, à pálida luz do inverno, as forças de Takhisis?

Para mais informações sobre o livro, visitem o site da editora aqui!

Novidades Porto Editora


Novidades Porto Editora


Este é mais um livro que gostava imenso de ler. O escritor Alberto S. Santos tem apresentado excelentes obras e acredito que esta esteja ao nível. Mas só mesmo lendo. 

A Porto Editora publica, a 22 de maio, O Segredo de Compostela, o novo romance histórico de Alberto S. Santos, Presidente da Câmara de Penafiel e organizador do prestigiado evento literário Escritaria. A sessão oficial de lançamento acontece nesse mesmo dia, no Rivoli Teatro Municipal, no Porto, às 21:15, no âmbito do ciclo literário Porto de Encontro.

A capa do sucessor dos bestsellers A Escrava de Córdova e A Profecia de Istambul (mais de 25 mil exemplares vendidos, cada um) foi escolhida através de uma votação realizada no Facebook e que contou com centenas de participações.



O dia 28 de janeiro de 1879 tinha tudo para ficar marcado na história da cristandade. Depois de dias suados de escavações na catedral de Compostela, foi encontrado o túmulo onde se acreditava que repousavam os ossos do santo apóstolo.
Mas e se no destino final a que nos conduzem os místicos caminhos de Santiago se esconder um dos segredos mais bem guardados do Ocidente? Prisciliano, líder carismático do século IV e pioneiro defensor da igualdade das mulheres e dos valores do Cristianismo primitivo, é a figura preponderante neste enigma secular. Comprometido com a força da sua espiritualidade, viveu no coração os sobressaltos de um amor proibido, envolto em ciúmes e intrigas.
Ainda que aclamado bispo pelo povo, Prisciliano tornou-se no primeiro mártir da sua Igreja, a quem a História ainda não prestou o devido reconhecimento.
Depois de extraordinárias revelações, descubra neste fascinante romance respostas às inquietações que atravessam os tempos: Afinal, quem está sepultado no túmulo?
Qual o sentido atual das peregrinações a Santiago de Compostela?

Mais informações sobre este e os outros livros do autor nestes links:

O Segredo de Compostela
A Profecia de Istambul
A Escrava de Córdova 

O GRANDE GATSBY



Autor: F. Scott Fitzgerald

Título original: The Great Gatsby




Considerado um dos melhores romances de sempre, O Grande Gatsby é, na minha opinião, dentro do que já li, uma das mais fortes e abrangentes críticas a uma específica sociedade. E mais do que uma história de amor ou de solidão, é esta crítica que torna a obra de Fitzgerald num dos livros mais marcantes dos últimos cem anos.

Num livro pequeno, com poucas personagens e sem grandes descrições, é fantástico como o autor consegue expor tão bem uma sociedade que é, na sua maioria, corrupta e invejosa. As personagens são, no global, pouco desenvolvidas e nota-se que o autor quis desvendar pouco, criando um suspense que poderá levar ao fascínio do leitor, o mesmo fascínio que grande parte da sociedade tem em relação aos ricos e à sua forma de vida.  

São poucos os que têm a sorte de nascer entre os ricos, mas esse aleatório momento condicionará toda a nossa vida, para o bem, ou para o mal. Nick, o nosso narrador e personagem interessante, está, tal como o leitor (que não seja imensamente rico), fora desta realidade, e passa grande parte da história entre o fascínio e as dúvidas. Esta semelhança torna Nick numa personagem que facilmente agrada, e mesmo com uma primeira parte do livro mais monótona, a leitura nunca me custou.

Gatsby é um homem de extravagâncias e isso nota-se nas suas festas. Cria (paga) fabulosos espectáculos sem se dar ao trabalho de estar presente ou de saber quem está convidado e nota-se a primeira crítica do autor. Está na valorização do dinheiro. No entanto, rapidamente nos apercebemos que Gatsby não é o alvo da crítica, pois este homem, que ninguém sabe porque é tão rico, tem motivos morais para as suas acções, ao contrário de muitos outros.

A crítica tem como alvo a ambição e a falta de moral da sociedade rica na década de 20 nos EUA. Conversas chatas em que ninguém é honesto, onde apenas se fala para desdenhar e encontrar fraquezas nas outras pessoas, misturam-se numa luta entre a honestidade de alguns e a mentira de muitos. E até a forma como as personagens falam, demonstra facilmente o seu estatuto social. Mas o autor não se fica por aqui, e mostra como muitos dos que nasceram ricos, não sabem o que a vida custa, não sentem as limitações e não sabem o que é a dignidade... pois aquilo que alguns adquirem com respeito e mérito, outros compram.

Interessante ainda, ver que uma pessoa que nasça rica, não desperta a atenção nem a inveja em comparação com um homem que ganhou essa riqueza por mérito. E porquê? Porque este homem fez o que os outros, que nasceram ricos, não tiveram de fazer, e como tal, apresenta um feito invejável. 

Gatsby é um personagem marcante, não pelo que mostra, mas pelos motivos que determinam as suas acções, e com este homem, o autor mostra-nos que para ter uma excelente vida, não basta ser rico. É aí que está a mentira instalada na mente das pessoas. No entanto, como disse antes, para mim este livro é mais do que uma história onde pessoas e sentimentos estão misturados. Existe uma história de amor, e existe amizade, e é isto que nos agarrará ao livro, mas é na crítica que está o soco dado ao leitor, e as primeiras páginas tornam-se a parte mais importante do livro ao vermos que será a partir dessa base, que irá crescer a crítica que torna esta obra tão marcante.

Sendo assim, torna-se fácil perceber o porquê de estarmos perante um livro tão conceituado. O Grande Gatsby não será, para a maioria, o mais viciante dos livros, nem será o favorito. Claro que muitos irão preferir a história de amor e a amizade, mas para mim, este livro ficará presente como uma das grandes críticas a um estilo de vida, ao que o poder faz às pessoas, e à imoralidade que ganha forma quando as barreiras (do dinheiro) desaparecem.

Para mais informações sobre o livro O Grande Gatsby, clique aqui!

Luís Pinto

sábado, 18 de maio de 2013

Passatempo: O Grande Gatsby - vencedor!



PASSATEMPO

O Grande Gatsby



Em parceria com a Editorial Presença, chegou ao fim mais um passatempo e desta vez iremos oferecer um exemplar de um dos grandes clássicos da literatura.


Agradeço a todos os que participaram e, se não ganharam, desejo-vos melhor sorte para os próximos passatempos!


E o vencedor é:

Norma Gondar Pita

Parabéns à vencedora!


Para mais informações consulte o site da Editorial Presença aqui.

Para mais informações sobre o livro O Grande Gatsby, agora reeditado com a capa alusiva ao filme, clique aqui!


Mais passatempos em breve! Estejam atentos!

quinta-feira, 16 de maio de 2013

INSURGENTE


Autor: Veronica Roth

Título original: Insurgent


Após ler "Divergente" e ter ficado com imensas perguntas à espera de respostas, a leitura de "Insurgente" foi rápida e facilmente se percebe a euforia da adolescência por esta saga. Escrita simples, ritmo elevado e um romance que evolui muito lentamente para manter o leitor preso à leitura.

A primeira grande diferença em relação ao primeiro livro é que este se vira muito mais para o romance entre Tris e Quatro. Não me agradou particularmente, mas percebo que a autora o tenha feito para depois explorar certas situações, levando o leitor a sentir receio em certos momentos. Quatro continua a ser a melhor personagem do livro, e claramente a mais coerente. Tris, por seu lado, continua a ser uma rapariga difícil de gostar enquanto personagem principal. Não que seja má, só que por vezes não é coerente o suficiente, mas talvez essa falha se deva ao ritmo elevado que a autora impõe, pois acabamos por ver decisões que não fazem sentido (porque não são bem explicadas) vindo de alguém para quem a comunidade olha como um líder e que tem as características necessária para entrar no grupo de Eruditos.

E com isto chego a um dos pontos mais importantes do livro. Por um lado, com este livro percebemos que ser divergente não é assim tão raro, que foi algo que me agradou bastante (quem tiver lido a minha opinião ao livro anterior, perceberá porquê). Por outro lado, ao retirar este conceito de "raridade", Tris perde algum daquele toque especial que poderia ter, e com isso, torna-se difícil uma sociedade olhar para uma rapariga de 16 anos como alguém a seguir. Existem ainda outras personagens interessantes e gostei especialmente de Caleb, pois é muito mais coerente do que parece no início, e claro que os maus da fita também conseguem agora maior destaque, e de forma positiva. Peter foi a única personagem previsível (uma reencarnação de Malfoy) mas que não estraga o livro.

Com este livro vou dizer algo que é raro nas minhas opiniões: este livro deveria ter mais páginas, e aqui é apenas o meu gosto. Não digo que o livro ganharia qualidade com mais páginas, mas eu iria gostar que fosse tudo melhor explicado. Gostava que a autora explorasse melhor os traumas de Tris, gostava de sentir este mundo mais real, e gostava que o ritmo fosse mais lento. É tudo muito rápido e isso notasse em pequenas coisas que não irei revelar.

Apesar de a autora não ter ido pelo caminho que eu esperava, este livro é, na minha opinião, melhor do que o anterior, não por ser mais viciante ou mais coerente, mas porque consegue "tapar alguns buracos" com as suas explicações, principalmente nas últimas páginas. A revelação final levanta muitas questões, algumas que não serão fáceis de gerir mas que podem tornar esta saga muito melhor. Afinal, está o ser humano, pela sua natureza, destinado a repetir os seus erros? Afinal, de onde vem a necessidade de poder? É biológica ou cultural? Se a autora conseguir gerir estes temas e explicar o que ainda falta, então a saga será muito melhor.

Para já, e resumindo, esta é uma saga que viciou milhares de adolescentes e percebe-se o porquê. É fácil aconselhar este livro a qualquer jovem ou a qualquer leitor que goste de um livro rápido. No entanto, volto a dizer, um leitor mais exigente irá fazer muitas perguntas e ficará à espera dessas respostas. Mas, o público alvo são os adolescentes, e certamente que será um livro adorado e de enorme sucesso. Venha o terceiro livro para vermos como tudo acaba!

Se quiserem comprar ou saber mais sobre o livro, visitem o site da editora sobre o mesmo.

Luís Pinto

quarta-feira, 15 de maio de 2013

DIVERGENTE


Autor: Veronica Roth

Título original: Divergent



Imaginem a cidade de Chicago fechada ao mundo exterior, e imaginem que toda a sociedade é dividida em cinco grupos, cada um deles com uma característica exclusiva (amizade, sinceridade, sabedoria, coragem, altruísmo), e aos 16 anos de idade, cada pessoa passa um teste de seleção, vê qual a sua característica, fica a pertencer a esse grupo e para toda a vida fará o seu papel na sociedade. Depois há os "Divergentes" que apresentam mais do que uma característica, e que escolhem onde irão pertencer... Tris, personagem principal, escolhe os Intrépidos, onde se valoriza a coragem (sim, o Harry Potter fez o mesmo quando o Chapéu Selecionador lhe deu duas hipóteses e ele escolheu os corajosos Gryffindor).

Divergente, o primeiro de três livros, tem aspetos muitos bons, e outros que quase matam o livro na minha opinião. Devido a este "desequilibrar de forças" irei dividir esta opinião em duas partes: o bom e o mau. Comecemos pelo pior.

Qualquer livro passado num mundo distópico tem de ter um fator que esteja muito bem conseguido: o mundo distópico. Todas as grandes distopias precisam de um mundo sólido, coerente e que seja explicado, porque estarmos num mundo que não percebemos como pode existir, será a morte do enredo. Neste aspeto Divergente falha. A ideia é muito interessante mas a verdade é que a autora não explica o "porquê". Existem pistas, várias até, de que um dia saberemos o porquê, mas neste livro... nada, e como tal, a autora terá muito trabalho nos próximos livros. Na minha opinião, a autora deverá explicar o porquê de as pessoas não terem curiosidade de saber o que existe fora da cidade e também como é possível existir uma tecnologia tão avançada em alguns parâmetros, e noutros não, mesmo dentro do próprio grupo. Para além disso, e este será mais difícil de explicar, está todo o conceito de "divergente". Um exemplo: um bombeiro é um divergente, por ser corajoso e também altruísta? E um médico não será divergente por ter sabedoria mas também altruísmo? No meu ponto de vista, e esta é a ideia mais difícil de aceitar, para mim o normal seria a maioria das pessoas serem divergentes por teres características dos vários grupos, mas no livro parecem ser raras. No entanto, volto a dizer que a ideia global é boa (há uns toques de controlo mental que deverão ser explorados e que poderão ser interessantes), mas tem de ser explicada. Também seria interessante a autora explicar algo sobre o "comboio". Outro aspeto negativo é o final, muito forçado num certo ponto, mas, novamente, algo que pode ser explicado nos próximos livros.

Agora os aspetos positivos. Apesar de algumas personagens serem previsíveis, a maioria está bem conseguida dentro deste género de livro adolescentes. Tris é a narradora e desempenha bem o seu objetivo de nos agarrar à história com as suas indecisões e constante crescimento. Todavia, é a personagem Quatro quem dá qualidade ao livro, com a sua história, os seus traumas e a sua personalidade vincada (Caleb também é uma personagem interessante mas neste livro tem pouco impacto). Em relação ao mundo, existem aspetos muito positivos apesar de ter alguma pena que o livro se tenha focado tanto no treino militar e no quebrar psicológico dos adolescentes, pois nesse aspeto o livro está muito longe de atingir a perfeição de "O Jogo Final", mas consegue criar um bom desenvolvimento das personagens e também a amizade necessária para que o leitor goste deste grupo. 

Com este centrar, o livro aproveita para mostrar todas as dúvidas de Tris e esse aspeto parece-me muito positivo apesar de chocar com as minhas dúvidas sobre o tema "divergente". Existem ainda outras personagens interessantes e gostei do vislumbre que temos do vilão, apesar de muito curto. Para quem goste de questionar, mas também de refletir sobre o que está entre linhas, este livro passa algumas mensagens interessantes. Existem alguns temas bem explorados, como vingança, sede de poder, violência doméstica, abuso de poder e corrupção. Mas principalmente, acho que poderá tocar na parte do controlo mental, direto ou indireto (vamos esperar para ver nos próximos livros).

No global, e olhando também para a escrita simples, o ritmo elevado e o romance que paira no ar, este livro será ideal para um público juvenil que goste de ação (aliás, o sucesso tem sido enorme!). Para um leitor mais experiente neste género e que questione o que vai lendo, o livro fica perto de se matar, devido à falta de explicação. É uma obra com uma ideia interessante, que me deu prazer a ler, que deixa várias pistas sobre os próximos livros, todas elas muito interessantes, mas, devido a tudo o que disse, este primeiro livro torna-se demasiado dependente dos próximos e é preciso ler sem questionar ou esperar pelos próximos.

No meu caso, já li o próximo, e está melhor, explicando algumas coisas. Amanhã publico a minha opinião a Insurgente!

Luís Pinto

segunda-feira, 13 de maio de 2013

MORTE NA ALDEIA


Autor: Caroline Graham

Título original: The Killings at Badger's Drift


Este livro foi considerado um dos 100 melhores policiais de sempre pela Crime Writers Association. Esta é uma lista do qual já li vários livros que adorei, e por isso, tinha boas expectativas em relação a esta obra.

A história começa simples: uma mulher idosa vê, num bosque da sua pacata aldeia, algo que não deveria ter visto. É, mais tarde, encontrada morta na sua casa. Acidente ou assassínio? O que terá visto?

Em primeiro lugar devemos ter em conta que este livro tem quase 30 anos e a tecnologia dos anos 80 não é a que conhecemos agora. Para além disso, a cultura, a mentalidade e a forma como uma sociedade vê um caso destes, é diferente. Este é para mim um dos pontos mais interessantes do livro: sendo passado numa tradicional aldeia inglesa, o livro tenta explorar como a própria sociedade vê e reage a este "possível" crime, mas principalmente, mostra como estes pequenos locais são propícios a boatos, "coscuvilhice", etc... acabando, inevitavelmente em cada pessoa a ter a sua própria teoria e, por vezes, a tentarem influenciar a própria polícia nas suas investigações.

A investigação está a cargo do Inspetor Barnaby e o seu ajudante Troy, um homem que sem grande experiência nestes casos, vai ajudando ou atormentando Barnaby com as suas dicas. A "química" entre os dois é muito interessante, pois Troy é um homem incansável que gosta de agradar mas que vê tudo de forma muito obtusa, quase sem pensar, retirando ideias estereotipadas com um simples olhar, não o deixando ver o que se esconde. Barnaby é o oposto, tentando não retirar conclusões apressadas, mas nem sempre é fácil fugir ao que os olhos e anos de experiência nos dizem, pois a própria forma como a sociedade nos educa um ou outro tema, poderá levar-nos a ver algo errado. E no meio de tudo isto, cada vizinho quererá ter razão...    

Outro grande ponto a favor, na minha opinião, é a forma perfeita como a escrita da autora encaixa no género. A narrativa dá-nos detalhes a cada instante, tanto no espaço em que se insere, como sobre as personagens. Aliás, o que mais me agradou no livro foi o conjunto de personagens que se tornam suspeitos. O livro mostra-nos os seus passados, tenta influenciar-nos e em algumas situações quase que nos dá a resposta... mas eu não a vi. Os suspeitos estão todos muito bem conseguidos, com personalidades distintas, e todas elas têm algo a esconder, principalmente quando se vive num meio tão pequeno.

Barnaby também é uma personagem interessante, mas não tem o foco que os suspeitos recebem do livro. Nesse aspeto é notório que a autora não nos quer desviar do essencial, que é levar-nos a também retirarmos as nossas conclusões, levando-nos, muito provavelmente, a falhar. Eu, por duas vezes percebi que o livro me estava a enganar, mas a verdade é que falhei no meu palpite e é isto que mais aprecio neste género: ter sido enganado. É verdade que nunca tive certeza absoluta mas o próprio livro não nos deixa acreditar piamente que a personagem X é o criminoso, e no fim, quando tudo é revelado, reparo que as resposta sempre lá estiveram. Sobre essa revelação final, é uma surpresa reparar que este livro tem quase 30 anos, e fiquei admirado com a narrativa negra e com os temas abordados. O livro é mais negro do que eu esperava, e só o percebi já ao enredo ia bem adiantado, não por ter descrições violentas, mas porque aborda vários temas difíceis que levam a motivações que nos deixam surpresos. 

E se vivemos todos numa mentira? E se eu não fiz aquilo que acredito ter feito?

Infidelidade, prostituição, incompetência médica, violência doméstica, entre outros, são os temas deste livro, que nos demonstra como uma vingança pode levar anos a ser preparada e como um erro nos pode atormentar para a vida. Não querendo deixar aqui qualquer pista, pois para mim este género de livros vive das surpresas que nos dão, fica aqui a minha convicção que este livro terá sido fantástico há 30 anos atrás. Atualmente será, também pelos temas que aborda, uma obra mais banal num ou noutro aspeto, mas no global é um excelente livro que vive pela qualidade da narrativa. Totalmente recomendado a quem gostar de um bom policial, com uma boa escrita, boas personagens e um toque de Agatha Christie.

Luís Pinto

sábado, 11 de maio de 2013

WINDHAVEN


Autor: George R. R. Martin & Lisa Tuttle


George R. R Martin sofre o mesmo que qualquer outro autor que tenha atingido tão grande feito com um livro/saga... o peso da expectativa. Por exemplo, J. K. Rowling sofreu com essa expectativa quando voltou à literatura depois da saga Harry Potter, e imaginem, se Tolkien estivesse vivo e voltasse a escrever. Quais seriam as nossas expectativas? Poderiam matar a própria obra?

No meu caso, este foi o primeiro livro que li de GRRM fora do universo de Westeros. É verdade que o livro já foi escrito há muitos anos, antes de A Guerra dos Tronos, mas para mim as expectativas serão sempre altas, pois estamos a falar de um autor que, em alguns aspetos, alterou a forma como o leitor sente o que está a ler. No entanto, volto a fazer um esforço para baixar as expectativas e ler esta obra como se fosse de um autor que não conhecesse. Mas, para aqueles que queiram desde já saber uma opinião objetiva, digo o seguinte: este livro de GRRM com Lisa Tuttle, tem muita qualidade, tem muitos pormenores que vemos em Westeros, mas não é, e provavelmente não o poderia ser, um marco na literatura como é o seu primeiro A Guerra dos Tronos. Não podemos, nem devemos, comprar um único livro com uma saga tão grande. Este Windhaven é um livro com um fim e é muito bom em alguns aspetos. 

Em primeiro lugar digo-vos que me foi difícil entrar no mundo criado. Não na parte geográfica ou política, mas na mentalidade, na importância/valor dado às assas. O mundo é bem criado, tem alguns toques originais e percebe-se a sua dinâmica, mas o facto de pessoas lutarem tão ferozmente pelas suas assas, foi algo que no início pareceu forçado. No entanto, enquanto vamos lendo o livro, essa sensação desaparece, principalmente porque começa-se a perceber o estatuto que as mesmas oferecem, e principalmente, começamos a ver que nenhuma personagem está isenta de falhas nesta história. E é aqui que GRRM entra (sem retirar qualquer mérito a Tuttle), com as suas personagens realistas, nunca totalmente boas, nunca totalmente más.

Maris, personagem principal consegue tornar-se com facilidade numa excelente criação destes autores. A sua transformação/adaptação durante o livro é de assinalar e se juntarmos a isto o facto de estarmos perante uma personagem que falha, que desilude, que luta, que não é totalmente boa ou má... tudo isto torna a história mais realista. Infelizmente as outras personagens não apresentam esta qualidade, mas nota-se que nunca foi objetivo conhecermos quem rodeia Maris, aumentando assim a intriga e o impacto de algumas revelações, e não diminuindo o ritmo.

Temos conflitos, decisões impossíveis e traições, tudo presente num jogo de bastidores que apenas vemos pela visão de Maris. O ritmo é lento durante metade do livro, acelerando bastante no fim onde o livro se torna melhor, não por ter mais ação ou mais surpresas, mas porque define a sua própria mensagem para o leitor.

Mais soft e menos violento do que esperava, com uma escrita fácil e simples, este é um livro sobre o poder dos sonhos, o evoluir de uma cultura estagnada e injusta, e torna-se num vislumbre sobre a força necessária para fazer o mundo olhar com respeito para os que estão em baixo, e não só para os que estão acima. O final completa o livro, como se o unisse numa mensagem clara e que o melhora bastante, e este é o tipo de final que mais gosto: ao não existir uma luta global entre bem e mal, o final nunca pode ser definitivo, mas sim o culminar de uma história de vida, de algo realista. As pessoas nascem, vivem, morrem e por muito que façam, por muito que alterem, o mundo continuará sem elas. Foi isto que GRRM nos mostrou em todos os seus livros que li.

Por vezes, uma pessoa consegue mudar o mundo, mas conseguirá essa pessoa antever tudo o que a mudança trará ao mundo? Existem várias formas de poder, mas quem o tem, nunca o quer perder.

O enredo não é o mais original que já li, longe disso, mas a construção do mundo torna o livro singular. Não conheço o trabalho de Lisa Tuttle, mas nota-se a sua mão com uma escrita mais "bonita", menos "negra". No entanto é muito fácil encontrar o toque de GRRM na forma como demonstra a personalidade das suas personagens com simples ações. Windhaven é um livro muito interessante e que em certos aspetos é até comparável com o nosso mundo, ajudando a transmitir uma mensagem importante, apesar de indireta. 

Resumindo, Windhaven é um bom livro (que também será interessante para um público mais adolescente), que me deu imenso prazer a ler, principalmente a partir de meio. Uma excelente personagem principal, narrativa comovente, algumas reviravoltas (umas previsíveis, outras surpreendentes) e momentos onde é preciso tomar-se uma decisão, e não existe uma totalmente correta. Não é uma obra-prima, não é o melhor livro que li de GRRM, mas isso seria quase impossível e é verdade que muitos poderão ficar desiludidos, mas tudo dependerá das expectativas que levarem. Eu gostei imenso deste livro e recomendo-o.


Luís Pinto